FAQ: Coronavírus – 39

Na minha cidade acabou AstraZeneca e estão querendo dar uma segunda dose de Pfizer. Posso tomar?

Pode. Deve. Pode tomar, ajoelhar, levantar as mãos para o céu e glorificar o abençoado que errou o planejamento, pois essa combinação de vacinas tem uma eficácia muito, mas muito boa, provavelmente melhor do que duas doses de AstraZeneca.

Diversos estudos já mostraram que a combinação de vacinas é perfeitamente segura e que, em sua maioria, apresenta uma melhor resposta imune do organismo, principalmente se você variar o mecanismo das vacinas. Já falamos sobre mecanismos de vacinas no FAQ 36, passa lá que tem a explicação detalhada de cada vacina e a quais grupos elas pertencem.

Basicamente existem 3 grandes grupos: vacinas de vírus inativado, vacinas de vetor viral e vacinas de RNA Mensageiro. O que vem se mostrando mais eficiente em termo de resposta imune em vacinas de duas doses é tomar uma dose de cada grupo. Então, não bastam ser vacinas diferentes, o bacana é que sejam tipos de vacinas diferentes também.

Vamos usar aquele exemplo que sempre usamos: pense no seu corpo com uma casa e no coronavírus como um ladrão que quer entrar na sua casa, roubar tudo que você tem e te matar. Cada vacina age de uma forma no organismo, mas todas com o mesmo propósito: fazer o possível para matar esse ladrão, impedir que ele entre, ou, se ele entrar, que esteja fraco demais para conseguir te causar algum dano.

Pedindo muita licença à ciência, vou dar um exemplo que tecnicamente está imperfeito, mas serve para tentar simplificar o que a mistura de vacinas faz. Vamos pensar que os três tipos de vacina são 3 sistemas de proteção diferentes: uma são cães de guarda que vão tentar atacar o ladrão, outra é um muro muito alto que vai tentar impedir que ele entre e outra são seguranças armados que vão tentar atirar nele se ele entrar.

Qual é o sistema mais seguro? Um muro? Cães? Pessoas armadas? Não sabemos. Tudo depende de como o ladrão vai se comportar – e o nosso ladrão está em constante mutação. Pode ter ladrão que consiga envenenar e matar os cachorros, pode ter ladrão que consiga pular um muro, pode ter ladrão que saiba como subornar seus seguranças. Então, quanto mais diversificada sua proteção, maiores as chances de neutralizar o ladrão.

Você não tem recursos para contratar os três sistemas de segurança (tomamos duas doses de vacina). Você tem que escolher investir em dois sistemas de segurança. O que parece melhor: gastar tudo só em cachorros ou parte em cachorros e parte em um muro? Pois é, o melhor é diversificar, assim, se o ladrão conseguir fugir de um, tem outro para tentar barrar.

Como eu disse, esse exemplo não é cientificamente correto, a coisa não é tão fácil nem tão simples, mas passa a ideia geral: nossas chances são maiores se tivermos recursos diferentes para ajudar o corpo. Mas precisam ser recursos diferentes, e não vacinas diferentes. Vacinas diferentes do mesmo grupo seria como comprar diferentes raças de cães de guarda para botar no seu quintal: se envenenar um, provavelmente acaba envenenando todos.

Atualmente os grupos são:

1) Vacinas de RNA Mensageiro: Pfizer e Moderna
2) Vacinas de Vetor Viral: AstraZeneca (ou de Oxford), Sputnik V, Janssen
3)Vacinas de Vírus Inativado: Coronavac, Cansino (também chamada de Covidencia) e Sinopharm.

Então, pode misturar vacinas diferentes, desde que cada vacina seja de um grupo diferente.

Mas, atenção: o que a gente fala sobre vacinas hoje, vale para HOJE. O vírus está mutando todo santo dia e o que é bom HOJE pode não ser o melhor amanhã. Portanto, se você está lendo isso meses depois, certifique-se de que a informação continua atual.

Vejam o caso da AstraZeneca, que foi recusada por muitos países por considerarem sua eficácia reduzida contra a variante Beta (a que surgiu na África do Sul) e agora estão implorando que enviem AstraZeneca para lá, pois a Delta se sobrepôs à variante Beta e, contra a Delta, a AstraZeneca consegue ter uma eficácia ainda mais duradoura do que vacina da Pfizer.

