Lerê, lerê...Ter uma empregada doméstica naqueles moldes tradicionais, vivendo na sua casa com você, é incorreto, desumano e escroto.

Comecei rasgando de propósito. Agora que já tenho a sua atenção (e sua raiva e revolta), vamos desenvolver o tema.

Uma empregada doméstica que resida na sua casa, em um quartinho micro nos fundos que muitas vezes nem janela tem e que te atenda 24h por dia não difere muito de escravidão. Só porque se paga um salário (que não é grandes coisa) e se aboliram as correntes, não quer dizer que seja correto e ético manter outro ser humano nessas condições. Para mim só tem um nome uma porra dessas: barbárie.

Uma pessoa cuja vida e rotina é cuidar dos bens de outras pessoas, quando ela própria não tem quase nada, não pode deixar de sentir ressentimento. Coloque-se no lugar dela. Você em uma casa onde as pessoas vivem com conforto tem que lavar, passar, cozinhar e arrumar para uma famílias, quando a SUA família está sozinha e não tem tanta mordomia. Como pedir que uma pessoa nessas condições não sinta inveja, ressentimento, revolta e outros sentimentos negativos?

“Mas a Fulana que trabalha aqui em casa já é da família, a gente trata ela como se fosse da família”. Vai desculpar mas eu duvido muito. Ela senta na mesa com toda a família para comer ou come na cozinha? Ocupa um quarto no mesmo setor da casa ou dorme em um micro-quarto na cozinha? Se bobear o cachorro da casa é mais bem tratado e dorme no seu quarto com ar condicionado enquanto ela tem que dormir em um quartinho dos fundos passando calor com um ventilador. Tratar com humanidade e educação é OBRIGAÇÃO, e não bondade de quem a trata como se fosse da família. Ela é mesmo da família? Ok, então quando a sua avó vai na sua casa, ela fica nas mesmas condições que a empregada?

Reparem que não falo da diarista que vai, faz seu serviço e vai embora viver a sua vida. Isto é uma prestação de serviços como qualquer outra, com uma jornada de trabalho com hora para começar e acabar que te permite ter uma vida pessoal em paralelo. Falo daquelas pessoas que ficam escravizadas em um cantinho da casa porque esta é a única forma que tem de ganhar dinheiro. Pessoas que passam uma semana longe de seus filhos para poder sustentá-los. Você acha bonito deixar uma pessoa longe dos filhos a maior parte de sua semana em nome do seu conforto? Eu acho abominante.

Sem contar o estranhamento que me causa que as pessoas se sujeitem a coabitar com alguém que bem ou mal é estranho. Uma pessoa com cultura costumes completamente diferentes esbarrando com você na sua casa. Só eu acho isso desconfortável? Pessoas pensam mil vezes antes de ir morar com o namorado ou com uma amiga com a qual vão dividir apartamento porque não sabem se vão se adaptar, mas não tem qualquer problema em enfiar uma pessoa estranha para trabalhar nos serviços domésticos. Talvez porque a empregada fique em condição de subordinação hierárquica trancada na senz… digo, na cozinha e te deva obediência. Fico constrangida só de me imaginar fazendo isso com alguém.

Talvez isso me choque porque no meu país de origem simplesmente não existe nada do tipo. Ninguém aceitaria ficar morando na casa de outra pessoa full time e atendendo-a full time. Talvez uma governanta em uma mansão de alguém muito rico. Mas jamais em um buraquinho na área de serviço de uma família classe média. Ter que servir café da manhã na hora em que o patrão acorda, não importa se são seis da manhã ou onze da manhã. Gente… escravidão foi abolida, ok?

Morro de vergonha desse tipo de coisa. Eu faço meu café da manhã na hora em que acordo e se estou na casa de alguém onde há uma empregada, faço do mesmo jeito, porque fico profundamente constrangida de ter outro ser humano à minha disposição me servindo. Sem contar que me bate um medo tremendo de me acostumar com essa mordomia (a gente se acostuma rápido ao que é cômodo) e depois virar um esforço para mim fazer coisas que julgo serem minhas obrigações pessoais e intransferíveis.

