PÔ!

wat: A LEC é a Liga de Extermínio dos Crentes, entidade milenar sem fins positivos que já perseguia os cristãos antes mesmo deles serem denominados cristãos.

23 de Dezembro de 2010: Localização confidencial.

J. ASSANGE: Transilvânia, Romênia.
SOMIR: O quê?
J. ASSANGE: Nada… nada.
SOMIR: Cacete, parece que está todo mundo aqui. Nunca imaginei que a LEC daria uma festa de Natal…
C. DRÁCULA: Mas esta não é uma festa de natal, reles mortal.
SOMIR: Ah é? E por que o Kurt Cobain está vestido de Papai Noel?
C. DRÁCULA: Aposto que nem ele sabe. Mas o que importa é que não estamos comemorando o Natal! Tudo começou alguns meses após a morte daquele hippie… *colocando a mão no ouvido* Espera… Sim? De novo? Ok, estou indo…
SOMIR: Problemas?
C. DRÁCULA: O Harry Potter está destruindo a sala de troféus aqui do castelo.
SOMIR: Você quer dizer o ator Daniel Redcliffe, que interpreta o Harry Potter no cinema…
C. DRÁCULA: Não. *virando morcego*
SOMIR: … Assange, você sabe a his… Assange? *suspiro*

Alguns minutos depois, na sala de jantar:

SOMIR: Dois mil… trezentos… aqui! Meu lugar! Licença…
H. P. LOVECRAFT: Toda.
SOMIR: Você?
H. P. LOVECRAFT: *coff coff*
SOMIR: Ei, você viu quem está aqui? *virando para o outro lado*
F. KAFKA: Não deixa ele tossir em você.
H. P. LOVECRAFT: Ano passado eu peguei uma virose daquelas aqui.
F. KAFKA: Se você está insinuando alguma coisa…
H. P. LOVECRAFT: Eu estou muito pálido?
F. KAFKA: Corado feito uma noviça desnuda em praça pública.
H. P. LOVECRAFT: Impossível, estava péssimo pela manhã.
F. KAFKA: Não tanto quanto eu… Foi um suplício sair da cama.
H. P. LOVECRAFT: Pelo menos você conseguiu sair sozinho, eu tive que…
SOMIR: Os dois parecem estar em estado deplorável.
F. KAFKA: Você só diz isso para nos lisonjear.
SOMIR: Eu vivo para agradar. Mas já que eu tenho essa oportunidade única, algum de vocês poderia me contar a história dessa comemoração?
H. P. LOVECRAFT: Você acha que quer saber a história, mas arrepender-se-á por toda a eternidade se desvendar os profanos segredos…
F. KAFKA: Ahem!
H. P. LOVECRAFT: Sou uma criatura de hábitos. Estávamos falando sobre a comemoração do Regresso, certo?
SOMIR: Regresso?
F. KAFKA: Durante algumas semanas, a LEC esteve prestes a ser desfeita. Nosso líder foi levado aos tribunais celestes para um julgamento definitivo sobre seu direito de existência.
SOMIR: Já sei! O julgamento foi uma grande insanidade!
F. KAFKA: Sim, e logo depois ele virou uma barata gigante.
SOMIR: Sério?
F. KAFKA: Não. Eu me recuso a ser um veículo para clichês de quem só leu dois dos meus livros. Posso continuar?
SOMIR: Claro…
F. KAFKA: Mandar o filho para ser crucificado foi a maior cartada Dele. Grande demais para dar errado, se é que você me entende. Aquela história de livre-arbítrio começou a… azedar… depois que Ele percebeu que meses depois do grande sacrifício rigorosamente nada tinha mudado.
H. P. LOVECRAFT: A LEC tinha acabado de cooptar um dos seguidores do JC para iniciar a Igreja Católica. Estava sendo um massacre! Franz, você tem algum remédio para dor aí?
F. KAFKA: Cthulhu espera?
H. P. LOVECRAFT: Me passa uns comprimidos, os meus acabaram.
SOMIR: E o julgamento?
F. KAFKA: Pois bem… Se o Criador não conseguia convencer a humanidade com uma tragédia sensacionalista, estava na hora de fazer as coisas saírem de seu jeito na marra. Satã foi preso e levado imediatamente para responder por seus crimes.
SOMIR: E como foi esse julgamento?
H. P. LOVECRAFT: Ninguém sabe.
SOMIR: Hã?
H. P. LOVECRAFT: Termo de confidencialidade. Mas não é o julgamento que importa, afinal, está claro que Satã pode continuar existindo. Interessante mesmo foi o que aconteceu no mundo durante o curto período onde a LEC ficou sem líder.
F. KAFKA: Veja só quem se juntou a nós!
SOMIR: Um gato preto? Que clichê…
GATO PRETO: Quando eu escrevi, não era! Franz, a Mary bebeu todas e está atacando aquela tal de Meyers com uma espada enferrujada! Você tem que ver isso!
F. KAFKA: Novato, a história vai ter que ficar para depois! Isso eu não perco por nada!

Kafka e o gato preto saem apressados da mesa.