Então, como dissemos, o ladrão está constantemente mudando, aprendendo coisas novas, fazendo plásticas para não ser reconhecido. A vacina que é “a melhor” hoje pode ser “a pior” amanhã. Hoje a combinação de vacinas está se mostrando muito benéfica, mas um dia isso pode mudar.


Fala aí das novas variantes?

Como já explicamos antes, as variantes podem ser de interesse (quando algo nelas pode se tornar um problema) e de preocupação (quando algo nelas já é um problema).

Temos seis novas variantes de interesse, ou seja, aquelas que ainda não parecem ser um grande problema, mas precisam ser acompanhadas, pois podem se tornar um grande problema. Destas, apenas três parecem ter potencial real para se tornarem variantes de preocupação. Vamos a elas.

A primeira está tão fresquinha que nem tem nome ainda: C.1.2. O que mais chamou a atenção nesta variante é que ela pertence a outra linhagem do coronavírus: as variantes que temos hoje normalmente vem da linhagem B (lembra dos nomes antigos? A Alfa é B.1.1.7, a Beta é B.1.351, B.1128 também conhecida como P1, etc.). Até aqui, a linhagem que melhor tinha se adaptado era a B, mas… Surpresa! Chegou a C para entrar na rinha de variantes!

A linhagem C parece ter surgido na África do Sul (valeu África, segunda variante que criam!) e, dentro dessa linhagem, a mais cascuda é a C.1.2. Ela é considerada preocupante por ter muitas mutações e que teriam ocorrido muito rápido: parece ser uma versão The Flash do vírus. Quanto mais potencial para mutar rápido uma linhagem tem, mais taquicardia a gente sente, com medo de que chegue uma hora em que elas aprendam a escapar das vacinas.

Como eu disse, não se sabe quase nada dela, nem nome a coitada tem ainda. Mas o pouco que se sabe deixou bem claro que tem que acompanhar a desgraçada de perto, pois é uma novidade com potencial para causar estragos.

A segunda é a Variante Mu (que se costuma pronunciar “Mi”), também chamada de B.1.621. Ela foi detectada inicialmente na Colômbia (também existem casos significativos no Equador e Chile) e parece ter entrado no Brasil durante a Copa América.

Essa variante representa cerca de 40% dos casos na Colômbia, o que mostra que ela não é de todo incompetente, porém fica difícil estabelecer como será a predominância dela no Brasil, já que a Colômbia não tem a Variante Delta, o grande Kaiju das variantes, que acaba se sobrepondo a todas as demais.

No Brasil circula a Delta, portanto, pode ser que a Mu não consiga se estabelecer, mas isso só o tempo dirá. Ela foi considerada uma variante de interesse por possuir diversas mutações em locais que podem indicar que ela seja mais transmissível (mutação P681H), responsável por doenças mais graves e mais capaz de escapar da resposta imune impulsionada por vacinas ou infecção com outras variantes (mutações E484K e K417N). Isso significa que ela pode ser mais transmissível, causar uma versão mais grave da doença e/ou escapar parcialmente da proteção das vacinas.

E, olha que legal, a Mu também tem mutações (R346K e Y144T) cujas consequências são desconhecidas. Mutação surpresaaaaaaa! Podem não significar um risco, mas também podem causar problemas que nem conhecemos ou cogitamos. Teremos que esperar e deixar os cientistas trabalharem.

A OMS usou o termo “constelação de mutações que indicam propriedades potenciais de escape imunológico” para descrever a Mu, ou seja, ao que tudo indica, tem mutação pra cacete e, o que aumenta o risco de algo dar muito errado. No momento, ela está sendo reavaliada para ser se será promovida a variante de preocupação.

Desculpa deixar mais dúvidas do que respostas, mas tem pouquíssimos estudos sobre a Mu. Mas, já que vocês aí no Brasil são tão fissurados na vacina da Pfizer, acho relevante comentar que foi realizar um estudo de um laboratório em Roma mostrando que a vacina Pfizer foi menos eficaz contra a Mu. Então, você, sommelier de vacina, que correu de posto em posto, até achar Pfizer, faz o favorzinho de se cuidar bastante até a gente ter certeza dos danos que vem por aí.

