O que Marília Mendonça pode nos ensinar sobre luto.

Nós não conhecemos músicas de Marília Mendonça, não consumimos o gênero sertanejo e não temos aval para falar absolutamente nada sobre ela por total desconhecimento, no entanto, nos sentimos capazes de falar sobre um aspecto gerado pela tragédia que foi sua morte precoce e vamos fazê-lo por acreditar que se não sair nada de produtivo dessa situação, é apenas um sofrimento em vão: o brasileiro não sabe como lidar com perda, luto ou pessoas sofrendo.

Hoje queremos falar do show de horrores que foi o comportamento das pessoas diante da morte de Marília Mendonça. E, não, não estamos falando do sensacionalismo midiático, da exploração do tema para fins lucrativos ou da exposição de fotos e vídeos dos que morreram para render cliques. Queremos falar sobre o péssimo comportamento daqueles que achavam estar homenageando a cantora. Só posso concluir (inclusive por experiência própria) que o brasileiro definitivamente não sabe como tratar pessoas enlutadas.

É inacreditável as merdas que pessoas que supostamente acham que estão prestando uma “homenagem” vem falando. Pessoas falando na hora de calar. Pessoas vomitando sincericídios a título de “homenagem”. Pessoas fazendo da morte dos outros algo sobre elas. Um show de horrores de pessoas que ainda se acham no direito de falarem o que bem entenderem sem ser criticadas, afinal, “é a minha opinião, eu tenho direito de falar o que eu penso”.

Sabe quem pensa assim? Crianças, que falam uma pá de bosta achando que estão falando a coisa mais legal do mundo. Crianças tem opinião sobre tudo, inclusive sobre o que elas não sabem, não conhecem ou não entendem. E falam, sem filtro, em qualquer situação, na presença de qualquer pessoa. Se antes tínhamos adultinhos adolescentes no Brasil, parece que agora se regrediu um pouco mais e temos adultinhos criancinhas.

Ninguém é obrigado a gostar da pessoa de Marília Mendonça ou de sua música, mas a morte dela é um evento sobre ela, onde muitas pessoas estão sentindo luto, pesar e sofrimento. É sobre uma mãe que morreu e deixou um bebê de dois meses. É sobre uma filha que morreu e foi enterrada por sua mãe. É sobre uma pessoa amada por muitos que se foi. É sobre tudo, menos sobre o que VOCÊ sente. Sim, alguns eventos (a maioria deles) não são sobre a gente.

Em uma hora dessas, dizer palavras que possam confortar quem está com dor pode ser válido, mas, ainda assim, não é sobre você ou como você se sente, é sobre fazer com que quem está sofrendo se sinta melhor. Se você acha que o que tem a dizer pode gerar algum conforto a quem está sofrendo, diga de forma pública. Se não, mantenha sua opinião no privado, crie um blog chamado Desfavor II e vomita tudo ali. E vale para qualquer morte, inclusive a de pessoas que não são famosas.

E aqui vale uma ressalva importante, um mal-entendido bizarro que faz necessário explicar o óbvio. Uma coisa é falar para os seus, outra coisa é falar para todo o Brasil. Quando você falar em um jornal de grande circulação ou em uma rede social, você fala para todo o Brasil. Quando você fala na sua casa, com seus amigos ou em qualquer espaço restrito e selecionado com pouco alcance você fala para conhecidos. Falta essa noção nas pessoas. O que você diz em redes sociais pode ser lido pelo William Bonner no Jornal Nacional, tenha sempre isso em mente.

“Ain mas vocês falam coisas pesadas no Desfavor”. Sim, o Desfavor, que é um blog que nunca, em tempo algum foi, é ou será divulgado em lugar nenhum. Um blog que não tem redes sociais. Um blog que desde o dia 1 tem a métrica toda pensada para não ser encontrado. Um blog onde uma pessoa vai ter que garimpar em seis mil postagens (cada uma com 4 páginas, totalizando 24 mil páginas de leitura) para achar algo. Um blog onde se excluí a participação de 90% dos que comentam. Um blog que, nos dias de glória, alcança no máximo 50 mil pessoas em uma população de 220 milhões, ou seja, que não fala nem com 0,025% da população.

Falar no Desfavor não é falar para o Brasil. Falar em redes sociais sim. Falar em jornais de grande circulação sim. Falar em programa de TV aberta sim. E quando se fala para todo o Brasil, se tem responsabilidade pela “minha opinião”, não é para sair falando o que pensa sem antes de perguntar “quais são os danos sociais que eu posso causar com isso?”. Que todos tenham voz é ótimo, mas é preciso entender que com o bônus vem o ônus, que é ter responsabilidade pelo que se fala.

