Hoje é uma data sagrada na República Popular do Desfavor: vamos comemorar a Semana Anta com mais uma história de vida divinamente inspirada.

Pastor Arthur Batman de Deus, candidato (derrotado) a deputado federal em Minas Gerais.

Luiz Artur nunca gostou do primeiro nome. Sempre se apresentou como Arthur, o H adicionado pelo conselho de uma amiga versada em numerologia. Segundo ela, a letra extra traria o sucesso que sempre almejara. E como almejara…

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Zé Gotinha da Floresta, candidato (derrotado) a deputado estadual no Amazonas.

O zumbido dos pernilongos se mistura ao carregado sotaque do pesquisador norueguês, tornando sua compreensão ainda mais difícil. Sergio sorri, acenando em concordância. Entre um tapa e outro para afastar os insetos, observa um mapa feito à caneta, numa grande folha de papel que já começava a ficar borrada com a humidade inclemente da floresta amazônica. Os olhos ardidos por uma recente conjuntivite incomodam. Ele tem alguma ideia de onde estão, mas nem de longe com o grau de confiança que demonstra para o homem que o contratou.

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Carla era assaltada pelos sentidos: a visão ocupada por cores vívidas, contrastada com tons de pele claros e escuros, axilas, pescoços e cabelos úmidos lançando gotas de suor que reluziam ao sol intenso. A audição tomada por um batuque grave e repetitivo que zunia por trás de inúmeras vozes indecifráveis em gritos e cantoria desafinada. O olfato assaltado pelo cheio de suor, urina e cerveja; o paladar por um azedume grudento. O tato então… cada centímetro da sua pele pressionado contra outros corpos. Era quase como se estivesse derretendo dentro de um caldeirão humano.

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Enzo respira fundo enquanto segue pelo corredor principal da penitenciária, preso há mais de dois anos pelo crime de distribuir pornografia de vingança da ex, já tinha se resignado com seu destino. Jurava de pés juntos que não tinha feito aquilo, mas o vídeo que a acusação mostrou era uma prova inescapável de sua culpa. Até agora.

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Moderno Maximus, candidato (derrotado) a deputado federal no Amapá.

João era um homem de grandes ideias, mas de pequenas realizações. Para os amigos e quem quer mais que desse atenção, dizia ser um empresário internacional. Na verdade, revendia celulares chineses no Mercado Livre. A Mercedes-Benz que dizia ter na garagem só ficava na garagem mesmo, herança do pai que estava quebrada há quase uma década. Fazia questão de andar pelas ruas de Macapá com as melhores roupas, joias e uma quantidade nauseante de perfume que dizia ser francês. Todos falsificados.

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