SOMIR: O gato era… o…
H. P. LOVECRAFT: Ele mesmo. Longa história… Ah, o Franz esqueceu os remédios. *levantando*

Somir pula uma cadeira e aborda o homem de toga branca que agora está diretamente ao seu lado:

SOMIR: Nero?
NERO: Você eu não conheço.
SOMIR: Sou novo aqui. Somir. Só te reconheci por causa da toga… E do olhar maníaco em direção ao candelabro.
NERO: Nunca entendi por que as pessoas pararam de usar togas. As jóias de um homem não foram feitas para a reclusão! *pegando nas próprias*
SOMIR: Mudando de assunto… Você deve saber muito sobre a história do Regresso, não?
NERO: Fui um dos primeiros a ouvi-la.
SOMIR: E o que aconteceu depois que o patrão foi levado a julgamento?
NERO: Ah, a semana esquecida! A LEC parecia destinada ao fim, então os membros daquele tempo decidiram queimar todo o combustível para um final apoteótico!
SOMIR: Atacando os cristãos?
NERO: Melhor! Juntou-se toda a riqueza de todos os membros e foi feita a maior orgia em praça pública da história. Roma, Egito, Pérsia… As pessoas bebiam, comiam e faziam sexo por todos os lugares. A idéia era mostrar para todos o que jamais poderia ser feito de novo se o Criador abolisse o livre-arbítrio e eliminasse o capeta!
SOMIR: E por que não tem um mísero relato disso?
NERO: Porque funcionou. As pessoas queriam a salvação DEPOIS de cometer os pecados. A notícia que uma Era sem o demônio viria pela frente acabou com a motivação do povo para adorar Vossa Carência. O que parecia apenas uma provocação final da LEC se tornou a nossa maior vitória.
SOMIR: Mas Ele não poderia resolver tudo num passe de mágica?
NERO: Alguém… *olhando para cima* … é incapaz de admitir erros. Enquanto era presumível que Ele estaria apenas fazendo a vontade de suas crias, tudo bem acabar com nosso líder. Mas a partir do momento em que nem essa desculpa ele tinha… foi por água a história de que tudo fazia parte dos Seus infalíveis planos desde o começo.
SOMIR: Aposto que Ele nunca admitiu o erro.
NERO: Você venceria a aposta. Além de apagar dos registros aquela semana de orgias que culminou no retorno triunfal de Satã para o plano terreno, ainda manteve o teor do julgamento como segredo inquebrável por milênios.
SOMIR: Satã voltou dia 25 de Dezembro?
NERO: Precisamente! E você não ouviu o melhor: Como a Igreja Católica era nossa, forçamos a comemoração do nascimento de Cristo a cair nesse exato dia.
SOMIR: Hahahaha!
NERO: Trocaria meu império para ver como fica a cara do Criador quando os cristãos comemoram a data.
SOMIR: Meu espírito natalino acabou de renascer!

Um homem deixa um calhamaço de papéis ao lado de Somir.

SOMIR: Assange?
J. ASSANGE: Esconde isso! Acho que vão perceber a qualquer…

Um alarme altíssimo começa a ecoar por todo o castelo.

J. ASSANGE: … momento! *correndo*
ALTO-FALANTE: Atenção, a biblioteca da LEC acaba de ser invadida. Até segunda ordem, ninguém está autorizado a deixar o recinto.
SOMIR: *olhando uma das páginas*

PROCESSO 00002 – CC01/PA14
– CONFIDENCIAL –
CRIME: EXISTÊNCIA.
RÉU: LÚCIFER, O PRIMEIRO.
– TRANSCRIÇÃO DO DEPOIMENTO 082 –

ACUSAÇÃO: Eu, Juiz dos Juízes e Rei dos Reis, o Criador de tudo, permitirei seu retorno ao plano terreno sob as seguintes condições…
RÉU: Você não está em posição de exigir condições.
ACUSAÇÃO: Insolente! Você sabe que eu posso destruir tudo o que existe apenas com um pensamento?
RÉU: Sim, mas não vai e ambos sabemos disso. Qual vai ser o acordo desta vez?

Os papéis se desfazem diante dos olhos de Somir.

NERO: O que estava escrito?
SOMIR: O óbvio.
NERO: Hã?
SOMIR: Passa o patê de golfinho?

Para me desejar um feliz Regresso: somir@desfavor.com

watEnquanto os últimos raios de sol abandonam o horizonte, uma figura solitária contempla seu destino. Do alto de um íngreme penhasco banhado pela furiosa dança das ondas do mar revolto, seus pés perigosamente próximos da borda, um homem severamente marcado pelas agruras da vida reúne a coragem necessária para arremessar-se rumo à morte certa.

O turbilhão de imagens e sentimentos que ocupam sua mente finalmente encontra a paz da certeza da única solução possível:

“Hã? Não! Eu não quero me matar!”

Nada além de um repentino ataque de covardia. Após vacilar por alguns momentos, prepara-se para suas últimas palavras de sua cruel existência:

“Eu não vou pular! Eu nem sei por que diabos eu quero me matar!”

Teimoso, esquece por alguns momentos de todos os problemas que o consumiram nos últimos anos. A família em pedaços, a carreira em declínio…

“E quem te garante que eu não posso resolver isso? É muito precipitado sair se matando assim… Eu mal começo a existir e você já quer acabar comigo?”

Ele não conseguia resolver seus problemas.

