Agatha Christie

Será que devemos esperar que a sociedade permita o empoderamento feminino? Ou quem quer vai lá e faz? Hoje muitas mulheres choramingam sobre falta de oportunidade, enquanto que no século passado ela conseguiu se destacar e ser reconhecida como a melhor no que fazia, à frente de todos os homens do mundo. Uma mulher notável, que quebrou várias barreiras no seu tempo e com uma história de vida muito interessante que vale a pena ser contada. Desfavor Explica: Agatha Christie

Agatha Mary Clarissa Christie nasceu na Inglaterra, filha de americanos com boa situação financeira. Foi educada em casa, com professores particulares e só na adolescência frequentou uma escola. Vocês devem imaginar que mulheres não dispunham de muito prestígio e voz naqueles tempos, mas, mesmo assim, Agatha conseguiu se destacar de tal forma que até hoje mais ninguém, homem ou mulher, atingiram sua marca.

Segundo o Guiness Book, suas obras venderam cerca de quatro bilhões de cópias. Isso a coloca como a romancista mais bem sucedida da história e, na categoria de autor mais publicado de todos os temos, como terceira colocada, perdendo apenas para a Bíblia e para William Shakespeare. Um feito e tanto para uma mulher nascida em 1890.

Casou-se com 24 anos, em 1914, idade que ainda hoje é considerada tardia em muitas culturas. Seu marido foi convocado para a guerra e, enquanto isso, ela optou por trabalhar como enfermeira em um hospital e depois em uma farmácia, o que lhe deu bagagem para escrever com propriedade em seus livros, principalmente nos casos de assassinato por envenenamento. Apenas cinco anos depois de casada, teve uma filha. Em 1926 ela se divorcia do marido. Isso mesmo, 1926, divórcio, “mãe solteira”. E virou uma mulher muito bem sucedida.

Não teve um começo de carreira fácil como escritora. Seu primeiro livro nasce em 1916, graças a um desafio lançado pela sua irmã. Agatha confessou que tinha vontade de escrever um romance policial e a irmã riu e duvidou que ela fosse capaz. Movida por esse desafio, ela escreveu o livro, mas ele só foi publicado em 1920, depois de ser rejeitado por seis editoras, em uma época onde não havia a abundância de oportunidades dos dias de hoje.

O grande marco na sua carreira foi a publicação do livro “O Assassinato de Roger Ackroyd”, onde ela transgrediu uma regra vigente dos romances policiais: pela primeira vez o narrador da história era o vilão. Dali para frente ela inovou no gênero policial, criando finais sempre surpreendentes que quebravam o padrão convencional da época.

Em 1926, seu marido lhe disse estar apaixonado por outra. O que seria tolerado por muita mulher na época, e até mesmo nos dias de hoje, foi repudiado por Agatha. Em vez de “lutar” por seu casamento, ela fez as malas e, além de sair de casa, desapareceu do mapa. Seu carro foi encontrado batido contra uma árvore, com faróis acesos, com pertences seus do lado de dentro. A polícia começou a investigar o caso, que foi um escândalo na época, pois a autora já era relativamente famosa. Uma forte pressão para desvendar o mistério do seu desaparecimento fez a polícia trabalhar incessantemente, pois temiam parecer incompetentes. O caso caiu na boca do povo e causou comoção pública, durante dez dias não se falou em outra coisa.

Começaram buscas, mobilizando a polícia, que chegou a oferecer uma recompensa em dinheiro para quem tivesse notícias dela. Antes de desaparecer, ela deixa “encontrável” desabafo por escrito detonando seu marido. A polícia imediatamente começou a desconfiar de seu marido, ao descobrir tudo sobre a amante e o futuro divórcio. Foi a primeira vez na história em que a Inglaterra usou aviões para procurar uma pessoa desaparecida. Mergulhadores também foram acionados. Ao todo, cerca de 15 mil pessoas, incluindo voluntários, passaram dias procurando por ela.

Até famosos se aventuraram na busca por Agatha. Arthur Conan Doyle, o criador de Sherlock Homes, estava determinado a encontra-la. Além de seguir as pistas racionalmente e formular teorias para ajudar a polícia, também apelou para o sobrenatural. Ele era adepto do espiritismo e chegou a levar luvas encontradas no carro para um médium, na tentativa de obter alguma resposta. Obviamente, não deu certo.

