Vício amigo.

Podendo escolher, Sally ou Somir jamais gostariam de conviver com viciados, mas o que discutimos hoje não permite essa conveniência. Ambos discordam sobre a legalidade do pior vício para lidar no dia a dia. Os impopulares escolhem sua dosagem.

Tema de hoje: o que é pior, conviver com um viciado em álcool ou um viciado em drogas pesadas?

SOMIR

Detesto bêbados, mas vou ter que ir com usuários de drogas pesadas. Não só a pessoa se torna muito mais perigosa e propensa a problemas gravíssimos de saúde como ela acaba arrastando um mundo horrível para dentro da sua casa. E como faz parte da análise da situação conviver com a pessoa, presume-se que ela seja próxima e que você esteja disposto a lutar pelo bem estar dela com todas suas forças. Não se esqueça dessa condição: você vai ver essa pessoa constantemente e vai sofrer com ela.

Mesmo achando que álcool é o pior vício da humanidade em geral, pela quantidade gigantesca de problemas que gera na sociedade, é uma questão de números: é simplesmente tanta gente viciada que as coisas vão se acumulando até ficarem insuportáveis. Mas, como no campo do indivíduo normalmente a coisa parece mais tranquila de se lidar, a droga é liberada e podemos até fazer campanhas incentivando seu consumo. Como já disse em um texto anterior: se pudesse tirar um vício da humanidade por mágica, escolheria o alcoolismo. Mas se vamos analisar caso a caso, drogas pesadas são muito mais perigosas para indivíduos.

E mesmo não sendo favorável à liberação, eu não vou contar maconha como droga pesada. Ela tem muito mais em comum com o álcool do que qualquer outra das mais pesadas como cocaína, crack, heroína, etc.

Vamos lá: conviver com um viciado em drogas pesadas tem implicações graves. Essas drogas alteram o comportamento da pessoa de uma forma imprevisível. Álcool potencializa comportamentos que já eram da pessoa, drogas pesadas bagunçam as ligações cerebrais de tal forma que podem criar reações completamente irracionais da pessoa. Uma coisa é uma pessoa com sentimentos reprimidos chorando e vomitando no seu banheiro, outra é alguém tentando te acertar com um cano de ferro porque acha que você é um alienígena devorador de pessoas.

O que eu quero dizer aqui: você prefere viver com uma pessoa chata que pode ficar violenta ou com alguém em modo esquizofrênico total? Porque mesmo que a droga seja depressora como a heroína, ainda bagunça a mente de tal forma que pode ativar instintos de defesa e/ou agressão sem nenhuma conexão com a realidade ao seu redor. Alcoólatras violentos tem violência reprimida dentro deles, drogados violentos podem ser monges quando sóbrios. Quando menor o grau de insanidade adicionado pela droga, a tendência é você ficar mais seguro.

Além disso, partimos do princípio que você se importa com a pessoa. Pode ser um cônjuge, um amigo próximo ou um parente. Os malefícios do álcool são reais, mas tendem a ser de longo prazo. Um cirrose é terrível, mas não vem de surpresa como uma overdose. Ter alguém viciado em drogas pesadas por perto é estar constantemente preocupado com quando a pessoa vai se matar por exagerar na dose. É ter que salvá-la da beira da morte só para vê-la tentar de novo. O alcóolatra tende a não emagrecer tanto, não fica cheio de feridas, não parece um zumbi. Prefiro não ver também uma pessoa querida definhando diante dos meus olhos.

E como o alcoólatra não fica tão estragado tão rápido, e como o vício é socialmente aceito e até glorificado por boa parte das pessoas, você pode evitar uma espiral de isolamento que normalmente é fatal para o viciado em drogas pesadas. O bêbado ainda encontra pessoas dispostas a lidar com ele fora você, ainda pode ter algum charme e carisma para encontrar aliados. O drogado “raiz” vai se tornando um pária, cada vez mais focado no seu vício e cada vez mais repulsivo para a sociedade em geral. Ainda dá para dividir um pouco o calvário de lidar com um alcoólatra, mas para o drogado normalmente é só você e mais uma ou outra pessoa muito próxima (vulgo a mãe) que ainda se importa. Nessa vida, tudo fica mais difícil com menos aliados.