A terceira é a Lambda, sobre a qual já falamos em detalhes em outro FAQ. Procura lá que tem uma resposta só sobre ela.

Depois, temos as outras três que, ao que tudo indica, até agora, não parecem representar uma grande ameaça: Eta, Iota, Kappa.

Assim que saírem respostas mais concretas prometo que voltamos no assunto.


O que faz uma variante dominar e se sobrepor às outras?

Até o momento, as variantes que dominam são aquelas que são mais transmissíveis. Vivemos em um mundo onde a maior parte das pessoas não está imunizada, portanto, de pessoas vulneráveis ao vírus. Nesse cenário, o vírus que se dá melhor é o que consegue ser mais transmissível: tá cheio de ser humano prontinho para pegar o vírus, basta que ele seja bom e infectar o nosso corpo.

E nisso, a Delta é craque, ninguém faz isso melhor do que ela. Hoje, se não surgir uma variante mais contagiosa, mais transmissível do que a Delta, ela não vai predominar. E vai ser difícil, pois a Delta é muito competente. Ela foi forjada no descontrole higiênico e densidade populacional da Índia, vão ter que caprichar muito para fazer algo pior.

Porém, essa realidade de maioria da população não imunizada vai mudar (assim a gente espera). Com o passar do tempo, mais pessoas serão vacinadas e vai chegar um momento em que ser muito transmissível não vai mais ser uma grande vantagem, pois a maioria terá uma barreira para lidar com o vírus, por mais transmissível que ele seja. Aí o jogo muda.

Quando as pessoas deixam de ser vulneráveis à doença, ou seja, quando as pessoas estão imunizadas, a variante que é mais transmissível passa a perder para a variante que tem mais capacidade de burlar a imunidade das pessoas/vacinas. Essa vai ser uma “segunda etapa” da pandemia: se o vírus quiser continuar a existir, ele vai ter que aprender a escapar da imunidade gerada pela vacina.

Quando tem várias casas sem proteção, o ladrão que se dá melhor é o que consegue ser mais rápido e assaltar mais casas. Mas, quanto todas as casas têm muro e sistema de segurança, o ladrão que se dá melhor é o que tem mais habilidade de furar o sistema de segurança.

Hoje estamos com pouca proteção: é só abrir e entrar, quem emplaca quantidade predomina. Mas, estamos caminhando para um mundo novo em matéria de pandemia, onde quantidade não vai ser mais o determinante e sim qualidade – e vai predominar o vírus que conseguir passar pelas vacinas.

Vale a ressalva: ninguém tem certeza de que isso vai acontecer (quer dizer, eu tenho, mas eu sou uma leiga, você não deve escutar a minha opinião). A ciência diz que é uma incógnita, que isso pode nunca acontecer. Pode ser que o coronavírus não tenha sequer capacidade para realizar mutações até escapar das vacinas, não sabemos. Então, esta é uma conversa em tese.

SE isso um dia acontecer, SE o coronavírus conseguir mutar até ter um escape total das vacinas, não deve ser rápido. É mais provável que isso aconteça quando boa parte do mundo esteja imunizada. Dificilmente isso vai acontecer este ano e, se acontecer no ano que vem, deve ser lá pelo segundo semestre. É um fator aleatório que não controlamos e não podemos prever: quando a maior parte das pessoas estará imunizada.

O importante é saber que em algum momento nessa jornada, os critérios vão mudar: as variantes mais transmissíveis deixarão de ser a maior ameaça para nós e as variantes com maior escape imune serão as predominantes e as que vão tirar nosso sono. Então, não acabou. Estamos no meio dessa maratona.

Por isso todo mundo que entende do assunto (e a OMS) dizem que só vacina não basta: para parar essa desgraça de pandemia é preciso outras medidas como distanciamento, uso de máscaras, ventilação de ambientes etc., caso contrário, mesmo com a população vacinada, pode surgir uma nova mutação do vírus que escape à vacina. Ou mais de uma.


A sazonalidade vai ferrar com o Brasil este ano novamente?