Onze dias depois, ela foi reconhecida em um hotel de luxo. E não pensem que ela estava deprimida chorando em um quarto. Foi vista foi vista dançando, jogando bridge, fazendo palavras cruzadas e lendo jornais, numa boa, se divertindo. Para completar, se hospedou com um nome falso, usando o sobrenome da amante do marido. Agatha, essa fanfarrona. Foi vista inclusive subindo ao palco e cantando. Só descoberta porque um hóspede (um dos músicos da banda com a qual ela cantou!) estava de olho na recompensa em dinheiro oferecida para quem desse informações sobre seu paradeiro.

Até hoje se discute o que aconteceu nesse desaparecimento: há quem diga que foi uma jogada de marketing para promover o lançamento de seu livro “O Assassinato de Roger Ackroyd”, que de fato virou best seller, há quem diga que era um plano dela para simular o próprio assassinato e incriminar o marido traidor e há quem diga que ela sofreu um acidente de carro e perdeu a memória, sendo esta última pouco provável, já que a pessoa que a encontrou a abordou por seu nome real e ela respondeu.

Anos depois, ela se casou com outro homem. Não bastasse ser um segundo casamento, o que já geraria polêmica na época, ela ainda escolheu um rapaz 14 anos mais jovem do que ela. Calma que tem mais: se recusou a adotar o nome do marido, pois já era conhecida por seu nome anterior. Tudo isso já não soa muito comum hoje em dia, na época então, era quase que impensado.

O rapaz trabalhava com arqueologia e ela ficou fascinada pelo assunto. Viajou o mundo todo com ele, acompanhando seu trabalho e adquiriu mais conhecimento para usar em seus livros. Em 1930 ela lança seu maior sucesso, o livro “Assassinato no Expresso do Oriente”, talvez seu livro com o final mais surpreendente. Só no ano do lançamento, livro vendeu 3 milhões de cópias.

Apesar de serem obras de ficção, seus livros sempre partiram de experiências reais da autoria. Por exemplo, o livro “Assassinato no Expresso do Oriente” surgiu depois que Agatha ficou presa na neve dentro deste trem com outros passageiros, neste mesmo trajeto. No livro, adivinha, um grupo de pessoas fica preso no trem por causa da neve. A maior parte das suas obras também tem um médico ou fatos médicos relevantes, influência dos tempos onde aturou nessa área e não raro usa cenários onde ela viveu ou viajou. Agatha partia da realidade e a partir dela criava ficção.

Agatha escreveu mais de 80 livros, muitos sucessos de vendas até hoje. Seu diferencial foi inovar nos romances policiais, criando desfechos inesperados e imprevisíveis. Mais: ela sempre fez questão de frisar a importância de jogar limpo com seus leitores. Em cada livro seu, o mistério só era solucionado depois que ela se assegurava de que o leitor tinha todas as informações necessárias para matar a charada. Ela fazia questão disso e chegava até a recriminar os leitores quando eles não conseguiam solucionar o mistério, apontando como ela deu todas as pistas necessárias. Ela não detém apenas o recorde de autoria mais vendida do mundo, ela também tem o livro mais espesso do mundo, com mais de 30cm (cerca de 4032 páginas) e a peça teatral de maior duração em cartaz do mundo, “The Mousetrap”, que estreou em 25 de novembro de 1952 e até hoje continua em cartaz.

Mesmo sem ter frequentado uma escola como seus irmãos, ela adquiriu muito conhecimento na infância com a ajuda de sua mãe, que lia muitos livros para a filha. Agatha credita sua boa escrita ao grande numero de livros que teve acesso na infância. Como costuma acontecer com pessoas notáveis, ela conta que sua escrita era fruto da influência destes tantos livros da infância mas também de sua observação: onde ia, ela levava um caderninho para anotar fatos ou dados curioso que lhe chamassem a atenção, desde crimes, curiosidades e até venenos. Ela era escritora até nas suas horas livres, estava sempre com a cabeça aberta a procura de material para seus livros. Além de tudo, tinha uma visão social apurada. Criticava o fato das pessoas se preocuparem mais com os culpados dos assassinatos do que com as vítimas, por exemplo.