E gente que bota a empregada para lavar suas calcinhas e/ou cuecas? Não tem vergonha não? E gente que termina de comer, levanta e vai assistir televisão e nem tira o prato da mesa e o leva até a pia? Uma coisa é ter alguém que te AJUDE, outra é ter um escravo que faça tudo. E gente que a qualquer hora do dia ou da noite pede para a empregada cozinhar porque está com fome? Não consigo ver esse tipo de coisa, fico muito revoltada.

O mais legal é o auto-perdão com o qual as pessoas encaram esse tipo de exploração. Sim, a palavra é essa: EXPLORAÇÃO. Não é porque você está pagando que passa a ser justo que uma pessoa tenha que ficar morando na sua casa a semana toda te atendendo. Pode ter certeza que se a pessoa tivesse outra opção ela não estaria ali. Quem mantém uma empregada de segunda a sexta (ou até mesmo todos os dias da semana) a está tratando como um animal de estimação que lava e passa. Está privando-a de uma vida pessoal plena e de um convívio com sua família, se aproveitando do seu despreparo para o mercado de trabalho e da sua necessidade econômica. Muita vergonha alheia por quem faz isso e ainda acha que está fazendo um grande favor dando casa e emprego à pessoa.

Graças a esse tipo de aberração vemos famílias onde os filhos da patroa são criados pela empregada, já que a patroa faz filho mas sai de casa de manhã e só volta à noite, enquanto que os filhos da empregada estão sendo criados pela televisão ou pela rua. Muitas vezes o filho mais velho da empregada (nove, dez anos) tem a responsabilidade de cuidar dos seus (muitos) irmãos mais novos. Daí não sabem porque estas crianças em sua maioria acabam mal, metidas em crimes, drogas e outras merdas. Acabam assim porque VOCÊ prendeu a mãe deles na sua casa, não com as tradicionais correntes dos escravos, mas com as novas correntes do século XXI, o DINHEIRO. E você, você mesmo que fez isso, critica quando um dos filhos dela é mostrado tomando um flagrante de prisão por portar drogas na TV, dizendo que “vagabundo tem que prender mesmo” ou que “Não tem que deixar na rua não, tem que prender, vai que vende drogas para o meu filho”.

O que as pessoas não pensam, no seu egoísmo idiota, é que amanhã ou depois o filho desta empregada que mantiveram em cárcere privado em troca de dinheiro pode estar colocando uma arma na cabeça do seu filho. Valeu todo esse conforto de ter alguém preparando suas torradas e seu café de manhã? Se todos os brasileiros pudessem cuidar dos filhos de perto, talvez o país fosse menos merda. Se todos os brasileiros ganhassem o suficiente para não ter que se sujeitar a esse tipo de emprego, talvez o país fosse mais decente.

Daí um dia a empregada faz a limpa na casa e foge. A patroa fica pau da vida, quer até matar. Corre para a delegacia injuriada chamando a empregada de ingrata. Ok, eu não defendo roubo (furto, no caso), mas porra, você achou o que? Que a pessoa vendo os filhos andando com sapato furado porque não tem dinheiro para comprar um par de sapatos novos ia se conformar em ver seus filhos com dez pares de sapatos, entubar tudo isso e continuando a limpar os dez pares de sapatos dos seus filhos? Uma pessoa que passa necessidades, uma pessoa que está endividada, uma pessoa que não pode atender aos pedidos dos filhos, fica em um estado de desilusão e desespero que a faz esquecer facilmente o limite entre o certo e o errado. É certo roubar? NÃO, mas porra, é muito previsível que acabe acontecendo em uma situação como essa. E ainda assim, as pessoas preferem correr o risco em troca de uma escrava pessoal.