Não sei e francamente acho que ninguém sabe. Normalmente, o ciclo no Brasil costuma ser de calmaria agora (setembro/outubro), alarme (novembro/dezembro) e forte danação começando em janeiro/fevereiro com pico em março/abril. Mas, tem um fator novo: vacinas. Então, não importa quais sejam as variáveis, com vacinas, o esperado é que estrago seja menor. Só não dá para dizer quão menor.

Apesar de pouco mais de 30% da população brasileira estar imunizada (duas doses + intervalo de tempo necessário para criar imunidade), uma dose de vacina tem seu valor. Não é suficiente para dar uma boa garantia, mas, sem dúvidas, é melhor do que nada.

Então, se nada mudar, se não surgir uma nova mutação tenebrosa, a tendência é que, o que quer que aconteça em termos de aumento de caso, não deve ser aquele horror que ocorreu no começo deste ano, quando o país chegou a 4 mil mortos por dia (abril de 2021). Mas, novamente, estamos lidando com variáveis que não controlamos, portanto, não dá para fazer promessas.

Outro fator que vai fazer a diferença é o combo doses de reforço + novas doses. Isso significa dar doses de reforço para os mais vulneráveis (um complemento à vacina já dada) + revacinar quem tomou vacina este ano em 2022. São duas coisas diferentes e, salvo engano, me parece que o Brasil está disposto a fazer ambas.

A real é que estamos no primeiro ano de vacinação: não sabemos exatamente por quanto tempo essa vacina nos protege. Se calcula que uma vacinação anual seja suficiente, mas só vamos saber quando chegarmos lá. Pode ser que precisemos de vacinas semestrais ou de vacinas de dois em dois anos. Simplesmente não sabemos.

Tudo isso é importante para entender o estrago que uma possível nova onda vai fazer. Não sabemos o quanto a imunidade de quem tomou vacina em 2021 vai durar até o final do ano ou até 2022. Aí vai de cada um pagar para ver o quanto dura sua imunidade adquirida com a vacina ou continuar se cuidando até a ciência entender certinho por quanto tempo a pessoa está protegida e de quanto tempo é .

Muita gente no Brasil resolveu se arriscar em 2021, pois “já tem vacina”, como se isso bastasse. O resultado? O Brasil teve um 2021 muito pior do que 2020, mesmo “já tendo vacina”. Nos 8 primeiros meses de 2021 já ocorreram duas vezes mais mortes por covid do que em todo o ano de 2020. Então, resiliência e paciência: tem vacina, mas, mesmo com vacina, morreu o dobro de gente este ano do que no ano passado. Ainda é necessário se cuidar. Principalmente se você é de um grupo vulnerável ou convive com alguém que é (idosos ou pessoas com sistema imunológico comprometido).

E se cuidar não é medir temperatura antes de entrar nos lugares nem passar álcool gel na mão antes de comer no restaurante. Se cuidar é ficar na porra da sua casa e só sair quando for necessário (não para socializar, não para viajar, não para jantarzinho “com todos os protocolos de segurança”). É quando precisar mesmo. Se cuidar é manter ambiente ventilado, é lavar bem as mãos, é usar máscara PFF2 direito, cobrindo nariz e boca, sem mexer na porra da máscara e sem coçar os olhos.

Uma dica: olhem para Manaus. Manaus sempre é o primeiro lugar onde a covid-19 explode no Brasil. Fiquem de olho em Manaus e no Rio de Janeiro, capital nacional da Delta. Eles vão fazer soar o alarme de quando a situação pode piorar e do quanto. E a gente também, fica com a gente que se a situação ficar ruim a gente grita, como fez no ano passado.

Para dizer que é uma pena que a variante Mu se pronuncie “Mi” pois se perde o trocadilho com gado, para dizer que fazer Copa América para perder em casa e ainda trazer variante nova é de fazer cair o cu da bunda ou ainda para continuar xingando “o chinês que comeu morcego”: sally@desfavor.com

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Comments (12)

  • “Vale a ressalva: ninguém tem certeza de que isso vai acontecer (quer dizer, eu tenho, mas eu sou uma leiga, você não deve escutar a minha opinião). A ciência diz que é uma incógnita, que isso pode nunca acontecer. Pode ser que o coronavírus não tenha sequer capacidade para realizar mutações até escapar das vacinas, não sabemos. Então, esta é uma conversa em tese.”