“Ah, isso foi muito preguiçoso da sua parte. Eu não mereço nem uma mísera chance de ver quais são meus problemas? Vai ver você que é derrotista.”

Exibindo mais um dos sintomas da sua incessante incapacidade de enxergar a realidade, ele decide buscar uma dose extra de incentivos para o suicídio. Para tal, bastaria retornar a sua residência, foco de constantes frustrações conjugais e de um relacionamento fadado ao fracasso.

“Agora sim. Aquele carro estacionado ali é meu?”

Seguindo até seu antigo e problemático veículo, lembra-se de todas as dificuldades financeiras que tornaram sua vida insuportável desde que perdeu o emprego.

“É… é meio velhinho, mas até que tem seu charme. E o que importa é que… opa… funciona!”

O carro, como era de se esperar, não dura mais que alguns segundos para engasgar e morrer. Sem dinheiro para um seguro e sem nenhum conhecimento de mecânica, estava completamente à mercê da escura noite numa isolada e vazia estrada.

“Eu hein, você é muito pessimista… Vem cá, eu tenho nome?”

Asdrúbal sentia-se ainda mais sozinho do que o de costume naquela situação.

“Asdrúbal? Não é um nome muito comum, mas até que tem uma certa pompa… Asdrúbal… É… Poderia ser pior. Ei, vem vindo um caminhão no horizonte! Deixa eu pedir uma ajuda… EI!”

Ele estava prestes a ter mais uma prova de que o mundo é guiado pelo egoísmo e desinteresse. Seria um golpe fatal para Asdrúbal.

ASDRÚBAL: “O caminhão está parando!”

As intenções do caminhoneiro com aquela parada ainda não estavam claras para nosso abatido protagonista, mas logo se mostrariam muito mais malignas do que qualquer um poderia crer:

CAMINHONEIRO: “Precisa de ajuda, amigo?”

ASDRÚBAL: “Caiu do céu, colega! Essa lata velha pediu aposentadoria por invalidez justo aqui, pode?”

CAMINHONEIRO: “Hahaha… Já tive um desses. Estou meio em cima do meu horário, então não posso te ajudar a consertar. Mas estou indo pra cidade se quiser uma carona.”

E essa carona seria o começo do fim. Depois de alguns minutos dentro da boléia do caminhão, algo chama a atenção de Asdrúbal:

ASDRÚBAL: “Minha casa!”

CAMINHONEIRO: “Olha só, bem no meu caminho… Um pouco de azar, um pouco de sorte, a gente só não vai escapar mesmo é da morte.”

ASDRÚBAL: “Hã?”

CAMINHONEIRO: “Minha avó dizia isso. Quer dizer que não se deve ficar reclamando da vida porque as coisas sempre se acertam…”

Asdrúbal desce do caminhão e segue em direção à entrada de sua casa, pronto para encarar a terrível realidade que o esperava.

ASDRÚBAL: “Nem me deixou agradecer? Mas ele disse uma coisa certa… as coisas sempre se…”

Sem dar tempo para seus inúteis devaneios, a porta da frente abre-se abruptamente, revelando a rechonchuda silhueta de sua intempestiva esposa.

ESPOSA: “Onde você estava? Eu estava morrendo de preocupação!”

ASDRÚBAL: “Desculpa, amor, o carro quebrou!”

ESPOSA: “O que importa é que você está bem. Me dá um beijo!”

Eu já mencionei que a silhueta era rechonchuda?

ASDRÚBAL: “Me amarro numa gordinha! Vem dar um chamego no seu homem!”

Após os dois adentrarem a decadente residência assolada por dívidas, ele escuta sons vindos da direção do quarto do casal. Surpreso, aproxima-se da porta apenas o suficiente para ver um outro homem deitado na cama.

ASDRÚBAL: “Tem mais alguém com você?”

ESPOSA: “Meu irmão, faz mais de uma semana que ele está aqui.”

ASDRÚBAL: “Na nossa cama?”

ESPOSA: “Ah, a única TV da casa está ali, deixa ele se distrair um pouco vendo o time dele jogar, né?”

ASDRÚBAL: “É… Está certo. E aí, cunhadinho, tudo bem?”

CUNHADO: “Tudo! Depois do jogo eu quero falar com você, acho que te arranjei um emprego lá na firma!”

ASDRÚBAL: “Um pouco de azar, um pouco de sorte… Hahaha!”

Forçados a morar numa perigosa vizinhança pelas constantes dificuldades financeiras, os residentes viviam em constante risco de assaltos violentos. O som de vidro se partindo ecoa pela casa, chamando a atenção de todos.

ASDRÚBAL: “Isso já é apelação! Você nem se deu ao trabalho de conhecer a minha vida antes de resolver me matar… Você escolheu a pessoa errada para a sua história, admita de uma vez por todas!”

Fora apenas uma bola de futebol chutada por um garoto desatento. Os pais da criança, amigos da família, comprometeram-se prontamente a reparar os danos.

ASDRÚBAL: “Melhor assim. É melhor fazer amigos do que inimigos… Essa história não pode ter um final feliz?”

Esse é o problema, Asdrúbal. Eu não posso mais te dar um final feliz.

ASDRÚBAL: “E por quê?”

