Contracepção.

Independentemente da sua opinião sobre ter ou não filhos, podemos concordar que o ideal é ser uma escolha, não? Sally e Somir concordam que evitar filhos é importante, mas o método entra em discussão. Os impopulares criam a discussão.

Tema de hoje: qual é o melhor método anticoncepcional para usar atualmente?

SOMIR

Eu não sou mulher. Eu seria um irresponsável querendo escolher um método anticoncepcional para uma mulher. Eu provavelmente sou mais bem educado no funcionamento do corpo feminino que 90% das mulheres desse país, mas não é como se isso me tornasse um especialista: é a terrível falta de educação desse povo mesmo. Por isso, eu vou comparar minha visão das coisas com as mulheres que sabem do que estão falando como a Sally. Sally sabe o que é melhor para ela. Eu vou discutir com ela o que uma mulher deve fazer? Não, bobagem. Agora, a pergunta não é qual o melhor método anticoncepcional para a mulher… e sim, em geral.

E aí, a realização que vai emputecer a maioria das mulheres que estão lendo este texto: nesse caso é melhor confiar em homem. Por isso, o melhor método anticoncepcional é a vasectomia. Sim, se você quer um alto grau de segurança para não fazer filhos indesejados, esqueça a mulher e foque no homem. Se você é mulher, provavelmente está rindo sozinha e dizendo que nunca que um homem teria disciplina para tomar um remédio todos os dias sem falha.

E você provavelmente está correta. A vantagem da vasectomia é que ela é à prova de irresponsabilidade. É uma operação (reversível) que elimina os espermatozoides da equação. Pouco invasiva e de rápida recuperação, é o tipo da coisa que grita praticidade masculina. Não quer ter filhos? Foque no homem, porque o homem tende a ter menos impulsos hormonais para manter filhos. Para fazer todo mundo tem impulso, mas para transformar sexo em reprodução mesmo, quem costuma querer mais é a mulher.

Aqui, generalizadoras de fato único vão começar a dizer: “mas EU não quero ter filhos e não sou maluca”, e eu vou responder que se a leitora média do Desfavor fosse base para alguma coisa na sociedade, não teríamos muito tema para escrever, não? Vocês foram selecionadas a ferro e fogo. Quando discutimos aqui, discutimos a sociedade em geral, não casos especiais.

E na sociedade em geral, tem muita mulher que acha lindo fazer filho pra segurar homem, para ter companhia ou mesmo para não se sentir estranha em comparação com as outras. A pressão social para um homem ter filhos é muito pequena, homens acham engraçado sumir quando mulher atrasa menstruação. Podem achar horrível o quando quiserem, mas é assim que boa parte das pessoas são.

É uma besteira histórica colocar a contracepção sob a responsabilidade da mulher. A popularização da camisinha diminuiu um pouco essa pressão, mas convenhamos: camisinha serve para evitar filhos, mas foi pensada para evitar doenças. Tanto que vive dando errado. Evitar gravidez não é o foco da camisinha, é um efeito colateral que muitos de nós achamos prático. O grosso do processo anticoncepcional ainda está nos remédios que a mulher usa. Pegamos o sexo com a maior carga hormonal de desejo de engravidar e colocamos na mão delas a responsabilidade de colocar em prática o oposto?

Isso tinha que ser com o homem. E desde que a vasectomia se tornou uma cirurgia simples com baixíssimo risco, podemos fazer as coisas do jeito correto. Não é no corpo do homem que o bebê vai ficar, as opções dele são limitadas depois da concepção. Salvo um psicopata que force o aborto ou mate a mulher, o homem fica só esperando para ver o que a mulher vai fazer. Em sociedades minimamente civilizadas, mulher tem poder demais sobre o tema. O homem deveria ter o poder logo no começo: se quiser ter filhos, desfaz a vasectomia. Aí, a chance de ficar preso com uma maluca é muito menor.