Empregada doméstica que resida com os patrões fere a dignidade da pessoa humana e deveria ser considerado ilegal. Quem já tem uma empregada residindo consigo, beleza, não vai jogar a criatura no olho da rua que a lei não está aí para ferrar com as pessoas. Mas, DAQUI PRA FRENTE (Lei do Ventre Livre II), isso não deveria mais ser permitido. Empregada doméstica tem que cumprir jornada de oito horas como qualquer outra profissão e se o patrão quiser alguma coisa fora dessas oito horas ele que levante a bunda da cadeira e faça sozinho. Ou então, que pague três empregadas diferentes para se revezar em turnos de modo a estar sempre sendo atendido. O que não pode é colocar um único ser humano para atender outro ser humano full time, porque mesmo pagando, isto é sim ESCRAVIDÃO. Mesmo que não se façam pedidos full time, só o fato de deixar a pessoa de prontidão full time é cruel.

Muito me admira que as pessoas não apresentem nenhum tipo de estranhamento e continuem achando isso normal. São as mesmas que reclamam horrores dos seus chefes quando estes as obrigam a fazer hora-extra. Dois pesos e duas medidas parece ser a especialidade do brasileiro. Quando enfiam meia trolha no seu rabo dói e é um escândalo, quando você enfia uma trolha inteira no rabo de outra pessoa é frescura se ela gritar.

E quando a empregada vai envelhecendo e continua tendo que executar os serviços domésticos? Mesmo com dificuldade, continua sendo exigido que ela faça trabalhos braçais. Qual opção ela tem, já que passou a vida toda enfurnada naquela casa e não teve outra oportunidade? Nenhuma, a não ser continuar fazendo um trabalho braçal quando o corpo pede descanso. Ou então pior ainda, quando já não pode desempenhar todas as suas funções, periga de ir parar no olho da rua, em uma idade onde dificilmente terá acesso ao mercado de trabalho.

Pessoas que fazem isso com outros seres humanos não se sentem mal? Engraçado, são as mesmas pessoas que morrem de pena de um cachorrinho abandonado na rua e que resgatam gatinhos xexelentos. E se acham super boas pessoas. Uma novidade para vocês: não são. Sujeitar um ser humano a te servir 24h por dia, mesmo pagando, é escravidão, goste você ou não. Infelizmente nosso ordenamento jurídico não evoluiu ao ponto de dar respaldo ao meu argumento, também, pudera, quem faz e aplica as leis é quem adora ter uma escrava servindo 24h por dia.

No final das contas, não sei o que é mais bizarro: não ter o constrangimento e vergonha de fazer isso com outro ser humano ou não sentir estranhamento por ter uma pessoa estranha vivendo debaixo do seu teto, com todas as implicações que isto pode gerar, desde não poder andar pelado dentro de casa até ter esta pessoa educando e cuidando dos seus filhos. Pelo visto o conforto está acima de tudo. Tudo MESMO.

Não sou idiota de achar que uma pessoa nos dias de hoje pode dar conta de ter uma casa limpa e arrumada e trabalhar de forma satisfatória. Um pouco de ajuda não faz mal e não fere a dignidade de ninguém. Como eu já disse, uma diarista com uma jornada de oito horas uma ou duas vezes na semana é bom para ambas as partes. Não estou mandando ninguém aqui ser super-mulher. Apenas seres humanos razoáveis.

O grande problema é que quando não parte da pessoa, espontaneamente, sentir constrangimento por esse tipo de escravização, dificilmente um argumento externo terá resultado. Se a pessoa não tem uma trava que separe o certo do errado, o digno do não digno, o aceitável do inaceitável, não serão estas quatro páginas que vão fazê-la mudar de idéia. Muito mais fácil achar que eu sou maluca/escrota/histérica ou qualquer um dos demais adjetivos que costumam me chamar do que refletir e tentar perceber o absurdo da situação.