Porque você fugiu do começo da história. Eu preciso de um começo dramático para chegar num final de redenção, glória e felicidade. Você deveria ter sua vida terrivelmente ameaçada, sobrevivido milagrosamente e tido uma revelação valiosa sobre o universo enquanto estava em recuperação.

ASDRÚBAL: “Você não pode me dizer qual era essa revelação agora?”

As coisas não funcionam assim. Agora eu sou obrigado a procurar um novo protagonista, um que esteja realmente preparado para viver o sacrifício necessário para a conquista desse incrível final feliz que eu planejei. E eu posso te adiantar que nada do que você vai viver sequer vai chegar aos pés desse momento… Uma pena. Era grandioso…

ASDRÚBAL: “Eu não sabia…”

Você é uma personagem. Não deveria saber. Se bem que talvez eu possa…

ASDRÚBAL: “Possa o quê?”

Deixa pra lá. Vamos terminar essa história, ok?

ASDRÚBAL: “Eu quero o final feliz grandioso! Por favor!”

Asdrúbal junta os últimos trocados em seus bolsos para pagar o táxi que o levaria de volta ao precipício. Já dentro do veículo, pensa:

ASDRÚBAL: “Eu não estou vivendo a vida que mereço. A morte é a minha única solução… certo?”

Certo. Ao chegar, mente para o taxista dizendo que esperaria pelo mecânico, para não gerar suspeitas e tentativas de demovê-lo da sua única certeza até então. Com corajosos passos, aproxima-se novamente da borda, desta vez sem a menor vontade de desistir.

ASDRÚBAL: “Adeus, mundo cruel!”

Asdrúbal cai, morrendo instantaneamente com o impacto.

“…a gente só não vai escapar mesmo é da morte.” Hahahahahaha!

FIM

Para dizer que o importante é ter saúde, para dizer que textos como esse são muito interessantes… para quem quer me criticar, ou mesmo para reclamar que o narrador tinha muitas semelhanças com um personagem fictício pra lá de famoso: somir@desfavor.com

*risada maligna*De: A. Hitler – adolphhitler81743221@terra.com.ar
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 03:14
Para: lec.geral@********.com
Assunto: [LEC] A minha foto…

Ai que saudade de vc! :P
Estou mandando aquela foto minha sensual que eu prometi, lembra?

Beijinhos!

De: K. J. Ill – greatleader@glorious.nk
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 09:33
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: [LEC] A minha foto…

Maldito! Você infectou o único computador do meu país!
Não se pode confiar mais nem no Hitler hoje em dia?

De: V. Tepes – vladthedracul@blood.ro
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 10:26
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: [LEC] A minha foto…

Procura uma pasta chamada System32 e apaga do seu computador. Isso vai resolver o problema!




De: Somir – somir@desfavor.com
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 11:31
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

Só eu achei estranho que ele tenha clicado num link para uma foto sensual do Hitler?

De: Rasputin – theking18@occultism.ru
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 12:00
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

Pode ter sido falha do tradutor universal. Ele pode ter entendido “maligna” ao invés de “sensual”. Foi o que aconteceu comigo… em russo é quase igual. Também preciso de ajuda para consertar meu computador agora!

De: V. Putin – vlad.putin@kgb.gov.ru
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 12:02
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

“Maligna” e “Sensual” não tem nenhuma semelhança em russo. Garanto.

De: S. Jobs – stevejobs@apple.com
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 12:07
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

Posso garantir também que o tradutor funciona perfeitamente. Troquem seus PC’s por Mac’s e parem de sofrer com vírus, quantas vezes eu já disse?

De: A. Hitler – adolphhitler81743221@terra.com.ar
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 13:12
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

01000010 01100101 01100100 01100001 01110101 01100101 01110010 01101110 01100100 00100000 00101100 00100000 01010110 01101111 01101100 01101011 00101110 00100000 01001001 01100011 01101000 00100000 01100010 01101001 01101110 00100000 01100010 01100101 01100110 01100101 01110011 01110100 01101001 01100111 01100101 01101110 01100100 00100000 01101101 01100101 01101001 01101110 00100000 01000011 01101111 01101101 01110000 01110101 01110100 01100101 01110010 00101110

De: S. Jobs – stevejobs@apple.com
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 13:14
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

O tradutor não está programado para isso, Hitler!
Pode falar na língua natal, MENOS se você for um ciborgue.

De: Rasputin – theking18@occultism.ru
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 15:47
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

Eu já disse que foi um engano! E mesmo que eu tivesse clicado, o que eu não estou admitindo, está na Bíblia que homossexualidade é uma coisa do demônio!

De: General – satan@hell.org
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 15:48
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

Tá me estranhando?

De: Stephenie Meyer – personal@stepheniemeyer.com
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 16:08
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

Que infantilidade…
Vocês realmente sabem como tirar a mítica de um grupo de vilões.




De: V. Tepes – vladthedracul@blood.ro
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 16:55
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

MUITO IRÔNICO VOCÊ DIZENDO ISSO!




De: Somir – somir@desfavor.com
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 18:12
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

A gente não deveria estar… sei lá… planejando o extermínio dos crentes? Fica até parecendo que todos nós temos vários outros problemas para resolver na vida e que os crentes são retardados por se acharem perseguidos nos dias atuais!