Eu acho que aborto deveria ser legalizado e o homem ter a escolha de deixar escrito que não quer o filho para não ser obrigado a pagar pensão caso a mulher queira manter. Mas eu sei que esse mundo não existe e provavelmente não vou estar vivo para ver ele existir. Então, enquanto isso não acontece e ambos os sexos tenham direitos de verdade em relação à reprodução (aceito de boa que as mulheres ganhem primeiro e os homens depois), a melhor coisa é o homem matar o problema de cara.

E tem uma questão mecânica também: mulher é um bicho complicado demais, são uns 30 pedaços diferentes fazendo um monte de coisa maluca no sistema reprodutor delas. No homem é um tubo que você fecha com um enforca-gato e a chance de fazer filho cai para níveis negligíveis. Tem mil coisas que podem dar errado no processo feminino, no homem tem um ponto de falha e pronto. Dá pra fazer o teste depois e ver se tem espermatozoides saindo ainda. Se não tiver, missão cumprida.

Pode pegar a louca que quiser e o pior que acontece é pegar doença. Pra isso tem camisinha, que funciona muito bem, obrigado. O homem não fica mais na mão de mulher nenhuma, a mulher não precisa ficar mexendo com seus hormônios, não precisa ficar fazendo processos repetitivos cheios de pontos de falha… fechou o tubo, acabou.

A única coisa segurando o melhor método contraceptivo é o homem. Se inventarem uma forma de fazer a cirurgia ainda mais rápido e fizerem de graça, a maioria dos problemas com filhos indesejados desaparece. No fundo, todo mundo que pensa sobre o tema percebe que o segredo é focar no homem, mas ainda não temos nenhuma sociedade que realmente está interessada em parar com filhos indesejados, seja por motivos religiosos, seja por interesses econômicos.

Quando o mundo quiser resolver isso, vira problema do homem.

Para me chamar de machista mas concordar comigo, para dizer que se homem fizesse alguma coisa direito não teríamos sequer essa conversa, ou mesmo para dizer que é só não transar: somir@desfavor.com

SALLY

Qual é o melhor método anticoncepcional para usar atualmente?

SIU (Sistema Intrauterino), conhecido também como DIU Hormonal. Ele é o método anticoncepcional não-permanente mais eficaz que existe hoje no mercado.

Não sei se ele é indicado para todas as pessoas nem se todas as mulheres se darão bem com ele, mas não é esse o ponto. A questão é em abstrato: de tudo que está disponível, qual é a melhor opção.

É basicamente um DIU, que se coloca no útero, como qualquer outro, mas que libera hormônios gradualmente (em baixa quantidade) que impedem a gestação. Eu considero esse método o melhor por vários motivos e aqui vai um parágrafo para cada um deles.

É reversível. Eu sei que EU não quero ter filhos e tenho essa decisão clara na minha cabeça, mas podem existir pessoas que queiram ter filhos no futuro ou que ainda não tenham essa decisão 100% consolidada, portanto, é uma porta que a maior parte das pessoas quer deixar aberta. Métodos irreversíveis não atendem à maioria das pessoas. Além disso, no Brasil, é quase impossível conseguir quem faça um método irreversível em quem não tem filhos.

É prático. Ao contrário da pílula anticoncepcional, não demanda disciplina para ser 99,7% seguro. Se você não toma a pílula todo dia no mesmo horário, pode acabar engravidando. Pedir que uma pessoa seja infalível os 365 dias do ano é pedir demais, em algum momento a pessoa vai esquecer ou atrasar. Um método que, para funcionar, depende da minha perfeição não é um bom método.

É eficaz. Eu sei que tomar hormônio não é o melhor dos mundos, mas os métodos de barreira não são eficazes. Camisinha, por exemplo, é um método ruim para evitar gravidez. Dentre os métodos hormonais, é o mais seguro, seja liberação lenta e em pouca quantidade de hormônio, seja por não depender da pessoa que o utiliza para fazer efeito.