Dito isso, o que vamos dizer daqui para frente não é um manual de etiqueta ou bons modos. É sobre humanidade. É o mínimo que se deve apresentar para ser chamado de “ser humano”.

E não estou querendo dar lição de moral hipócrita não, por diversas vezes nós já classificamos a morte de alguém dizendo que “o mundo ficou melhor”. Mas não fazemos isso publicamente, não fazemos isso de modo a que chegue aos olhos ou ouvidos da família da pessoa que faleceu. E, mais importante, matamos no peito e assumimos que estamos criticando. Falar a bosta que quer e sair impune com “mas é minha opinião” é argumento de criança de cinco anos.

Publicar em um jornal uma “homenagem” de despedida dizendo que “Nunca foi uma excelente cantora” é, no mínimo, um desaforo. Isso não é uma homenagem. Faz uma nota de crítica à cantora, mata no peito e encara as consequências de escrever críticas a quem acabou de morrer. E mais: dar a sua opinião é uma coisa, divulgar a sua opinião como se fosse uma verdade absoluta é outra. Quando falamos de um jornal de grande circulação, “Eu nunca a achei uma excelente cantora” é opinião, “nunca foi uma excelente cantora” é uma afirmação com pretensão de ser uma verdade.

Quer comprar o barulho de escrever uma crítica a uma pessoa querida que acaba de morrer? Não camufla. Não bate e esconde a mão. Diz “isto é uma crítica, não uma homenagem” – e segura o rojão do que venha depois, em vez de choramingar com “ain, não se pode mais dar opinião”. Pode sim. Mas cada opinião vai ter uma reação. Se quer dar uma opinião que não repercuta pelo Brasil todo, escreve para o Desfavor Convidado, não para a Folha de São Paulo.

E, mesmo para criticar, quando se fala para o Brasil todo, se precisa de um mínimo de coerência. Dizer “seu visual não era dos mais atraentes para o mercado (…) Marília Mendonça era gordinha e brigava com a balança” e depois se alega estar fazendo “uma crítica a sua carreira” é de uma desonestidade inacreditável. Alegar estar acima do peso como uma crítica à carreira só serve se a pessoa era jóquei ou miss.

Repito: quer dar uma opinião impopular sobre a morte de alguém? Cria seu blog e fala para a meia dúzia que resolve entrar nele. Um blog não invade a tela de ninguém, como comentários de rede social, jornais de grande circulação ou programas de TV aberta o fazem. Só entra no blog quem escolhe entrar no blog. Só lê quem escolheu estar ali.

Se falar em redes sociais, na TV aberta ou em jornais de grande circulação, tem que ter um pingo de responsabilidade para com as pessoas que estão sofrendo e serão invadidas por essa opinião. Não dá para usar redes sociais ou a Folha de São Paulo como “querido diário”, como local de desabafo. Comunicação pública de grande alcance exige responsabilidade. É inerente ao posto que se ocupa.

E aí entramos em outra aberração, que é o foco que se escolhe dar após a morte de alguém. Dezenas de pessoas, desde famosos como Luciano Huck até jornalistas, focaram no peso de Marília Mendonça na hora de fazer algum comentário sobre sua morte. O que tem a ver o peso da pessoa? Qual é a relevância de falar do peso de uma pessoa que você supostamente amava após a sua morte?

E o peso é apenas um exemplo. Se você está falando com amigos e familiares (ou falando de forma a que eles escutem, como por exemplo, em um programa de TV aberta), não é legal se portar assim. “Nossa, fulano descansou, ainda bem, estava sofrendo muito”. Oi? Qual é o conforto que isso gera? Relembrar o quanto a pessoa sofreu? “Fulana estava magrinha”. Oi? Pouco importa gorda ou magra, é irrelevante, vai fazer a mesma falta. “Fulano podia ter se salvado dessa doença, não se cuidou”. Sério? Que pena que humanidade não vende em farmácia, está fazendo falta.

Teve também o clássico “eu sei exatamente como você está se sentindo” ou “eu sei o que essa família está passando”, dito por uma meia dúzia de famosos. Não, não sabe. Cada um lida com sofrimento, luto e morte de um jeito. Você não sabe como o outro está se sentindo. Você não sabe qual era a bagagem, as questões mal resolvidas ou os sentimentos ali. Você não sabe nada e dizer que sabe é escroto, arrogante e inadequado. Bateu vontade de dizer “eu sei bem como você se sente”? Respira fundo e engole.