De: General – satan@hell.gov
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 20:39
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

As coisas não podem ser apressadas desta forma, novato. Há uma série de procedimentos padrão necessários para a instauração de um novo plano. Apenas membros do nível 3 – Amarelo podem sugerir novos estratagemas.

De: M. Ahmadineyad – president@president.ir
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 21:22
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

Burocracia sim é que é coisa do demônio! Às vezes eu tenho a nítida impressão que você enrola a gente para não perder o SEU trabalho. Sem crentes, sem objetivo! É quase como se você só existisse porque eles querem que você exista!

E, Rasputin, você não pode mais entrar no meu país.

De: General – satan@hell.gov
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 21:25
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO? QUERO SÓ VER DIZER ISSO NA MINHA CARA!




De: Somir – somir@desfavor.com
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 21:39
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

Internet: Coisa Séria.

De: W. Disney – wdisney@pornmail.com
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 22:40
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

8====> ~ ~~

De: A. Hitler – adolphhitler81743221@terra.com.ar
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 23:28
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

Satã, dá um desconto para o Ahmadineyad, só eu sei o stress que ele deve passar…

Dica: se receberem uma apresentação em Power Point com fotos de gatinhos brincando, apaguem na hora!

De: O. Osbourne – ozzy@ozzy.com
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 23:43
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

LEC? Eu sou membro?




De: K. J. Ill – greatleader@glorious.nk
Data: Quinta-Feira, 16 Set 2010 08:15
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

Esse e-mail é só para dizer que o Drácula é um cretino!

De: V. Tepes – vladthedracul@blood.ro
Data: Quinta-Feira, 16 Set 2010 09:59
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

Mwahahahahaha! Noob!

De: Somir – somir@desfavor.com
Data: Quarta-Feira, 1 Set 2010 21:39
Para: lec.geral@********.com
Assunto: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: Re: [LEC] A minha foto…

-unjoin

Para dizer que quer um convite para a lista, para dizer que adora esses textos onde 90% das piadas já nascem mortas, ou mesmo para me mandar para os quintos dos infernos: somir@desfavor.com

Só em sonho.MULHER: Eu li uma matéria numa revista…
HOMEM: Lá vem…
MULHER: Você vai gostar! É para apimentar a relação.
HOMEM: Foi numa daquelas revistas femininas?
MULHER: Foi!
HOMEM: Passo.
MULHER: Você nem sabe o que é!
HOMEM: Mas aposto que é chato.
MULHER: Escuta primeiro. Segundo uma pesquisa, 85% das pessoas não tem coragem de dizer suas fantasias sexuais mais secretas para seus parceiros.
HOMEM: E?
MULHER: … Eu li que tem um exercício de imaginação que o casal pode fazer para conseguir expressar essas fantasias: Escrever um conto erótico a quatro mãos.
HOMEM: A dica para apimentar a relação é escrever um texto?
MULHER: Não coloca desse jeito que fica parecendo que é uma coisa chata!
HOMEM: Talvez porque seja…
MULHER: Vamos tentar antes de criticar, tá bom?
HOMEM: Eu não tenho escolha, tenho?
MULHER: Não. Faz o seguinte, você fica aqui no computador da sala e eu vou para o quarto com o laptop!
HOMEM: Ainda vai ser pela internet? Mal posso segurar meu tesão…
MULHER: …

Ela sai da sala. Alguns minutos depois, aparece online no programa de mensagens instantâneas:

-=molhadinha=- diz: Tá pronto?

Adalberto diz: Molhadinha?

-=molhadinha=- diz: É muito importante que a gente não fique reprimindo o outro!!!

Adalberto diz: Relaxa, eu gostei.

-=molhadinha=- diz: Hmmm!! Coloca um mais sexy também!

Adalberto diz: Pode deixar, molhadinha!

-=molhadinha=- diz: Já mudou??

20comer diz: Simbora!

-=molhadinha=- diz: Ai que coisa cafona!!!

20comer diz: Falou a molhadinha! É muito importante que a gente não fique reprimindo o outro!!!

-=molhadinha=- diz:

20comer diz: E aí, como a gente começa essa bagaça?

-=molhadinha=- diz: Um escreve uma parte, o outro completa. E quando os dois não aguentarem mais, fazem sexo selvagem a noite toda!!

20comer diz: Pular a parte de escrever e fazer sexo selvagem a noite toda apimentaria mais a relação…

-=molhadinha=- diz: Ai! Você NUNCA faz nada do que eu quero…

20comer diz: Tá bom. Quem começa?

-=molhadinha=- diz: Deixa comigo… Mas lembra, hein? Não pode reprimir ou julgar… é pra deixar todas as fantasias correrem soltas!

20comer diz: Fechado!

-=molhadinha=- diz: Paulinha tinha acabado de se mudar para uma cidade pequena por causa do seu trabalho, e ainda não conhecia ninguém. Muito independente, ela morava sozinha num pequeno apartamento no centro. Todas as noites ela podia ouvir a movimentação da modesta, mas agitada vida noturna local. Homens e mulheres se reuniam em grupos na rua principal e se exibiam em longas caminhadas, permeadas por olhares desejosos e flertes discretos. (sua vez!)