Durabilidade. Dura em média cinco anos. Você coloca, só precisa de revisões anuais e não tem que se preocupar com isso pelos próximos anos. Não tem que ficar comprando todo mês, não tem que lembrar de colocar ou tomar, não tem que se preocupar com nada, são cinco anos livre e segura.

É imperceptível. Outros métodos hormonais que não são de ingestão, como o anel vaginal, não são imperceptíveis. Você sente. Seu parceiro sente. E tem que trocar com frequência. E são caros.

É de fácil reversão. Ao contrário de chips, implantes e similares, assim que você retira já pode engravidar. Não há demora para retomar a fertilidade. Pode não parecer um ponto importante para você, mas depois que eu vi uma conhecida engravidar para tentar salvar a vida da filha (que precisava de uma doação que um irmão/irmã poderia prover), eu passei a considerar esse critério também.

Pode ser usado durante amamentação. Esse papo de que mulher amamentando não engravida é mentira, ok? Se você não quer emendar um filho no outro, tem que se cuidar. E, nessa fase, métodos anticoncepcionais hormonais comuns costumam ser proibidos. Não condene seu planejamento familiar a camisinha, você pode levar um susto.

Pode interromper o fluxo menstrual. Eu sinceramente desconheço uma mulher que esteja em seu juízo mental perfeito e que goste de ficar menstruada. Em seu juízo mental perfeito, eu disse. Não gente que lava o cabelo uma vez por semana e bate palmas para o por do sol. Elimina esse desconforto ou ao menos reduz muito o fluxo, reduzindo junto cólicas e demais problemas que acompanham a menstruação.

Pode ser utilizado por mulheres que nunca tiveram filhos. O máximo que pode acontecer é que seu ginecologista recomende um procedimento com sedação leve para dilatar um pouco a entrada no colo do útero, de modo a que a colocação seja indolor. E, se ele propuser isso, aceite. Não faça como eu fiz, de achar que é rapidinho, que não precisa. Precisa.

Não há resistência em prescrevê-lo para pessoas que nunca tiveram filhos. Eu passei quase 20 anos implorando para médicos ligarem minhas trompas. Médicos de plano de saúde, médicos particulares. Ofereci pagar o dobro, ofereci pagar em dinheiro. Não fazem. Por uma questão de ética deles, simplesmente não fazem em mulher que nunca teve filhos. Mas o SIU eles prescrevem sem problemas.

É coberto por muitos planos de saúde. Acredite, mesmo que seu plano não cubra, se você entrar em contato e fizer uma solicitação, é possível que topem pagar por tudo, inclusive pela colocação. A coisa que plano de saúde mais quer é que seus segurados não tenham filhos. Geralmente um pedido do médico justificando a necessidade desse método basta.

Preço. Sim, preço. O valor é alto, mas é um investimento pelos próximos cinco anos. Faça as contas do quanto você vai gastar com anel vaginal ou com pílula em cinco anos e veja que compensa. E se você usa métodos não hormonais, faça as contas do quanto custa fraldas por cinco anos, pois em algum momento você vai engravidar.

Você coloca e volta para casa andando. É prudente maneirar nas atividades físicas no dia, mas nada de outro mundo. Depois você vai fazem uma ultrassonografia para ver se de fato ele está bem-posicionado e pronto, esquece completamente. Só controles anuais, que você teria que fazer de qualquer forma, por exames preventivos.

Vai ter quem diga que pode causar acne (em 5% dos casos) que pode causar aumento de peso e muito mais. Sim. Qualquer método hormonal pode. E o SIU causa menos estragos que pílula, pela quantidade de hormônio liberada. Por esse discurso, a pessoa não pode usar método hormonal. Não usar método hormonal significa que 1) vai usar um método pouco efetivo e correr o risco de engravidar ou 2) para usar um método eficiente, vai ter que usar um método irreversível. Eu prefiro os eventuais efeitos colaterais do SIU, que por sinal, costumam ser muito leves.