O faixa de retorno do alcoólatra é mais generosa. O bêbado ainda consegue voltar depois de décadas, agora, o viciado em crack tem no máximo alguns anos para ser recuperado, senão o cérebro frita. E como o estima sobre o alcoólatra é menor, existem mais serviços e pessoas dispostas a tratar esse vício. Nem que seja para entrar num culto tipo o AA, ainda existem soluções práticas. O viciado em drogas pesadas é visto como lixo da sociedade, então não é sempre que vai encontrar uma boa clínica de reabilitação ou gente realmente capacitada para ajudar.

E isso nos leva ao dinheiro: o vício em álcool pode ser saciado com pinga barata, custos reduzidos por produção legal em escala industrial. Drogas pesadas são caras, muito caras. O drogado vai queimar todas suas reservas financeiras, e quando acabar começar a roubar suas coisas, e quando não puder mais, é muito provável que se volte para o crime. O entorno dessa pessoa fica enfraquecido até na questão financeira: é um vício muito dispendioso. É melhor ter uma reserva financeira para encarar um processo de desintoxicação.

E por fim, o drogado traz para sua vida o mundo da criminalidade. Drogas pesadas são ilegais, e por isso todo seu entorno é perigoso. A última coisa que você quer é trazer esse mundo para dentro da sua casa. Bandidos vão ter um link direto com a sua vida através do viciado. Não existe algo como traficante amigo, não existe paz na vida de quem lida com drogas pesadas. Se tudo correr bem, eventualmente você vai ser ameaçado por causa do seu drogado de estimação. Se algo der errado, você vai virar estatística de crime na próxima edição do jornal. Conselho para a vida: nunca deixe esse mundo cruzar com o seu. Pode ajudar uma pessoa querida, é claro, mas se tiver escolha, sempre corte qualquer relação que envolva trazer traficantes para sua convivência. Acaba mal, acaba muito mal. O alcoólatra no máximo vai ficar com uma conta cara no bar da esquina. Muito mais fácil de resolver.

O ideal é sempre cortar essas pessoas da sua vida, mas se não for uma opção, é bem melhor lidar com alguém que dá tempo de corrigir, que não vai te matar por uma nota de 5 reais, que não vai morrer subitamente na sua sala, ou mesmo que não vai trazer bandidos para sua vida.

Para dizer que sempre quis ter um Pilha na sua vida, para dizer que bebe todos os dias e não é viciado, ou mesmo para dizer que fumante não tem moral para criticar viciado: somir@desfavor.com

SALLY

Com quem é mais difícil de conviver: com um alcoólatra ou com um viciado em drogas pesadas?

Na minha opinião, com um alcoólatra, por incrível que pareça.

Uma pessoa viciada em drogas pesadas já parte de uma reprovação social enorme: isso não se faz, isso é autodestrutivo, isso é crime. Amigos, parentes, colegas… todo mundo vai recriminar, mandar a pessoa se tratar, fazer coro com você que aquilo não é legal. Infelizmente o mesmo não acontece com o álcool no Brasil.

Periga de certas pessoas até estimularem: tem que beber mesmo, para relaxar, para descontrair, para aproveitar a vida. Quem reclama de bebida costuma ser jogado na prateleira dos “chatos”, não de pessoas que estão preocupadas com a saúde dos outros e cobertas de razões para isso. Então, o alcoólatra encontra uma validação para a merda que está fazendo, e a faz com convicção, com ênfase, quase que ostentando.

Um viciado em drogas pesadas não consegue negar o vício, ele vai ter consequências físicas se não usar a droga. É mais perceptível, portanto, mais fácil que a pessoa se dê conta de que está viciada e precisa de tratamento. Não dá para tapar o sol com a peneira. O viciado em álcool pode demorar anos para se dar conta de que está viciado e precisa de ajuda, o que leva a uma longa convivência sofrida até a pessoa se tocar do problema.

O álcool está em todos os lados: nas festas, nos eventos, nos lugares de lazer. Você não tem que subir um morro ou entrar em uma zona perigosa da cidade para conseguir álcool, como acontece com as drogas. Não é crime consumir álcool. Não é caro consumir álcool (ao menos há opções baratas disponíveis). Tudo isso são facilitadores, uma tentação para a pessoa que quer parar de beber. Um alcoólatra será um viciado para sempre, e com sua “droga” amplamente disponível em qualquer esquina.