20comer diz: Paulinha era loira de olhos azuis, um metro e setenta de curvas, seios fartos com biquinhos cor de rosa, uma grande e redonda bunda com uma bela marquinha de biquíni na sua pele morena. Além disso, fazia questão de estar sempre depilada, de cima a baixo, sem nenhum pelinho na buceta e no cu. (faltou descrever a moça)

-=molhadinha=- diz: (dá pra não escrever coisas como b***** e c*? é broxante! e tem que avançar a história! continua!)

20comer diz: Ela estava com problemas no encanamento do banheiro, por isso precisou chamar o encanador da cidade, o Tonhão. Tonhão tinha um metro e oitenta, era moreno, peludo e um pouco careca. Ele não tinha tempo para atender de dia, mas Paulinha, safada, aceitou recebê-lo de noite. Ela tirou toda a roupa e ficou esperando no sofá, com sua… “vulva” à mostra… (agora sim, né?)

-=molhadinha=- diz: (ai que coisa preguiçosa! encanador? e porque o Tonhão parece com você se a Paulinha não se parece comigo? a gente precisa combinar direito essa história…)

20comer diz: Tonhão, como combinado, chegou logo depois das nove da noite. Bateu na porta e logo escutou uma voz manhosa dizendo para ele que a porta estava aberta. Quando entrou, mal podia acreditar que aquela gostosa estava ali, toda arreganhada, esperando por ele.

-=molhadinha=- diz: (não é pra continuar ainda! eu não estou gostando dessa história e quero que você mude algumas coisas antes…)

20comer diz: Tonhão não pensou duas vezes, começou a tirar a roupa e mostrou seu pau, de 20 centímetros. Quando estava prestes a fechar a porta, escutou outra voz feminina. Claudinha, irmã gêmea de Paulinha, tinha acabado de chegar de viagem para uma visita. Claudinha viu Tonhão e sua irmã gêmea pelados, deu um sorriso maroto e disse que seu sonho era fazer um menáge com ela e mais um homem.

-=molhadinha=- diz: (não continua! é pra mudar o rumo da história, não pra colocar mais uma loira na sua cena de filme pornô!)

20comer diz: Tonhão passou mal e precisou sentar um pouco para descansar. Para não perder o clima, Paulinha e Claudinha começaram a se beijar, duas irmãs… rendidas à tentação. Claudinha começou a chupar os seios da sua gêmea, que gemia delicadamente.

-=molhadinha=- diz: (não vai parar de escrever, né?)

20comer diz: Vendo as duas num espetacular meia nove, Tonhão começou a se animar novamente. Paulinha olhou para ele, colocou o dedo indicador no… “ânus” de Claudinha e perguntou se ele não tinha nada maior para ajudá-la.

-=molhadinha=- diz: Mas antes disso, Claudinha começou a urinar. Estava com a bexiga cheia há horas e não resistiu à pressão. Uma cachoeira dourada escorria pelo rosto de Paulinha, que quase engasgava com tanto xixi entrando em sua boca.

20comer diz: Claudinha, envergonhada, sugeriu que os três fossem tomar um banho para recomeçar o clima. Os três se juntaram debaixo do chuveiro, enquanto as duas se ensaboavam, ele se esfregava naqueles deliciosos corpos escorregadios. As duas se ajoelharam e começaram a sugar seu… “pênis”.

-=molhadinha=- diz: Com tanto sabão e com o vazamento que Tonhão não tinha consertado porque era uma merda de um encanador, Paulinha escorregou e bateu com a testa nas bolas dele. Tonhão desmaia de dor na hora.

20comer diz: Duas horas depois, Tonhão finalmente acorda. A sala, toda branca, indica que havia parado no hospital. Recobrando a visão, percebe três mulheres observando-o atentamente: Paulinha, Claudinha e uma deliciosa mulata, com uniforme de enfermeira. Elas contam o ocorrido, a enfermeira ri e diz que pode ensinar uma boa massagem para aliviar a dor no local atingido. As três se entreolham de forma sensual…

-=molhadinha=- diz: A enfermeira então diz algo no ouvido de uma das loiras burras vadias, que começa a rir e concorda sinalizando com a cabeça. A enfermeira sai por alguns minutos, enquanto as loiras amarram Tonhão na cama. Quando volta, traz consigo um enorme negão, também vestido de enfermeiro. Ela diz que ele pode fazer o que quiser com o encanador. Ele abaixa as calças e mostra seu imenso membro, muito maior que o de Tonhão.

20comer diz: O enfermeiro, espada até dizer chega, diz que todo mundo vai se divertir a noite toda enquanto começa a agarrar a enfermeira. As duas loiras levantam o avental de Tonhão, Paulinha monta no… “pênis” do encanador e começa a cavalgar enlouquecidamente. Tonhão sai na vantagem, porque ainda vai ter como traçar a maravilhosas mulata no meio daquela orgia.

-=molhadinha=- diz: A mulata diz que precisa contar um segredinho. Ela levanta a saia e mostra que na verdade era um mulato. O pau do travesti era ainda maior que o de Tonhão e do Enfermeiro! Depois de uma risadinha, diz com sua voz grossa que não o amarrou à toa. O negão, que não parece surpreso, agarra as duas loiras e deixa Tonhão à mercê da “mulher beringela”.