Escrevia com facilidade, chegou a escrever um livro em apenas três dias. Também escrevia em qualquer lugar, tudo que precisava era de uma mesa e uma máquina de escrever. Muitos de seus livros foram escritos enquanto acompanhava seu segundo marido em viagens pelo mundo. Também era capaz de variar gêneros. Além dos romances policiais, pelos quais ficou famosa, ela escrevia romances não policiais, poesias e livros infantis. Também escrevia roteiros de peças teatrais e chegou a escrever duas autobiografias.

Agatha Christie morreu com 85 anos, de pneumonia. Antes de morrer recebeu vários títulos como Doutora Honoris Causa em letras e Dama no Império Britânico, conferido pela Rainha Elizabeth II, fã de seus livros, entre muitos outros. Era uma mulher a frente do seu tempo que conseguiu abrir espaço mesmo sem educação formal e ocupar o topo de uma carreira intelectual.
Um exemplo do que o mundo precisa: mulheres que façam, mulheres que mudem a história de dentro para fora, em vez de ficar reclamando e pedindo empoderamento de fora para dentro. Uma mente brilhante que criou mistérios difíceis de desvendar mesmo cem anos depois. O mundo precisa de mais mulheres como Agatha Christie.

Para dizer que mesmo em 2016 você não teria coragem de fazer metade das coisas que essa mulher fez cem anos atrás, para perceber que se era possível naquela época é perfeitamente possível hoje ou ainda para reclamar que eu dei spoiler de um livro com quase cem anos de idade: sally@desfavor.com

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Comments (35)

  • Li alguns livros dela. O último foi uma autobiografia. ..Excelente! Ela conta que criava os diálogos andando ao ar livre…Falando sozinha…Muito interessante!

    Interessante também é a sua biografia, Sally! Eu ia chamar de mini biografia, mas não tive coragem! Você sintetizou a vida dela e focou num tema tão atual.
    Muitos dados sobre ela eu só obtive aqui, por exemplo, que ela escrevia livros infantis e peças teatrais.

    Morena Flor, amei o seu comentário (acho que o primeiro) que desconstrói a idéia de que a retirada dos sutiens foi um marco, e que a história está sendo contada errada. Um daqueles comentários reveladores, que mostram “o
    que existe por tras disto” e fazem refletir.

    Enfim, Agatha Cristie sempre será uma de minhas favoritas, mas somente aqui no Desfavor (pra variar ) eu descubro que ela foi um grande exemplo de mulher!

  • Sally, às vezes acho que conversamos nos sonhos, porque desde que as mulheres começaram a gritar aos quatro ventos essas coisas de empoderamento, feminismo e direitos eu tenho vários papos com meu namorado e conhecidos sobre o quão é idiota ficar exigindo sem ir lá e fazer por onde.

    Se não tem mulheres trabalhando em algum setor, já parou para pensar que pode ser porque não encontraram mulheres qualificadas? Não quer dizer que nos perseguem.

    Podemos dar N exemplos de mulheres que cagaram para a sociedade, foram lá e fizeram algo notório que gerou respeito e reconhecimento da sociedade. Se deram aa chance de ter ATITUTE, coisa que muita mulherzinha MIMIMI de Facebook e twitter não tem.

    • Mulher ainda prioriza marido e filhos. Não que seja errado… cada um prioriza o que quer. Mas, uma pessoa que prioriza familia nunca vai ser tão boa no trabalho quanto a que prioriza o trabalho!

  • Ainda uma de minhas autoras prediletas sempre procuro por ela quando esbarro em algum sebo, adoro o vocabulário das edições mais antigas.
    Apesar de já existir o filme Assassinato no Expresso do Oriente (uma péssima adaptação) espero que Hollywood continue longe das obras dela iam colocar um Jack Black da vida como Poirot, não gosto nem de imaginar.

      • (…) Medo !

        (…) um Jack Black da vida como Poirot, não gosto nem de imaginar.

        Eu ainda conseguiria assistir dele (e o Seann William Scott ), mas jamais nisso; que (nunca) nenhum tenha (ainda) mais contatos a esse ponto !