Sejamos realistas: a maior parte das pessoas quer ter filhos ou quer ao menos deixar uma porta aberta para o caso de quererem filhos no futuro. Um método irreversível atende a 5% da população. Um método que atende a 5% da população não é um bom método. O SIU é o que há de mais prático, menos nocivo e mais seguro atualmente, quando se avalia o custo-benefício.

Para perguntar se é publi (não é, nunca recebemos um centavo de ninguém), para dizer que hormônio estraga o corpo (espera para ver o que uma gravidez faz) ou ainda para dizer que menstruação é a expressão máxima da feminilidade de uma mulher (se você precisa sangrar para isso eu sinto muito por você): sally@desfavor.com

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Comments (40)

  • Wellington Alves

    Vocês estão esquecendo o sexo anal. Afinal, como já dizia o saudoso Levy Fidelix, aparelho escritor não reproduz.

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  • Só vasectomia ou esterilização feminina (o que é impossível no nosso país se a mulher já não tiver filhos). Conheço pessoas que usaram de tudo e deu merda. O que a Sally indicou realmente é o melhor, mas tem que ter condições financeiras pra fazer…

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    • Mas é complicado pedir que um homem faça algo irreversível como método anticoncepcional, principalmente quando ele ainda não tem filhos…

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  • Menstruar faz parte da vida da mulher, é natural da sua condição de ser mulher.
    Penso aqui comigo: quais estudos foram feitos com a mulher que NÃO menstrua?
    Como mulher que não fez uso da pílula anticoncepcional por problema de incompatibilidade
    ela e eu, (a pílula e eu), e eu não quis também corpo estranho no meu útero,
    usávamos preservativos, sempre menstruei, nunca tive problemas de TPM, cólicas, frescurites etc e tal,
    NÃO acho normal nao menstruar.
    Creio que um dia algo não bom será descoberto na vida da mulher e a causa será a ausência da menstruação.
    Não é por acaso que chamam a menstruação de “regra”.
    Tivemos uma filha por escolha nossa, a teimosa NÃO menstrua, e tem uma vida com épocas de TPM, cólica, fibromialgia, enxaqueca e mi mi mi dói aqui e dói ali.

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    • Milhões de estudos foram feitos com mulheres que tomam diversos métodos contracepticos que suprimem menstruação e todos eles atestaram que é perfeitamente seguro. Esse papo de ser “natural da condição de mulher” só vale para o que convém, né? Tem tanta coisa que é “natural da condição de mulher” mas que ninguém pensa nem duas vezes antes de mexer… Seria natural da mulher ter mais de dez filhos durante a vida, por exemplo.

      O que eu creio é que você é uma pessoa que ficou parada no tempo, atrasada, com medo de modernidade e muito, mas muito mal informada. Uma pena.

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      • Pois é Sally, esse povo esquece que “a condição natural da mulher” é algo muito parecido com casar aos 14 anos, ter um filho a cada ano / ano e meio, e talvez morrer de parto aos 27 (junto com o filho). Por acaso aconteceu exatamente assim com uma das minhas trisavós paternas.

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        • Inclusive a condição natural da mulher é morrer por volta dos 30 anos. Nada de tomar antibiótico ou fazer cirurgia, vamos viver todos de acordo com nossa condição natural!

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    • Nem todas as mulheres podem menstruar. Eu por exemplo não posso pois tenho problemas. Na minha primeira menstruação eu quase morri de tanta dor. Não era uma dor normal, eu não conseguia nem ao menos ficar em pé por causa disso. O resultado foi que o meu médico me prescreveu um medicamento para que eu não menstruasse mais, no entanto, isso não me impede de ter filhos, pois existem milhares de tratamentos para isso. Não menstruo faz mais de 15 anos. É seguro, os médicos indicam em alguns casos.