Chegar bêbado em casa é visto, no máximo, como um evento desagradável (se tanto). Ninguém vai ser preso por isso. A reprovação dentro da própria casa é menor. Muita gente faz, é comum. A sociedade brasileira convencionou que não é algo tão grave assim, certamente sendo menos grave do que chegar sob efeito de uma droga pesada. Portanto, é algo que a pessoa faz sem muito pesar e constrangimento, ignorando todos os riscos nos quais está se colocando, pois tem uma aura de “coisa não tão grave”.

Um viciado em álcool, completamente bêbado, pode oferecer risco para sua vida e para a vida de terceiros, assim como um viciado em drogas. A diferença é que todo o entorno conspira para que ele não pare de beber e para que ele possa ficar em negação sobre seu problema. Isso significa que ele demorará muito mais tempo para procurar ajuda (se procurar) ou para sair da vida da pessoa com a qual está convivendo. Pois é, eles demoram a morrer.

Um viciado em drogas pesadas é difícil de conviver, mas a convivência costuma ser reduzida, pois ou ele morre cedo, ou ele é preso. Então, a vida se encarrega de resolver o problema. O alcoólatra não, ele pode passar 30, 40 anos bebendo e transtornando a vida daqueles que convivem com ele antes da cirrose chegar ou dele acabar engasgado no próprio vômito.

Eu tenho mais simpatia pelo adolescente idiota que experimentou uma droga pesada uma vez por pressão social e se viciou do que pelo imbecil que usou bebida insistentemente como muleta ou fuga até se viciar. O primeiro é um erro pontual, uma falha no discernimento, que qualquer um poderia cometer alguma vez na vida. O segundo mostra uma personalidade fraca, um despreparo emocional para o mundo, uma negação da realidade que devem ser um inferno de conviver, mesmo com a pessoa sóbria. Deus me livre ao quadrado de gente assim!

O drogado tende a andar com criminosos, troca os eletrodomésticos da sua casa por drogas e some por dias? Sim. Nada disso é agradável e a convivência é realmente muito difícil. Mas o problema está exposto, está escancarado, está inegável. Quando se joga luz no problema, quando se sabe muito bem onde ele está, é meio caminho andado. Não que eu ache fácil tratar o vício em drogas, definitivamente não é. Mas ao menos a cabeça de quem convive com o viciado tem a certeza interna de que o que ele está fazendo é muito errado. Não é exagero da pessoa, não é histeria, há um problema ali.

Já quem convive com um alcoólatra não tem essa paz de espírito, essa convicção de que o outro tem um problema. Ao menos não no Brasil. Para que, aos olhos da sociedade seja claro que a pessoa tem um problema com álcool, a coisa tem que chegar num ponto que quem convive já aturou toneladas de merda. É um caminho mais lento e com menos validação do sofrimento. Não raro o bêbado convence as pessoas de que elas estão exagerando, que não há perigo algum naquilo e que estão vendo um problema onde não existe. Negadores negarão.

Uma mãe que tem um filho drogado recebe amparo de todos: é uma tragédia na família para a qual pessoas normais estendem a mão, lamentam, ajudam. Uma mãe que tem um filho alcoólatra periga de ver a opinião pública contra ela, seja dizendo que ela está exagerando, seja dizendo que o filho é um vagabundo que só quer saber de bar. O acolhimento para os que convivem com um drogado é maior e isso é de grande ajuda para a pessoa.

Há um limite do que o corpo de uma pessoa pode suportar em matéria de drogas pesadas. Não é viável ficar drogado o dia inteiro por anos. Já o alcoólatra pode se manter bêbado o tempo todo, por muitos e muitos anos. O estresse é permanente e a pessoa bêbada fica barulhenta, sem noção e colocando em risco sua vida e a vida das demais pessoas na casa. É como ter que cuidar 24h por dia de um bebê gigante que pode botar fogo em tudo.

O viciado em drogas pesadas geralmente tenta esconder o que está fazendo, justamente pela questão da alta reprovabilidade social e por ser um crime. Se alguém perceber, ele pode ser preso, portanto, melhor não chamar muito a atenção e tentar não arrumar problema. O alcoólatra não. Em um país onde é ok dizer rindo que bebeu tanto que nem lembra como chegou em casa, bêbado pode cantar, dançar e pular com a garrafa na mão. Bêbados são barulhentos, sem noção e sem filtro.

Eu não tenho dúvidas que as drogas pesadas são mais nocivas para o organismo de quem as utiliza, mas, no quesito convivência, os drogados estão sempre com uma faca no pescoço: podem ser presos a qualquer momento caso se excedam e causem maiores problemas. O bêbado não tem esse freio, o que torna o mais insuportável de todos.