Podem continuar se enganando, achando que sua empregada-escrava é feliz nesse esquema, que você faz a ela um favor, que esse modelo de trabalho é perfeitamente normal e que você não fodeu com a vida dela. Mas não venha tentar enganar outras pessoas, porque não cola. Se você mantém uma empregada nessas condições você é uma pessoa horrível que se assemelha a um senhor feudal, a um senhor de escravos que, além de cagar e andar para o outro ser humano, ainda é um inútil por não saber ou não querer fazer tarefas básicas que pessoas com um pingo de vergonha na cara jamais delegariam.

“Mas Sally…”. Não, hoje não tem “Mas Sally”, hoje não tem argumento. Não consigo nem começar a conversar com quem pensa diferente.

Para dizer que é por essas e outras que ficam me chamando de comunista, para tirar tudo do contexto e provar ser analfabeto funcional me criticando porque eu sou contra qualquer tipo de serviço doméstico e para dizer que descolado mesmo é quem usa serviços de Personal Dish Washer: sally@desfavor.com

Hardoooooo Gay!Advertência: este texto não pretende ser ofensivo aos gays, e sim aos heteros que praticam condutas homossexuais e falam mal dos gays, ou seja, dedicado aos hipócritas mal resolvidos.

Ainda não falamos sobre nenhum tema desagradável nesta semana. Já estava na hora de ser desagradável, não é mesmo? Vamos lá. Vamos falar de forma leviana sobre a sexualidade alheia. O que é considerado gay e o que é considerado hetero nestes dias de hoje? Com certeza o conceito social de homossexual não é o mesmo de trinta anos atrás e, consequentemente, isso reflete no conceito de hetero. Por mais errado que seja, é utopia pensar que podemos viver sem estes conceitos.

Sejamos grossos: o que te dá o direito de chamar alguém de “viado”? NADA. Excelente resposta. É medíocre classificar um ser humano por sua sexualidade. MAS… vivemos em um mundo escroto onde neguinho classifica mesmo, então, que pelo menos classifiquem de uma forma mais correta, pode ser? Vejo uma enorme confusão na cabeça dos brasileiros acerca de rótulos envolvendo sexualidade.

A facilidade com que muitas vezes se chama alguém que não é gay de viado e a dificuldade em aceitar que uma pessoa notoriamente homossexual seja de fato homossexual me deixam confusa algumas vezes. Por exemplo, existe um consenso implícito entre algumas pessoas de que se um homem faz sexo com outro homem e é o ativo, ele não é considerado homossexual, gay, bicha, viado ou o termo que se queira usar. Não compreendo esta lógica. Fez sexo com uma pessoa do mesmo sexo e pelo visto gostou, porque se não, não tinha procurado por alguém do mesmo sexo ou não tinha consumado o ato. Não é viado por causa DE QUE? Na verdade, eu acho até que o ativo é mais viado que o passivo. E ainda tem marmanjo que come o rabo de outro homem e fica esculhambando a comunidade gay!

Não entendo o critério do brasileiro para determinar quem é “tecnicamente viado”. Ao que parece, retirado o lacre do cu, a pessoa vira viado. Se comer o rabo de outro macho mas permancere com seu brioco intacto, não é viado. O critério para se considerado socialmente viado seria apenas o dar o cu? Complicado, né? É uma teoria falha. Um homem estuprado seria viado então? Um homem que tenha feito sexo uma única vez com outro homem para experimentar e não tenha gostado é viado? Um homem que tenha enfiado um vibrador no seu próprio rabo é viado? Um homem que peça para a namorada fazer fio-terra é viado?

Eu sei, eu sei. Não adiantra repetir que sexualidade não é algo tão simples que se possa classificar usando um ato isolado. Mas, já que existe um grupo que classifica com esta facilidade tirando o seu da reta, fiquei com vontade de praticar um exercício argumentativo para mostrar que, mesmo dentro da lógica desse grupo, seu argumento não se sustenta. Se estão partindo da premissa que quem dá o cu é viado e ponto final, eu respondo dizendo que quem come é muito mais. É uma argumentação audaciosa, já que eu não tenho pênis, mas vamos lá: Para dar a bunda o homem não precisa estar com vontade de dar a bunda. Não precisa estar excitado. Não precisa sentir atração sexual pelo outro homem. Basta ficar parado e, literalmente, tomar no cu. Não prova nada, não indica nada.