20comer diz: Tonhão se desespera, começa a se debater em cima do leito. A mulata se aproxima do seu rosto e constata que os remédios que ele tomou deveriam estar gerando alucinações. Passados alguns minutos, ele fica aliviado ao perceber, bem próximo de seu rosto, que não passou de um pesadelo o conteúdo da calcinha da enfermeira. Refeito do susto, recebe atenção especial das três ao mesmo tempo, o enfermeiro precisou atender a uma urgência.

-=molhadinha=- diz: Como a cidade é pequena, não demora muito para a notícia chegar aos ouvidos da mãe de Tonhão. A senhora, do alto dos seus sessenta anos de idade, com seus cabelos encaracolados, tintura marrom, vestido florido verde escuro e um inseparável colar cujo pingente é uma cruz que seu filho deu de presente quando estudava na quinta série, adentra a sala e vê a orgia se desenrolando. A primeira coisa que vê é a “enorme” ereção de seu filho.

20comer diz: (você acha que vai me vencer, é?)

-=molhadinha=- diz: Ela sorri e começa a tirar a roupa…

20comer diz: CHEGA!

-=molhadinha=- diz: Está pronto para o sexo selvagem agora? Porque eu estou…

20comer ficou offline.

Para dizer que vai tentar isso de verdade, para dizer que se arrepende de ter elogiado o texto da LEC, ou mesmo para chamar o 20comer de faixa-branca: somir@desfavor.com

Quem mandou convidar?Siago Tomir come bastante. Ao olhar para o prato de Siago Tomir você se pergunta se é uma tigela onde vão alimentar um puma no zoológico. Sim, Siago Tomir come muita carne. Somado a esse fato, de vez em quando baixa nele um espírito de pobre de querer “dar prejuízo” quando vai a um rodízio. Parece que reforça sua masculinidade comer até alguém oferecer um Licor de Cacau Xavier para ele achando que ele está com vermes.

Ciente disto, eu fui burra o bastante para programar uma ida a uma churrascaria rodízio. Eu sei, eu sei, erro primário. Era um sábado. Acordamos e Siago Tomir nem sequer tomou café da manhã. Ele estava se preparando para o grande evento onde comeria mais carne que um tigre asiático. Esse era o momento de ter sabedoria de abortar a missão, mas não, eu tenho essa mania de bater palmas para maluco dançar.

Podem me chamar de burra. Mesmo ciente deste descontrole alimentar, a imbecilóide aqui achou que seria uma boa idéia levar Siago Tomir para uma churrascaria. Pior, a imbecilóide aqui ainda ficou soltando frases de incentivo durante o percurso da minha casa até a churrascaria, desfavores como “É para comer que nem gente grande, hein?” ou ainda “Se eu comer mais do que você vou te chamar de faixa-branca”. Eu posso ser muito imbecil algumas vezes.

Chegando na churrascaria, sentamos em uma mesa com uma bela vista para o Pão de Açúcar e começamos a comer. Já comecei a ficar preocupada quando ele foi no bufê comer feijoada. FUCKIN´ FEIJOADA como entrada indica que o almoço vai acabar mal. Mas me calei, porque encher o saco de homem é papel de mãe, e não de namorada.

Começamos a comer. A freqüência dos garçons era frenética. Em vez de recusar os dez tipos diferentes de carnes que apareciam por segundo, Siago Tomir se sentia obrigado a comer de tudo. Um misto de dever de macho com gula exacerbada. Já viram a família Simpsons jantando? Era algo muito similar. E eu lá, no meu sushizinho, comendo uma que outra picanha.

Pouco tempo depois vejo que Siago Tomir já começa a se reclinar de forma estranha na cadeira. Sabe aquela inclinadinha que a gente dá quando está estufado, que te deixa semi-deitado? Ousei perguntar se ele não achava melhor parar de comer e ele apenas fez que “não” com a cabeça, pois estava com ¼ de vaca dentro da boca.

Continuou seguindo seu ritual de encher o rabo de carne e tomar aquela porcaria tóxica chamada Coca-Cola para “ajudar da digestão”. Mas a julgar pela quantidade de carne que ele estava comendo, nem se bebesse diabo verde ele conseguiria dar conta daquilo tudo. Percebo que Siago Tomir começa a suar e me calo. Faço questão de dizer aqui que a Coca-Cola que ele estava bebendo era Coca Zero, tá? Porque farofa, batata frita e a gordura lateral da picanha pode, mas a Coca tem que ser zero. Hipocrisia, a gente se vê por aqui.

Depois de mais de duas horas sentados comendo, percebo que Siago Tomir apresenta dificuldades respiratórias, provavelmente porque seu estômago expandiu de tal maneira que comprimiu seus pulmões. Tento fazer minha cara mais simpática e pergunto se ele está bem. Siago Tomir faz que “sim” com a cabeça enquanto mastiga um baby beef.

Após três horas, Siago Tomir apresenta os primeiros sinais de fadiga. Já recusava algumas carnes e mastigava 237 vezes antes de engolir, parecia um ruminante. Eu até tinha uma esperança que ele fosse parar, mas aqueles garçons foderam com o meu plano. Vendo que Siago Tomir estava devagar quase parando, um deles se aproximou, ofereceu uma carne e quando Siago recusou, perguntou se ele tinha alguma carne de sua preferência que ele pudesse encaminhar à mesa. Fudeu, com F maiúsculo. Porque gula é um dos pecados de Siago Tomir.