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        • O remédio na verdade é um anticoncepcional que deve ser tomado todos os dias. No caso, esse anticoncepcional tem a dosagem mais alta que outros, e só pude tomar com prescrição médica e depois te ter feito exames e tals. Não se pode tomar anticoncepcional para parar de menstruar de qualquer jeito, pq as vezes não funciona por causa da dosagem hormonal.

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    • Que bom que você nunca teve cólicas e outras “frescurites”. Pena que não me adaptei ao DIU. A pílula e não menstruar foram as melhores aliadas que eu tive como mulher. Chega de cólicas, sangue, inchaço. Não menstruar é vida e liberdade! Quanto mais métodos para nos livrar desse fardo melhor.

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      • Mas você usou o DIU Mirena? Ele é super indicado para quem quer reduzir cólica e não menstruar.

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  • Se é para pensar em termos de saúde pública, em que a a maioria da população depende do SUS, eu elegeria DIU de cobre, justamente por não ser hormonal.

    Aumenta a possibilidade de ter um fluxo maior e mais cólica, mas não é regra geral. Já o uso de hormônios aumenta o risco de tromboses e AVC’s, ou seja, para o SUS o custo de atendimento a essas ocorrências seria muito alto (isso quando conseguisse atender). No aspecto humano, então, fica evidente a vantagem.

    Poucas mulheres teriam acesso a fazer um exame de mapeamento de genes para identificar alguma mutação que indique maior risco dessas ocorrências, e evitar ingerir hormônios, pois o exame é caro e, se em plano privado já é difícil conseguir fazê-lo, imagina na rede pública. Mesmo que não houvesse contra indicação genética, sedentarismo, obesidade, pressão alta, má alimentação, etc. são fatores que tem aumentado cada vez mais o risco – junte hormônios e aumente a probabilidade de uma bomba relógio. Não é à toa que cada vez mais mulheres, e cada vez mais jovens, tem sofrido AVC’s e tromboses.

    Risco por risco, entendo mais prudente o que não impacta na permanência de sua vida (ou futura qualidade de vida) de forma tão drástica.

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    • O problema é que o DIU de cobre tem uma resistência monstra em boa parte da população pois se entende que ele não seria contraceptivo, seria “aborto”, uma vez que você tem fecundação. As igrejas, principalmente as evangélicas, fazem muita propaganda negativa.

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      • Eu uso o de cobre e não fazia ideia dos comentários a respeito do “aborto” que ele causa (não que eu me importe). Como assim?
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        • O DIU de cobre funciona, resumindo de forma muito pouco técnica, da seguinte forma: a mulher ovula, o espermatozoide chega até o óvulo, o fecunda, ele começa o processo de divisão celular e vai migrando pela trompa até chegar no útero. Quando chega, o efeito do DIU no organismo impede que ele se fixe às paredes so útero, onde conseguiria nutrientes e cresceria, então, ele é “descartado” com a menstruação, sai no sangramento.

          Para muitos, a vida se forma no momento em que o espermatozoide entra no óvulo, por isso, o que o DIU de cobre faria não seria impedir a concepção e sim descartá-la. Para quem leva isso a ferro e fogo a suposta pena de deus é a de um abordo por cada menstruação, o povo fica com muito medo.

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          • Até aí o DIU Mirena funciona da mesma maneira, Sally.

            A ação local do hormônio não permite o endométrio crescer e virar a “caminha” pro embrião. Então não tem onde ele se implantar e também seria um “aborto”.

            Muito poucas mulheres deixam de ovular com DIU Mirena, na verdade. Essa é a grande vantagem, a ação hormonal é local (uterina) e não sistêmica (ovário), por isso muito menos efeito colateral.

            O preconceito com DIU é geral na minha experiência. Aliás, com todos os métodos, se falamos da Igreja Evangélica.

            E só pra palpitar no post, concordo com o Somir.