Mas, em contrapartida, quem come precisa gostar do que está fazendo, caso contrário não terá uma ereção (eu avisei que o texto seria incômodo e desagradável – e vai ficar pior). Olhar para uma bunda masculina cabeluda e ficar de pau duro indica muito mais afeição pelo mesmo sexo do que simplesmente ficar parado e levar uma trolha no fiofó. Hoje em dia tá cheio de vagabunda querendo dar em tudo quanto é canto, o homem que recorre a outro homem o faz por preferência (excetuando situações atípicas, como presídios ou prostituição, por exemplo). Trabalhemos com a regra geral: hoje há disponibilidade de mulher, mesmo que se tenha que pagar, apesar de achar que sempre tem uma vadia doida para dar de graça.

Mesmo sem ser um homem, até onde eu sei, é preciso que exista um estímulo sexualmente atraente para que ocorra uma ereção. Ver outro homem nu, sentir o cheiro de macho suado, ouvir uma voz grossa e como reação ter uma ereção e MANTER esta ereção enquanto faz sexo com esse homem me parece mais prova de viadagem do que simplesmente ser penetrado. O grande problema da minha teoria é que teriamos muito suposto machão sendo classificado de viado. Talvez por isso aqueles que fazem sexo de forma ativa com outros homens sejam “absolvidos”: porque são muitos! Até mesmo heróis nacionais, como Pelé, por exemplo, que confessou que sua primeira vez foi com um homem. Perigoso, né? Vai ter muita gente quicando com esta teoria.

“Mas Sally, homem mete em qualquer coisa, em bananeira, em galinha e em cabra, para eles tanto faz, qualquer homem é capaz de comer outro homem”. Para começo de conversa, não acredito que isso seja verdade. Eu conheço histórias de pessoas que tentaram fazer sexo com outros homens e simplesmente não conseguiram. Suas palavras forma esclarecedoras: “Não adianta, Sally, não sobre”. Depois, ainda tem o fato da escolha, porque um homem escolheria fazer sexo anal com outro homem com tanta mulher disponível?

Já que nossa sociedade insiste em classificar a sexualidade de alguém, não seria mais óbvio adotar o critério do INTERESSE SEXUAL? Não é um daqueles textos onde eu afirmo algo porque acredito nisso, é um daqueles textos onde eu pergunto porque não sei a resposta.

Não custa esclarecer que a intenção aqui não é rotular, e sim aprender a identificar. Com a crescente aceitação social da homossexualidade, mais e mais homossexuais estão se assumindo e com isso, eventualmente se faz necessário aprender a identificá-los para fins de flerte. Tanto para saber com quem flertar como para saber com quem não flertar. Sem contar que sempre podemos cruzar com um parceiro que está, digamos, indeciso ou que ainda não percebeu sua própria homossexualidade. Chegamos ao ponto de confusão em que homossexualidade é relativa, o que é gay para uma pessoa pode não ser gay para a outra. E agora, comofas, miguxos?

O que é gay para você? O limite é muito pessoal. Se o seu namorado te fala que sente atração sexual por outro homem, você acha gay? Se ele pedir para enfiar um vibrador no seu roscofó você vai achar ele gay? Se ele pedir para fazer sexo a três com outro homem e ficar se esfregando pelado neste outro homem ele é gay? Se ele pedir para te chamar por um nome masculino durante o sexo ele é gay? Se ele tiver um orgasmo por estimulação anal você vai achar ele gay? Bissexuais são gay + hetero ou são uma categoria separada que não tem nada de gay? Metade dessas eu não sei responder, mesmo pensando bastante sobre o assunto.