      • Tenho vontade de viver em St. Mary Mead, ou na Inglaterra de décadas passadas, e de viajar de trem, cada vez que (re)leio um livro dela. Em novembro deste ano, está para sair mais uma adaptação de Assassinato no Expresso do Oriente, mas calma que o Poirot será interpretado por Kenneth Branagh (parei de ir ao cinema, mas esse filme eu quero ver).

  • Ah, e outra coisa, Sally: Criança ser educada academicamente em casa era super comum entre famílias ricas, e isto, pelo que já li, independia de sexo. Muitos nobres da época eram educados assim, depois entravam numa escola pública de seus países (o que ocorria na adolescência, como no caso da Christie). Também isso aí cai um mito (criado pela educação que visa vitimização): De que mulher era SEMPRE menos educada do que o homem. De fato, em alguns lugares era assim, mas em país europeu, por exemplo, os nobres e as nobres recebiam praticamente o mesmo tipo de educação (tanto que muitas mulheres da nobreza se tornaram escritoras e artistas): Primeiro em casa, com tutores, depois na escola, com professores. Também é importante observar que muita mulher já no tempo dela tinha emprego: Enfermeira, professora, médica, dentre outros (até na minha atrasada Bahia, no tempo da Christie, teve médicA que revolucionou inclusive o tratamento para doentes mentais!). De novo, concordo com vc: Quem quer, faz, ao invés de ficar de mimimi (pior, de mimimi por algo pelo qual nunca passou na vida).

    • Os irmãos dela foram ao colégio, ela foi educada em casa. Veja quem se saiu melhor…

      É só não deixar que a desigualdade te paralise, né?

      • ISSO! Esse é o ponto! Até porque, não existia uma proibição legal para mulheres estudarem, o que existia era uma pressão social maior para que elas priorizassem casamento e filho em detrimento à própria educação e busca por uma carreira fora do lar (algo que funciona em países atrasados como o Brasil, por exemplo). No mais, era aquele esquema, quem corria atrás, conseguia, o que aconteceu com ela e muitas outras. A história é essa mesma, não deixar as circunstâncias paralisarem os objetivos, fazer mais e mimimi de menos. Adorei sua abordagem por isso, pois era assim que as mulheres de destaque trabalharam – sendo que umas enfrentaram mais resistência e outras menos, dependia do ambiente em que viviam ou foram educadas.

        • Um exemplo anterior que encaixa nessa descrição é o de Abigail Adams, esposa do primeiro vice-presidente e segundo presidente norte-americano John Adams. Também foi educada em casa, mas se serviu da vasta biblioteca que o pai tinha, como complemento à educação contratada para ensiná-la em casa.

          Assim, Abigail era quem revisava os discursos e minutas do marido, político e advogado, e, ao mesmo tempo que teve que tirar do solo a subsistência da família enquanto Adams se ausentava por anos e anos pela causa da independência, também ensinava aos filhos em casa.

          Deve ter feito um bom trabalho, afinal um de seus filhos, John Quincy Adams, também foi presidente.

  • Poxa, Sally, adorei esse texto sobre Agatha Christie :) Isso sim é exemplo de mulher!