Siago Tomir disse que a carne de sua preferência era uma picanha gratinada com um queijo que eu não lembro o nome. Fudeu. A carne passava de dez em dez segundos na mesa. Em determinado momento, senti um olhar de desespero de Siago Tomir, como quem queria recusar mas não podia. Algo mais forte do que ele o obrigava a comer a carne: seu espírito de pobre de querer dar prejuízo somado à sua gula infinita.

Antevendo o pior, ousei dar a minha humilde opinião: “Acho que talvez seja melhor você parar, você vai acabar passando mal”. Siago fez cara de ofendido e me cutucou tal qual Cesar Millan fazendo “Tssst!” para que eu me recolha à minha insignificância. Entreguei para Deus, o que vindo de um ateu é o mesmo que pensar “se fode aí então, feladaputa”.

Quando finalmente Siago estava em um estado de empanturramento que o incapacitava de falar e andar, ele decidiu que talvez fosse mesmo hora de parar. Com a carne. Porque sim, ele comeu uma sobremesa. Dividimos um pavê de bombom que veio em uma tigela que mais parecia um balde. Há testemunhas. Tenho quase certeza que um grupo de turistas japoneses que estava na mesa ao lado, na verdade tirava fotos de Siago e não do Pão de Açúcar. Não se espantem se dentro de algum tempo surgir um filme japonês chamado “O Mosntro Carnívoro” com uma versão estilizada de Siago Tomir como protagonista. Eu já tive um fila de mais de 80kg e Siago Tomir come mais carne do que ele.

Terminada a orgia gastronômica com o desfecho inacreditável de Siago Tomir raspando a tigela de pavê, um dos garçons se aproximou e fez uma pergunta singela: “Mais uma Coca-Cola, Senhor?”. É uma pergunta simples, que pode ser respondida com “Sim, por favor” ou “Não obrigada”, desde que você não tenha comido duas toneladas de carne e essas duas toneladas não tenham subido para seu cérebro. Siago Tomir ficou em silêncio olhando para o horizonte por uns 30 segundos e depois deu a seguinte resposta ao garçom: “Não sei”.

A cara do garçom foi impagável. Nunca, em anos de treinamento ele deve ter sido preparado para uma resposta dessas. Eu ri e disse “Aposto que você nunca ouviu uma resposta dessas, né?” e o garçom sorriu e se retirou com aquele olhar de pena que a gente costuma destinar a bêbado ou a maluco. Siago Tomir deixa cair a cabeça sobre a mesa.

Diante da condição de perda total do meu parceiro, pedimos a conta. Siago Tomir mal abria os olhos. Sabe aquela sonolência que a gente sente depois do almoço, que se chama “maré alcalina”? Pois é. True Facts About Siago Tomir: Siago Tomir não tem maré alcalina, tem Tsunami alcalina. Depois de pagar a conta, a atitude normal é que as pessoas se levantem e deixem o recinto. Mas Siago Tomir não parecia estar em condições de se levantar. Eu me levantei e disse “Vamoooos?” e ele me olhou com cara de cachorro cagando na chuva e disse “Calma aí…”. Pensei em chamar uma ambulância, se bem que no caso estava mais para reboque mesmo. Siago Tomir respirava ofegante com metade do corpo esparramado na mesa, sob olhar curioso dos japoneses, que continuavam fotografando supostamente o Pão de Açúcar.

Passaram-se uns dez minutos quando o garçom voltou e perguntou se queríamos mais alguma coisa, o que todo mundo sabe que é um eufemismo para “Já comeram, agora vaza que tem gente na fila” (e tinha mesmo). Siago Tomir, em um exemplo de superação, levanta vagarosamente da mesa. Começa a dar passos lentos, parecia o Tiranossauro Rex do Jurassic Park andando. Segurei ele pela cintura porque juro, tive medo que ele caísse no meio do restaurante.

Continuamos andando em direção à saída. Na minha cabeça eu praticamente podia ouvir a música tema do filme “Carruagens de fogo”. Eu já estava até ficando com pena dele, quando na curva final para deixar o restaurante ele olha com um olhar de cobiça para uma picanha que passa no espeto. Dei um tapa na nuca dele e o joguei dentro do carro. Passei o resto da tarde escutando o mantra “Saaaaally, estou passando maaaaaal” e quando oferecia um remédio digestivo ele dizia “Não cabe mais naaaaada, Saaaaally”. Passou o resto do dia repetindo que estava passando mal e que nunca mais comeria carne na vida.

Depois de permanecer aproximadamente 12h na mesma posição, prostrado no sofá como se fosse um saco de batatas, achei que ele tinha aprendido alguma coisa com toda esta experiência. Que nada, no dia seguinte estava se empanturrando de carne novamente na hora do almoço. Quando ofereceram carne e ele aceitou, olhei surpresa para ele, ao que ele me sorriu um sorriso maroto a La Rafael Pilha na delegacia e disse “A gente é assim, convidou porque quis”. Só matando.

Para dizer que quer que eu escreva mais Siago Tomir, para dizer que vai usar esse bordão escroto de “a gente é assim, convidou porque quis” ou ainda para dizer que macho que é macho sai da churrascaria passando mal: sally@desfavor.com