E, por incrível que pareça, pessoas falando do sobrepeso de Marília Mendonça ou presumindo como a família se sente não foram o pior que vimos nos últimos dias. Sim, teve gente conseguindo fazer pior.

A morte de uma pessoa, seja ela famosa ou não, não é sobre você. Não é sobre o que você acha, não é sobre como você se sente, não é sobre o que você acredita. Não é sobre você ter tirado uma foto com ela no ano tal, não é sobre você estar triste pois nunca vai ver o show da pessoa. É sobre a dor dos que ficaram e amavam essa pessoa. Não se começa frases de conforto com “Eu”. “Eu acho…” “Eu me sinto…” “Eu quero…”. NÃO. SIMPLESMETNE NÃO.

É sobre as pessoas que amavam quem se foi e o que ELAS estão sentindo, achando, querendo, precisando. Qualquer coisa que saia disso é inadequado. Palavra de quem já teve que enterrar uma pessoa amada: o maior inferno nessas horas acaba nem sendo a dor da perda, e sim as bostas que os outros vem falar. Tenham a decência de não fazer a morte de alguém sobre vocês.

E às vezes nem é com má intenção. Um exemplo didático: uma sertaneja amiga de Marília Mendonça deu uma entrevista tenebrosa, acredito eu, na melhor das intenções, mas sem a menor das noções. Vejam um trecho do que não fazer no caso de morte de alguém:

“Eu nunca saí da minha casa sem orar, sem pedir a Deus que nos levasse em paz até os lugares que a gente tinha que ir. Eu ia dentro do avião escutando louvores porque era a forma que me sentia segura, eu sentia a presença do Senhor dentro do avião. E eu aprendi uma coisa muito novinha que é pedir para Deus, quando eu entro no avião, para que ele coloque as mãos embaixo do avião. Mas eu também quero falar uma coisa que eu acho muito importante. Eu e Simone nunca entramos em um avião que não soubemos a procedência. Isso sempre foi um critério que a gente teve com a equipe. Eu ficava muito preocupada quando tinha que pegar aviões que não conhecia. A nossa equipe teve sempre muito cuidado com isso. Quando a intuição batia e dizia para não ir, eu segurava a onda e dizia: não vou. A falta de fidelidade com a gente é que causa determinadas coisas também. A gente nunca sabe a hora da gente, mas tem que tomar cuidado, tem que pedir essa prevenção. Eu sempre tive os pilotos favoritos, com quem eu e minha irmã nos sentíamos seguras.”

EU, EU, EU. Foda-se o que você faz, foda-se as medidas de segurança que você adota, foda-se para quem você reza. Quer dizer que Deus coloca as mãos debaixo do seu avião mas deixou a Marília cair de boas? Vai tomar no cu, sabe? É sobre a perda de uma pessoa amada da qual você se diz amiga. Em público, para o Brasil todo ouvir, para a mãe dela ouvir, única coisa adequada a fazer é relembrar coisas boas da pessoa, o quanto ela era querida e amparar/ajudar/acolher a família como puder. Um simples “estou aqui para o que você precisar, conte comigo” basta.

Mas não. As pessoas precisam ter opinião sobre tudo e as pessoas precisam externar sua opinião sobre tudo. É tão cansativo…

A constatação que me resta é que o brasileiro não tem maturidade para lidar com a morte. Não sabe se portar, não sabe o que dizer, não tem a serenidade de pensar antes de falar. A impermanência afeta de tal forma esse povo cheio de certezas, que os transtorna a ponto de falarem as piores coisas achando que estão ajudando. Vamos aprender a respirar fundo e ter empatia, de se colocar no lugar de quem está sofrendo, antes de falar uma coisa para o Brasil todo ouvir?

E, mesmo quando a morte não envolve um famoso, não sejam essas pessoas, que reagem à morte como crianças nervosas que vomitam uma pá de bosta. Não saiam falando a primeira coisa que vier às suas cabeças só para preencher o silêncio. Não neguem a morte, não a minimizem, não a divinizem. Deem espaço para que família e amigos tratem a morte do ente querido da melhor forma para eles.