    E veja que o exemplo dela não era nenhum pouco incomum: Antes dela, já teve Jane Austen (também inglesa), as irmãs Brontë (americanas), Aurore Dupin (a George Sand, namorada do famoso Chopin), e muitas e muitas outras. E isso se repete na música (minha área hahaha), na pintura, e outras artes também. São tantos, são tantas “exceções” que praticamente formam uma segunda regra. A questão é que temos uma visão muito fechada a respeito do passado histórico – em parte, por causa desta forma marxista aplicada ao ensino de história, que vê tudo como uma eterna “luta de classes” e, por conseguinte, sonega informações aos estudantes em nome da propaganda ideológica. Com as mulheres acontece assim: Sonegam informações sobre mulheres como Agatha Christie, tomam o exemplo de umas poucas, embalado com esta lógica do “empoderamento” enviesado, para propaganda ideológica, (como se antes do feminismo queima sutiã mulher não trabalhasse fora nem fizesse carreira fora do lar), e pronto, forma-se uma geração de moças com baixa auto estima por serem mulheres, já que na história não teriam tantas representantes femininas de destaque. Daí, vendem o “empoderamento” de viés esquerdista como solução, e isso é o que temos hoje. Daí, quando meninas educadas assim se deparam com mais e mais mulheres de destaque do passado, de 200, 300, 500 anos atrás que elas sequer sabiam que existiram, ficam com cara de paisagem… E quanto mais se estuda, mais dessa mulherada se encontra (eu, por exemplo, sou musicista – pianista e cantora lírica – fiquei na maior cara de paisagem quando descobri o catatau de compositora que não tinha descoberto antes, e são maravilhosas, que nunca tinham me contado). Assim, em nome de uma ideologia estúpida e de uma forma igualmente estúpida de ver a luta das mulheres, tal plano de ensino e seus promotores se tornam mais machistas do que a própria turma da época destas mulheres, pois elas foram reconhecidas no tempo delas, mas hoje são ignoradas, em nome da sonegação de informação no intuito de passar a imagem de que “antes das feministas queimarem o sutiã, a mulher não era nada, depois disso, puffff, as mulheres podem tudo”. Na verdade, sempre puderam… Esta e outras pioneiras são uma prova cabal disto, por isso são exemplos insuperáveis de como se faz renome, de como se conquista um espaço na sociedade.

      • Muito obrigada, W.O.J :)

        Há tempos eu reflito sobre isso, do uso do ensino errado da história humana em nome de inferiorização com intuito de vitimização e no final das contas, da propaganda ideológica, como se a luta das mulheres precisasse ser daquela forma, com aquela cara, com aquela ideologia. Troque mulheres por negros e a coisa praticamente se repete. O que estes promotores de “coletivos” não entendem é que a luta de cada um dos indivíduos acaba fazendo muito mais diferença do que ideologias e politicagens e isto deixa muitos deles bem putinhos da vida. O indivíduo tem poder… Agatha Christie é um grande exemplo disto, e existem muitos e muitos outros.

    • Faz anos que não, nem sei se a conta está ativa… Se quiser falar comigo deixa um comentário aqui com um aviso para não aprovar antes que eu respondo apagando sua pergunta

  • Eu já li vários livros dela e não teve nenhum que eu não gostei. Mas ainda não tinha parado pra ver sua história (eu geralmente não procuro sobre a vida de famosos que eu curto).
    É um ótimo exemplo de que não basta só querer. Tem que fazer acontecer.

  • Acho que li todos os livros (policiais) dela quando estava na 6a ou 7a série!
    Hoje em dia sempre releio um ou outro, e sempre me surpreendo com detalhes que passaram batido das primeiras vezes!
    Meu livro favorito, disparado, é “O Caso dos Dez Negrinhos” (que mudou de nome por causa do politicamente correto).

    Já conhecia a história, porque ela é minha autora favorita de todos os tempos! Mas fico feliz de você ter exposto pra todos os Impopulares essa história fantástica!!

    • O meu favorito também é. Apesar de dizerem que o final mais inesperado é o “Assassinato no Expresso Oriente”, eu achei o final do “O caso dos dez negrinhos” o mais inesperado de todos!

  • Adorei.. Não sabia quase nada sobre ela, embora adore seus livros.

    A série espanhola “Grande Hotel” foi inspirada nos contos dela. Inclusive a homenagearam em alguns capítulos, onde uma atriz fez o papel dela como hóspede do Grande Hotel…

  • NÃO ACREDITO!!! Peguei ontem emprestado um livro de autoria dela, e quando acessei a net agora pra ver as referências, já abri a aba do desfavor (rotina), e me deparo com este título.
    Obrigada Sally!

  • OFF

    Tá rolando no facebook a história que vou colar abaixo. Logo me veio vc na cabeça, acho que daria um bom tema. Precisamos divulgar que isso acontece diariamente nos aeroportos brasileiros…