    Ah, eu concordo plenamente com você e acredito que uma possível variante assim vá nascer do carnaval de 40 dias que a prefeitura do Rio está insistindo em anunciar. Depois de quatro mil mortes por dia não sensibilizarem a população para o que é realmente importante, não duvido nada que decidam manter este carnaval mesmo se tiver outra variante e outro pico.

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    • Os atos da humanidade até agora não são no sentido de tomar todos os cuidados possíveis. Diante disso, me parece irracional esperar os melhores resultados possíveis.

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  • Uma curiosidade: Como surgiu isso de marca de vacina? Porque desde que nasci as pessoas se vacinam 1, 2 doses e ninguém nunca soube de marca ou de fabricante. Por que?

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    • Surgiu graças à polarização que fazem com tudo: o atual governo brasileiro simpatiza com alguns países e antagoniza com outros. A vacina feita pelo país que o governo declaradamente simpatiza (Pfizer/EUA) é prestigiada e cobiçada, enquanto que tudo que vem da China é menosprezado.

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  • Pode explicar sobre os casos de paralisia facial em alguns vacinados?
    Essa semana um homem que fez uma reclamação no Twitter do Instituto Butantan, alegando que ficou com o rosto paralisado depois da segunda dose de coronavac. O homem até postou uma selfie pra comprovar e teve muitas respostas de gente desconfiada da vacina.

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    • Sofri de um caso grave de paralisia facial após tomar a segunda dose da vacina.
      Muita dor no braço. Muita dor no corpo. Sensação de invulnerabilidade e uma euforia surreal em tempos de pandemia. Fora o sorriso besta que ficou estampado na minha cara por quase uma semana.
      Ainda bem que eu estava de máscara e escondeu!

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  • https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/rfi/2021/09/14/protecao-da-vacina-janssen-seria-insuficiente-contra-covid-aponta-estudo.htm

    Tomei essa com extrema dificuldade de conseguir um dia disponível (não para escolher a vacina, mas para conseguir ao menos a porra da primeira dose, e onde vivo não é por agendamento, você fica à mercê da prefeitura decidir um dia e em locais específicos, e mesmo assim, às vezes encerram o dia antes do horário definido expirar, por insuficiência de doses para todos).

    Convivo com um negacionista, e para evitar discussão com quem não quer ouvir a verdade, fui me vacinar às escondidas. Não tenho grana pra Uber, e o caminho à pé até o posto mais próximo no qual aplicam alguma vacina, é longe e tem nóia que fica te encarando. Busão é aglomeração, fora que você tem de esperar um horário que coincida com a vacinação.

    Aí inventam isso de terceira, quarta, quinta dose, e você rebobina involuntariamente as memórias de que você teve que mentir para poder sair para se vacinar, que vai enfrentar fila enorme com risco de não ter vacina para todos, de que é só um dia específico e repescagem sabe-se lá quando vai acontecer de novo…

    Mesmo você aderindo ao “ain para de ser mimadinha, quem quer vai atrás, para de mimimi”, chega em um ponto que você sente que atingiu seu limite e não vê mais o que pode fazer sem correr riscos e piorar sua situação.

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    • As pessoas se vacinam desde sempre. Ninguém precisa se esconder. Depois que veio essa modinha de Internet e zapzap é que surgiram teorias de conspiração. A nova dos conspiracionistas é dizer que o próximo pretexto da elite pra impor lockdown será o aquecimento global.

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  • Ótima explicação sobre as “misturas” de vacinas, Sally. Realmente, é melhor diversificar o máximo possível os nossos “sistemas de segurança” em vez de contarmos com apenas em um. O que complica é que, mesmo com o devido reforço na proteção (as vacinas), o invasor (o Coronavírus) “aprende rápido” como passar pelas defesas do nosso organismo.

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    • Além disso, todo o planejamento e compra de vacinas foi feito pensando em duas doses da mesma vacina para cada pessoa. Não sei se é tão fácil mudar isso no meio do jogo…

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