“Seu pai está no céu”, “Sua mãe está em um hospital espiritual se recuperando da passagem”, “Seu filho vai reencarnar em breve”. E você vai tomar no meu do seu cu, que tal? Onde já se viu falar esse tipo de coisa? Quem você pensa que é para “saber” o que está acontecendo ou o que vai acontecer com uma pessoa que faleceu?

Isso é desrespeitoso, invasivo, inadequado. Geraria conforto em você ouvir isso, mas casa pessoa é uma pessoa, pode ser que não gere conforto nos outros. Nunca se fala nada, sobre morte ou qualquer outro assunto, pensando no que geraria conforto para nós, tem que pensar nos outros – e os outros, surpresa! Nem sempre pensam como nós.

Por isso, não imponha nenhuma crença, informação ou achismo. Não especule o que pode acontecer após a morte, pois ninguém sabe. Não opine. Não minta. Não invente. Apenas esteja lá para as pessoas que estão sofrendo e pergunte qual é a melhor forma de ajudar. Elas vão de dizer a melhor forma de ajudar.

Eu sei que a morte é desconcertante e que muitas vezes as pessoas não sabem bem o que dizer, ficam nervosas, acabam soltando a primeira coisa que lhes vem à cabeça. E isso ficou ainda mais claro após a morte de Marília Mendonça: se pessoas que trabalham com comunicação por décadas não sabem se portar, imagina nós, meros mortais.

Justamente por isso resolvi escrever sobre o tema. É a nossa contribuição para que saia algo de bom, ainda que ínfimo, dessa tragédia. E não é que eu seja melhor do que alguém por saber isso, é que eu estive do outro lado e experimentei as faltas de noção mais recorrentes, por isso as conheço. Se achar que te serve pega para você, se não, volta amanhã que tem outro texto.

Está atordoado? Não sabe o que dizer? Está consternado e perdido sobre o que falar na hora da morte de alguém? Segue o Manual Com-Noção Desfavor para Consolar Quem Perdeu um Ente Querido

1) Morreu alguém você automaticamente vira o John Snow: você não sabe nada. Se te for pedido, e só se te for pedido, você compartilha uma vivência sua sobre o assunto ou uma opinião. Se não te for pedido, não. Tá tudo bem em consolar alguém em silêncio, dando espaço para a pessoa falar ou apenas para desabar perto de você. Se quiser falar algo diga: “como posso te ajudar?” ou “o que posso fazer para que você se sinta melhor?”. Sempre perguntas, nunca soluções.

2) A morte de alguém não é sobre você, é sobre amparar as pessoas que ficaram e estão devastadas com a ausência da pessoa amada. Não comece frases com “eu” e não fale sobre você.

3) Guarde para você crenças ou especulações sobre o que você acha que aconteceu com a pessoa no pós-morte (sim, ACHA, pois ninguém sabe, ninguém nunca voltou para contar).

4) Quem vai te dizer qual é a melhor ajuda que você pode dar é quem está sofrendo essa perda: família e amigos. Não empurre fórmulas, rituais ou dê prazos para este ou aquele sentimento. Ofereça sua total disponibilidade e deixe que eles te digam como você pode ajudar em vez de chegar com soluções ou fórmulas prontas.

5) Duas exceções à regra anterior, que você pode e deve oferecer mesmo sem ser pedido: a) dinheiro, caso a família precise e b) se encarregar de todos os procedimentos burocráticos. São as duas coisas que mais pesam e geram desamparo e nem sempre quem está enlutado tem coragem de pedir.

E, na dúvida, não falem. Escutem. E se as pessoas que estão sofrendo não falarem, respeite. Apenas esteja lá. Muitas vezes a simples presença em silêncio é tudo que eles precisam. Muitas vezes dói tanto que não dá nem para falar a respeito. Muitas vezes dói tanto que não se consegue elaborar em palavras o que está acontecendo.

E, lembrem-se: a dor da morte de uma pessoa amada é para sempre. Esse papo de “o tempo cura tudo” é o caralho, o que o tempo faz é ajudar a retirar o foco daquilo que é incurável, que é quando o luto termina. Então, não espere que as pessoas sejam exatamente quem eram após uma tragédia. Alguma coisa vai mudar, e está tudo bem.

Para finalizar: luto não tem validade. Se você acha que está na hora da pessoa seguir com a sua vida e ela ainda não se sente pronta, pau no seu cu, é o tempo dela que vale. Se a pessoa enlutada não quiser sair, quiser ficar quieta, quiser ficar em casa, respeite. Esteja lá para ela, dentro de casa, se for o caso. Não meta esse papo de “Não pode ser, sua vida não acabou, você TEM QUE sair”. “Tem que” é o caralho. Ninguém “tem que” nada.