    Queridos amigos,
    Essa senhora da foto se chama Maria Lucia Lima Barros.
    Ela é auditora fiscal e atua na alfândega do aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro.
    Neste último sábado, dia 24 de setembro, retornei de uma viagem de 2 semanas para a Índia com a minha avó, de 86 anos, que chegou de cadeiras de rodas e passando muito mal depois de 14 horas de vôo.
    Fomos paradas na alfândega e pediram para abrir as nossas bagagens. Abrimos, sem qualquer hesitação. Ocorre que, durante quase 4 horas, sofremos um verdadeiro terror psicológico por parte desta senhora, Maria Lucia.
    Em total desrespeito a mim e à minha avó, idosa, ouvimos todos os tipos de deboches, grosserias e sarcasmos. A servidora passeava de um lado para o outro, conversando com várias pessoas, muitas vezes rindo e tudo parecia fazer parte do seu “show”.
    E, o que é pior: passadas 4 horas de evidente assédio moral – que pareceram uma eternidade –, a auditora fiscal sequer conseguiu concluir o seu trabalho, alegando que ainda precisaria de muito tempo para firmar a sua convicção e apontar os valores eventualmente devidos.
    Foi, então, que, com o intuito de dar um basta à situação, resolvi ir embora, deixando os objetos que tinha comprado. Maria Lúcia lavrou um termo de retenção (nulo, sob o ponto de vista jurídico, já que sequer elencava quantidade e qualidade dos itens). Se recusou a me informar o seu sobrenome, limitando-se a apor o número de sua matrícula. E disse que voltasse no plantão dela para recuperar os meus pertences! Mais um absurdo porque não se trata de um ato personalíssimo…
    Minha avó, senhora de idade, não queria ir embora sem suas coisas. E, mais uma vez, Maria Lucia veio com um tom irônico alegando que, para tanto, levaria ainda muito mais tempo… Cinco minutos depois, apareceu com um DARF no valor de 1500 reais, sem nenhuma fundamentação! Minha avó ficou indignada, mas, mesmo assim, preferiu pagar, acabando com aquele sofrimento e levando as coisas dela para casa.
    Mas, o que mais me impressionou durante toda essa saga foi que todos os servidores públicos presentes na ocasião me pediam para permanecer calma e me falavam que essa conduta dela era recorrente. E que, a cada vôo, um passageiro era eleito e assediado por ela.
    Hoje, retornei ao aeroporto, falei com uma Supervisora da Receita Federal e recuperei minha bagagem.
    E, mais uma vez, todos os servidores, incluindo os guardas, reconheceram a minha situação e me afirmaram que eu e minha avó fomos apenas mais uma vítima dessa servidora, que, a pretexto de exercer a sua função, constrange, humilha e desrespeita passageiros.
    Conversando informalmente com alguns amigos, muitos já conheciam esta senhora e tinham uma história de terror para contar.
    Mas, dessa vez, Maria Lucia se deparou com a pessoa errada. Já contactei meus colegas advogados, procuradores, juízes (sou advogada) e estou preparando um representação administrativa contra ela. Na esfera cível, pleitearei uma indenização por danos morais e ainda estamos avaliando se apresentaremos uma denúncia criminal.
    Estou escrevendo esse post para pedir que vocês o compartilhem e que, caso já tenham sofrido nas mãos dessa senhora, colaborem com as suas experiências pessoais, a fim de demostrar que o que ocorreu comigo e minha avó não se trata de uma conduta isolada, sendo necessário pôr fim ao abuso de autoridade desta servidora.
    Vamos dar um basta a essa “síndrome do pequeno poder” que tanto afeta os brasileiros. Falando por mim e pela minha avó, não temos nada a dever. Pagamos nossos impostos em dia. Somos pessoas instruídas e não vamos deixar passar.
    Estou fazendo isso por mim, pela minha avó, pelas pessoas que também já passaram por esse terrível constrangimento e por aquelas que podem vir a passar.
    Obrigada, Mariana Cavalcante

    • A história realmente procede? Tem toda a cara de verdade, isso é bem comum no Rio, mas antes de meter o pau é preciso ver se realmente procede.

  • Eu adorava ler Agatha Christie quando era criança/adolescente, mas não conhecia sua história pessoal. Meu coração se aquece sempre que vejo histórias de pessoas que ousam ser diferentes do povo gado. Um grande exemplo para nós, mulheres. Menos mimimi e mais ação.

  • Adorei. Confesso que muita coisa contada aí eu não sabia. E realmente, “o mundo precisa de mais mulheres como Agatha Christie.” Não poderia concordar mais. Ah! E só pra lembrar: quem tem garra não precisa de “empoderamento”.

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