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            • Meu gineco me disse que com o Mirena além de reduzir em muito as chances da mulher ovular, também ocorre um aumentando a espessura do muco cervical e a consequência disso seria que, mesmo que eventualmente a mulher ovule, o espermatozoide dificilmente consegue completar seu trajeto. É verdade?

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              • Em relação a ovulação está pouco correto. Como eu disse, a maioria das mulheres ainda ovula, por isso não há interferência na libido com o uso do DIU Mirena.

                Em relação ao muco, realmente há o espessamento mesmo! Mas o que REALMENTE faz diferença para a contracepção é o endométrio “careca”. A falta da camada que é necessária para a implantação do embrião.

                O pessoal vende o Mirena como inibidor de ovulação pra melhor aceitação de quem acha que impedir implantação de zigoto é aborto. Mas no fim do dia, os dois DIUs são exatamente a mesma coisa (com diferença nos efeitos colaterais, não na função contraceptiva deles).

                E eu acho realmente que tem muito GO que não sabe (ou não quer saber) sobre isso, porque GO também é um grande desestimulador do uso de DIU, especialmente de cobre. Então fingir que eles não são iguais deixa mais fácil indicar o mais caro deles!

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              • E esqueci de comentar também, mas além de tudo isso, a grande função do DIU de cobre é matar os espermatozoides quando eles entram na cavidade uterina. Então sim, a chance de haver fecundação usando o DIU de cobre é tão pequena (ou até menor!) do que usando o DIU Mirena.

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  • Seguro mesmo só ligamento de trompas pras mulheres e vasectomia pros homens. Pílula eu garanto que NÃO é seguro, porque minha mãe usava e eu nasci. Só se for daquelas que nem deixa menstruar igual minha namorada usa. Esse negócio de DIU não conheço, mas se a Sally disse que é bom, usem. O que não pode é botar mais brasileiros no mundo. Se depender de mim não nasce mais ninguém!

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    • Mesmo essa pílula que sua namorada usa, se não for tomada todo dia no mesmo horário, pode falhar.
      O SIU é um DIU que joga hormônio no corpo, tal como uma pílula, só que fica dentro do útero, por isso não depende que a pessoa se lembre de tomar.

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  • Eu coloquei DIU quando era mais nova e não me adaptei, tive muita cólica, fluxo intenso, voltei pra pílula. Eu não me importo em tomar pílula pq sou super adaptada a ela, nunca tive efeitos colaterais, mas queria algo mais prático. Talvez eu tente novamente. E realmente, mesmo particular não operam. Um absurdo uma mulher com 36 anos ser tratada como idiota e incapaz de tomar as próprias decisões.

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    • O DIU de cobre realmente faz isso. Mas o DIU hormonal (chamam de DIU Mirena) faz o contrário: você não menstrua mais, ou menstrua menos.

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    • Acredito que todos aqui entenderam o sarcasmo, mas muito lugar tenta vender essa idéia. E adivinha a taxa de natalidade na adolescência?

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      • De uns anos pra cá, tivemos novas nomenclaturas e definições de diversas sexualidades, orientações, gêneros, etc.. Em exemplo, tem um termo pra bissexuais que só transam com um dos sexos. Sim, há muitas mudanças e novos termos.

        No entanto, não deixa de ser bizarra sua afirmação. O mesmo que dizer que veganos comem carne, ou ateus acreditam em algum deus ou deuses. E, acredite, estou tentando ser educado.

        Talvez o termo que procura seja “arromântico”.

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        • Talvez ela tenha se referido a um subgrupo de assexuais que topam transar ocasionalmente pra agradar o parceiro que não é assexual. Por mim, são simplesmente pessoas que têm a líbido naturalmente baixa (quanto uma pessoa deve gostar de sexo pra ser considerada normal, aliás?), mas se a pessoa quiser se dizer assexual quem sou eu pra impedir…

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