Obviamente se você achar que a pessoa está com algum tipo de depressão, deve incentivá-la a procurar ajuda, mas, spoiler, nem todo mundo que não quer sair para se divertir está deprimido. Dá um Google, procura os sintomas reais de depressão e, se a pessoa os tiver, ajude-a a procurar ajuda de um profissional, que seria, no caso, um psiquiatra e um psicólogo. Não um padre, não um pastor, não Deus, não uma prostituta, não bebida, não uma reza: UM PSIQUIATRA E UM PSICÓLOGO.

Fora isso, o melhor que você pode oferecer é respeito, acolhimento e sua total disponibilidade para ajudar da forma que a pessoa pedir. Mais do que isso é falta de noção, menos do que isso é escrotidão.

Espero de coração que este texto ajude alguém e não se comportar como uma criança inconveniente diante da morte de alguém.

Para dizer que amigo de verdade obriga a sair para beber, para dizer que as pessoas não morrem viram estrelinhas ou ainda para dizer que deveria ter multa para quem fala coisas sem noção a pessoas enlutadas: sally@desfavor.com

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Comments (42)

    • Eu me pergunto o que leva alguém a filmar a si mesmo chorando… é um pedido desesperado por atenção e uma glamourização do sofrimento que não entram na minha cabeça

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  • “Apenas esteja lá para as pessoas que estão sofrendo e pergunte qual é a melhor forma de ajudar. Elas vão de dizer a melhor forma de ajudar”

    Quando um ente querido morre, e quem ficou é pessoa da família ou amigo antigo, prefiro ir no velório e varar a madrugada junto até a hora do enterro, ajudando em silêncio no que for necessário e no que for pedido.

    Isso poupa depois de ter que mandar mensagens protocolares de condolências ou mesmo ofertas remotas vazias de ajuda que nunca se concretizam (tal como “Se precisar, conte comigo”, vindo de alguém que não aparecia em condições normais há anos, mesmo morando perto).

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  • Lamento muito o que aconteceu com a Marília Mendonça e com os outros mortos nesse acidente, que nem sequer são alvo da noticia.
    Não sou autoridade no assunto (quem é responsável pela investigação dos problemas que culminam em desastres aéreos como esse é o CENIPA), mas mesmo assim presumo que a causa principal seja similar a dos acidentes envolvendo Eduardo Campos e Teori Zavascki. Desorientação espacial em meio a tempo nublado/chuvoso.

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  • “crie um blog chamado Desfavor II e vomita tudo ali.”

    Mas as pessoas que viralizaram falando merda, inclusive a Marília Moscou, também só falaram nos twitters delas. Como se fossem um blog. Um espaço delas. Por que não podem?

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    • Você leu o texto? Nele eu falo sobre essa questão, do motivo pelo qual uma rede social é diferente do Desfavor.

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    • Eu li que tinha dois meses… mas não conheço absolutamente nada sobre ela, então, provavelmente você está certo

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  • Toda vez que morre alguém, todos os canais do YouTube já querem falar alguma coisa. É pela busca de visualização, até canais que nunca falam sobre música, começaram a falar sobre a cantora. Eles querem é mencionar a pessoa só pra estar em evidência, por isso não pensam o que dizer, vai qualquer coisa

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    • Se trouxerem algum debate que agregue, eu nem vejo problema.
      Acredito que poderiam começar a discutir a fiscalização tosca que fazem dessas empresas de táxi aéreo: todo hora morre alguém, descobrem que os aviões estavam irregulares e ninguém faz nada.

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      • A agenda desses artistas é complicada, tem que fazer vários shows no mesmo dia em lugares diferentes… E nem é necessariamente ganância, por trás desses artistas tem muita gente envolvida que precisa receber seus salários. Aí acabam se metendo nesses aviões obscuros…

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  • Ouvi dizer que uns malucos tentaram invadir o local do acidente pra pegar pedaços dos destroços do avião, como lembrança. WTF

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  • Cadê aquele seu texto sobre os procedimentos depois da morte de um parente? Nunca mais encontrei.