Para dizer que insuportável é ficar sóbrio, para dizer que é um inferno conviver com ambos ou ainda para dizer que pior é conviver com adolescentes: sally@desfavor.com

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Comentários (15)

  • Fico pensando no quanto minha familia numerosa (mais de 60 primos muito unidos) contribuiu para os alcoólatras, diabéticos, fumantes e outros vícios na família, porque os poucos que se enfiaram nas drogas ou morreram logo ou foram enquadrados rapidamente pela cadeia ou por nós mesmos…

    Isso porque quem morreu ou ficou incapacitado pelo alcoolismo foi por conta de anos de desincentivo dos parentes ao redor inconsequentes que bebiam todas toda a semana.

    Ou mesmo por tabagismo, diabetes…os que morreram com órģãos amputados (ou de câncer, enfizema) o fizeram cercados de parentes cuja maior alegria é se reunir para encher o cu de bebida, massas e doces, e fuma(va)m sem parar há décadas…isso sem falar na cegueira por conta da diabetes. Para nós, não caia a ficha, pois sobrava pra família de cada azarado cuidar mesmo…e quando pensam no assunto, os primos e tios falam do que os espera como algo irreversível, para no segundo seguinte encher o rabo de lixo…(alguns são profissionais de saúde!).

    Essa estória da Vani me abriu os olhos. Causei o vício diretamente em alguém? Não. Propiciei o ambiente para o vício dos outros prosperar? Certamente…e sem se dar conta do estrago nas pessoas próximas, que sofrem junto e/ou, pior, perpetuam os vícios.

    • É o grande perigo: quando um vício não é socialmente repudiado com firmeza, ele se torna muito mais perigoso e perpetrável.

  • Preguiça do anônimo esquentado aí de cima…
    Sabe, eu posso estar enganada (tirando o fato de entender a mecânica da coluna, tá) mas estamos trabalhando um erro de premissa: vício, não importa se a droga é legal, ilegal, compras, jogo, pornografia… O mecanismo do vício é o mesmo, manifestado de formas diferentes. Se a pessoa perde o controle, ela acaba com a vida, simples assim. Não é porquê nem todas as pessoas reagem da forma “acabando com a vida” que é menos vício. E alegar “eu sei, eu vi” não faz diferença, referência anedótica não conta.
    Não é um campeonato de sofrimento, tá, mas sou filha de alcoólatra e a maior dificuldade que encontro é ter nossa dor respeitada. Ninguém vê essa merda como vício. Meu pai bebeu a vida inteira, até se matar com 44 anos. Deixando, além de esposa, uma filha de 19 anos e dois filhos de 16 e 4 anos, respectivamente. A vida inteira, formos a família doente de um viciado, com tudo que isso carrega. A vida inteira escutando que todo mundo bebe e o caralho a quatro mas eu via meu pai, eu via os outros, e eu via que o abismo tava mais perto ali de mim. A vida inteira sem estabilidade emocional, sem paz. Até que um dia, depois de anos ameaçando, ele não aguentou e se enforcou. Dói você olhar pra trás e perceber por A+B que, com todas as dificuldades, com toda a dor pela pessoa que morreu, o ambiente da casa com o tempo ficou melhor. Porque não tinha o foco de doença, adoecendo todo o resto. Isso dói tanto quanto a falta dele, que vive com a gente já há mais de 20 anos. Eu desde pequena pensava que precisava crescer pra cuidar do meu pai, que era frágil demais pra esse mundo. Mas não tive esse tempo. Isso é preocupação pra uma criança de 8 anos ter na cabeça? Pergunte a quem passa apuro com pai, mãe, irmão, alguém dentro de casa com alcoolismo, desde quando essa pessoa se preocupa por essa outra? Eu te digo: desde sempre. E isso é o inferno!
    Estatísticamente, falando de Brasil, e não negando o horror dos viciados em qualquer tipo de drogas, o número de viciados em drogas ilegais é muitíssimo menor. Agora, pega as estatísticas de mortes associadas ao álcool. Lembra que pra cada alcoólatra nós somos mais 3 0u 4 ou 5 pessoas na mesma casa, sofrendo. É uma merda. No meu caso, ainda somos de cidade pequena, ficamos marcados, tem isso também. Saí de lá, não sou “a filha do fulano, suicida”. Mas minha mãe ainda mora lá, então, sempre preciso voltar e revisitar tudo isso, por mais que eu queira esquecer.
    3 anos atrás meu irmão mais novo se envolveu com drogas, foi aviãozinho do tráfico na cidade. Foi preso, porque irritava muita gente. Levamos 22 dias pra tirá-lo do presídio. Ele responde a processo atualmente, voltou a trabalhar, não usa mais heroína. Da leva dele, uns 16 meninos estão presos, 2 morreram. Fomos do céu ao inferno em poucos meses. Aterrorizamos ele continuamente pra ele não andar fora da lei de novo e não ser preso novamente (caso aconteça, ficará preso, pois não temos mais dinheiro). Sei que muitos meninos se enrolam no mundo do crime ou ficam nessa a vida toda, ou morrem cedo. Meu sofrimento com o meu irmão durou pouco. Tá vivo e tem saúde. Meu pai, o álcool levou pra nunca mais mesmo. Sem chance nenhuma de fazer nada.
    O buraco é sempre muito mais embaixo. Obrigada, Sally. Posso não estar concatenando bem as ideias, me desculpem, to desde o dia que o texto foi lançado tentando escrever essa mensagem, mas não consigo fazer nada melhor que isso agora.