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  • Sally, o que mais me espantou em todo este texto foi que ele precisou ser escrito. É incrível que tantas pessoas não tenham um mínimo de tato e não saibam como demonstrar algum respeito pelo sentimento alheio. É uma simples questão de bom senso perceber que, se não tem nada de bom para dizer, o melhor é se calar. Ou, como ensinam os velhos clichês: “A palavra é prata, o silêncio é ouro” e “Muito ajuda quem não atrapalha”. Por não saber praticamente nada a respeito da falecida cantora, eu acompanhei esse caso todo muito de longe e nem imaginava que a falta de noção fosse desse tamanho. É simplesmente inacreditável!

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    • Talvez as pessoas até tenham tato, mas ficam tão transtornadas ou nervosas pelo evento morte que acabam falando o que não devem…

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  • Vocês viram uma foto do Neymar levantando a camisa num jogo para mostrar outra por baixo com uma “homenagem” dizendo que sempre seria fã dela? Quase vomitei. A mulher sofre um acidente, morre e todo mundo fica fazendo disso uma oportunidade para aparecer. Uma coisa meio “como assim estão falando de outra pessoa que não seja eu? Já sei! Vou falar dela também, assim eu também apareço!”. Ele joga em outro país, ninguém conhece ela lá, totalmente nada a ver. Até o presidente inventou de fazer homenagem, duvido que ele saiba nome de 2 músicas dela. Pessoas que nem conheciam pessoalmente em luto, dá um tempo.

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    • Não vi isso. É complicado. Uma moça chamada Marília viralizou em redes sociais por emitir um comunicado de que não era ela no avião. Por qual motivo alguém pensaria que era ela? Parece que as pessoas olham e pensam “Aconteceu uma tragédia, como fazer isso se tornar algo sobre mim?”

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    • E a quantidade de melhores amigas que ela tinha? Não acompanho o mundo do sertanejo mas olha… fiquei espantada em como é cor de rosa, todo mundo melhor amigo de todo mundo.

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      • Sabe como a gente vai ver quem era amiga ou não? Observando quem vai dar assistência à família, estar lá para os pais dela, o filho dela… ao longo dos anos, não nos meses seguintes à tragédia.

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  • Estava conversando exatamente sobre isso com meu marido outro dia. O meu sogro faleceu e minha avó tb, com dois meses de diferença.
    As pessoas de fora, e infelizmente algumas tb da família diziam e faziam cada coisa que me tiravam do sério, e o meu marido comentou que elas fazem isso não pensando na pessoa doente ou na família de luto, e sim para aliviar a própria consciência, fazer fofoca e dar conselhos que ninguém pediu pq eles sabem melhor….
    No caso do meu sogro, minha sogra parou de dar notícias, mesmo quando ele já estava no paliativo, ela só conversava com os filhos e comigo. Ela disse que não aguentava mais as opiniões e “soluções” que os outros davam. E o pior, ela foi criticada pela psicóloga do hospital por fazer isso.
    Com a minha avó, a filha dela desligou o celular e não respondia mais ninguém, pq minha irmã foi tão sem noção e atormentava tanto, que a coitada quase teve uma crise nervosa.
    E não adianta falar pra pessoa não fazer isso, pq ela culpa você de não se preocupar.
    -A ideia de dar dinheiro e cuidar burocracia é a melhor, pq o momento é perturbador e as pessoas ficam perdidas. Ou mesmo fazer coisas pequenas como levar comida para pessoa, pagar as contas ou limpar a casa pra ela.

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    • Sim, as pessoas são inacreditáveis. Pode ter alguém em tratamento com o melhor oncologista do país que vão de mandar whatsapp dizendo que tem a “cura do câncer”, mandando tomar dióxido de cloro ou comer graviola.

      E os fdps ainda dizem “tenta, mal não vai fazer” (tem um texto meu aqui só sobre isso). Faz mal sim. Estressa todo mundo e às vezes até mata. Vi a mãe de uma colega de trabalho largar a quimioterapia para curar o câncer comendo graviola. Quimio é algo horrível, pesado, sofrido, quando se apresenta outra saída, a pessoa tem vontade de abraçar na hora. Gente que faz isso deveria responder por homicídio.

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      • Puts, esse da graviola fizeram com a minha sogra, só não lembro se era graviola ou acerola….mas era um negócio assim, uma coisa milagrosa….fora as simpatias e todo tipo de artigo de internet. Foi bem no inicio da quimio do meu sogro, então ela ainda estava bem equilibrada pra dizer que não. Só depois que ele foi piorando que ela resolveu parar de dar notícias.

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        • É foda. A pessoa vê um tratamento devastador, ela acaba querendo acreditar que tem outra opção…

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