  • Tema complicado esse de hoje que noss… Ambos são terríveis de vivênciar, mas, partindo de uma experiência própria que eu tive com um relacionamento, diria que o pior são as drogas.

    Claro, alcoolizado dá trabalho também, a depender do estado, mas ver quem tu gosta se desgastar e ter problemas sérios numa cama de hospital por causa de overdose, olha… Isso dói!

    E daí tem aquela questão também: tu pode implorar pra que a pessoa pare, tentar forçadamente desintoxica-la, mas… Se ela não quer, não há o que fazer, e daí a solução mesmo é deixar a pessoa se fuder e partir pra outra, o que também dói.

  • Alcoolismo.

    Tive uma experiência bem ruim na infância.

    Quando tinha 8 anos, fomos meus pais e eu passar um final de semana com meu avô, TODOS sabiam que meu avo enchia pote, porém NUNCA na rua ou fora de casa. Um belo dia, meu avô me levou em um jogo de futebol dos amigos do bairro dele, na volta para casa ele parou em um bar e acabou bebendo demais. Ele veio uma boa parte do caminho cambaleando, comigo na mão até que caiu e desmaiou. Como sempre prestei atenção nos caminhos quando saia de casa consegui voltar e chamar o meu pai ir lá buscar o meu avô, enquanto minha mãe fazia um curativo no meu rosto, pois ainda fui atacado por um galo no caminho. NUNCA tive raiva do meu avô, ele morreu 5 anos depois com câncer no intestino e cirrose, até pelo fato de ser ainda “pequeno” mas eu mesmo evito ao máximo beber, sei o que uma pessoa bêbada pode fazer…

  • Na condição de quem já conviveu com um destes lados foi bem difícil escolher, pois ambos são terríveis, mas a Sally me ganhou com este argumento:

    “Um viciado em drogas pesadas é difícil de conviver, mas a convivência costuma ser reduzida, pois ou ele morre cedo, ou ele é preso. Então, a vida se encarrega de resolver o problema. O alcoólatra não, ele pode passar 30, 40 anos bebendo e transtornando a vida daqueles que convivem com ele antes da cirrose chegar ou dele acabar engasgado no próprio vômito.”

    Sim, como ressaltou o Somir, sei que estamos falando de alguém com quem nos importamos e amamos. Acontece que, se você tem um pouco de apoio emocional profissional, você mantém/desenvolve amor próprio suficiente para, um dia, querer que a pessoa se vá para que você pare de pagar pelas escolhas alheias erradas. Conviver com alguém assim te faz perder o respeito e o amor pela pessoa. Ouso dizer que quem não perde, ainda está em negação ou tem ganho secundário. Spoiler para quem convive com alcoolista: eles não viram seres de luz após descobrirem a cirrose, às vezes ficam muito piores. Esclarecimento para a pessoa que se sentiu ofendida em um dos comentários: o dano “conta-gotas” que um alcoolista provoca em seus familiares durante 40, 50, 60 anos de sua vida bebendo também é avassalador – lembrando que não é competição para ver quem sofre mais, cada um sabe o quanto dói seu calo.

  • Imagino que os casos em que o problema é o alcoolismo sejam muito mais freqüentes, mas em matéria de efeitos colaterais para o drogado e sua família, as drogas pesadas ganham de longe. Podem se considerar sortudos se o dano for puramente financeiro – e não será um dano pequeno, porque quem usa drogas pesadas representa um risco gravíssimo à integridade das pessoas que o rodeiam e esse risco é em tempo integral, já que o frenesi pode ser causado como efeito da droga ou de sua abstinência. E as ações do drogado podem ser indizíveis… lembro de um caso no interior de São Paulo em que um drogado estuprou e matou a própria mãe, e depois ainda esquartejou o corpo e o escondeu numa geladeira.

  • Sally, achei o seu texto simplesmente ofensivo. Acredito que todos os que já conviveram com um viciado em casa também acharão. Não sei o motivo de vc ter escrito esse texto. Mas mesmo que você tenha passado essa situação em casa com um alcoólatra, saiba que seria pior vê-lo se acabar de verdade e virar outro ser por causa das drogas. Não há comparação entre situações desse nível. O pior e mais agressivo alcoólatra ainda é leve perto de um viciado em crack. Viciados são mais agressivos, destrutivos e quase nunca têm recuperação. Um drogado destrói a vida de uma família inteira. Um irmão que mora com a mãe destrói a vida de 4 irmãos, mesmo que casados. Destrói a vida dos sobrinhos – nem vou citar os filhos que às vezes existem. Nem vou citar as mulheres que se prostituem em ruas imundas e que têm mãe, pai e etc. Além de tudo, tem outro componente que você nem pensou. A culpa. Pense na culpa que os pais invariavelmente sentem com um filho drogado. Compare isso com o caso do álcool. Enfim, costumo ser um leitor assíduo, embora silencioso. Mas tinha de dar esse toque. Foi muito ofensivo para quem tem esse problema mais próximo à sua realidade. Uma última coisa. Quem ama não torce para a outra pessoa “morrer logo”. Uma das vantagens citadas na sua “argumentação”, na verdade é uma desvantagem. Abraço.

    • Essa é SUA opinião.

      A MINHA opinião é diferente da sua. Uma pena que você ache diferença de pensamento ofensivo, provavelmente seu lugar não é o Desfavor, todos os textos aqui são assim.

      • Leio você há dez anos. Os seus textos em geral não são assim. Você tem as suas opiniões controversas, mas geralmente tenta embasa-las com fatos ou com a sua vivência. Dessa vez me parece que você quis simplesmente causar. Enfim, é isso. Imagine-se reconfortando a mãe de um viciado dizendo assim: “podia ser pior, ele podia ser alcoólatra”. O texto pode até não ser ofensivo, eu posso ter achado, mas vim ao seu espaço ler. Ok. Mas é completamente despropositado. Me parece que você quis atingir o seu alcoólatra de estimação e nunca vivenciou nem de perto a penúria com um drogado.

        • Nossa, doeu muito em você não?

          Geralmente isso acontece quando a pessoa deixa de fazer a leitura normal de um texto e começa a levar pro pessoal.

          Conta aqui pra gente, quem é o alcoolatra da sua família? Papai? Filhão?

          • Não precisa aprovar o comentário. Pra você saber, faço trabalho voluntário com viciados e ex-viciados. Álcool e outras drogas. Textos cheios de falsa informação e preconceitos são contraproducentes. O seu maiores enganos são: “Eu tenho mais simpatia pelo adolescente idiota que experimentou uma droga pesada uma vez por pressão social e se viciou”. Essa é uma mentira. A pessoa quando se vicia, mesmo em drogas pesadas busca fuga da realidade. “Uma mãe que tem um filho drogado recebe amparo de todos”. Receber a pena ou a compaixão das pessoas é diferente de receber amparo. Os pais ou as conexões familiares de drogados sofrem sozinhos. Na verdade até os amigos deles se afastam porque fulano é pai “daquele elemento”. Além dessas falas existem outros problemas, que não vou enumerar. De fato, de início, minha reação foi exagerada pelo fato de eu ter envolvimento com o tema. Mesmo assim, reitero, dentre as coisas que você competentemente escreve, esse certamente é um ponto fora da curva. Abraço.

            • Não é informação, é a MINHA opinião. Se ela não condiz com o que VOCÊ acredita ser bom, verdadeiro ou correto, paciência. Vir aqui deixar trocentos comentários querendo que eu não expresse a MINHA opinião no MEU blog é extremamente infantil. Não gosta? Não leia. A minha opinião eu continuarei dando, concordando/gostando/querendo você ou não.

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