Antes tinhamos o preto e o branco, o gay e o hetero. Hoje tem essa enorme zona cinzenta com várias derivações difícieis de assimilar. Conheço uma pessoa casada com um homem que dentro de casa se veste de mulher (salvo engano, cross-dresser), com direito a batom e tudo. Eu não sei se eu suportaria isso e eu não sei se isso é ser gay. Ele gosta de mulher, só faz sexo com mulher, não tem atração por homem, mas se veste como mulher: cabelos longos, saia, meia calça, depilação e batom. Mesmo sem fazer sexo ou sentir atração por outros homens ele é gay? Eu acho que não, mas com certeza muita gente vai discordar.

Na minha cabeça faz mais sentido se observar o que desperta a atração sexual da pessoa para tentar dizer se é ou não gay. Se um homem se sente sexualmente atraído por outros homens, faz sexo com mulheres fantasiando estar com homens, se masturba pensando em homens mas nunca teve coragem, por preconceito, se fazer sexo com outro homem, ele seria gay? Este homem me parece mais gay do que um que eventualmente tenha feito sexo com outro homem e não tenha gostado. Mas o fato de também fazer sexo com mulheres, mesmo sem gostar tanto, o tira da categoria gay e o coloca na categoria hetero? É o fazer sexo com ambos ou o gostar de sexo com ambos que classifica alguém como gay ou bi?

Confesso que estou confusa e que não tenho uma opinião fechada sobre o assunto. Atualmente penso que o determinante para dizer se homens ou mulheres são gays é a atração sexual: se sente por ambos os sexos é bi e se sente apenas pelo sexo oposto é gay. Mas posso (e acredito que vou) mudar de idéia, ainda estou refletindo sobre isso e quero a opinião de vocês.

Nesta linha de se levar em conta a atração sexual, minha teoria de que é muito mais gay comer do que dar encontra validação. Para dar o fiofó não é preciso se sentir sexualmente atraído por outro homem, ao menos não naquele exato momento. Para comer é preciso que algo desperte excitação sexual. Para procurar um homem para fazer sexo, quero dizer, para fazer a opção de um homem em detrimento de uma mulher, é preciso que a idéia de fazer sexo com um homem seja, no mínimo, convidativa. Para manter uma ereção durante todo o ato, enquanto roça em outro homem suado, é preciso que aquilo não cause repulsa.

O que acontece, e, mais uma vez, é apenas uma teoria minha, não tenho a pretensão de ter razão (não desta vez) é que muitos homens tem tanto pavor de admitir que podem ser gays, bissexuais ou tantas outras classificações que não sejam o padrão Hetero Machão, que criam as desculpas mais esfarrapadas para se convencer e convencer os outros de que, apesar dos pesares, existe outra explicação para esta preferência. Com o tempo, falsas premissas que incobrem viadinhos, como a de que quem come é macho e quem dá é gay acabou sendo socialmente aceita e até mesmo tida como verdadeira. Está na hora de refletir sobre esses conceitos e atualizá-los, não importa a idade que você tenha. Só muda de idéia quem as tem.

Neste ponto você deve estar se perguntando qual é a razão de ser de uma classificação. Não seria mais fácil cada um fazer o que quer e o que se sentir bem? Não seria mais simples amar seres humanos independente da forma como estas pessoas escolhem para ter prazer sexual? Seria, mas infelizmente para viver em sociedade é necessário estabelecer algumas classificações. Em um mundo ideal isso não seria necessário, mas vivemos em um mundo de merda, não em um mundo ideal.

Existe ex-gay? A pessoa pode ter interesse sexual em pessoas do mesmo sexo em parte de sua vida e depois mudar sua preferência sexual e passar a se interessar apenas por pessoas do sexo oposto? Essa pessoa que já teve interesse por pessoas do mesmo sexo mas que atualmente só se relaciona com pessoas do sexo oposto é tecnicamente gay apenas por causa do seu passado?

Anseio pelo dia em que os documentos de identidade conterão apenas um quadradinho no que diz respeito ao gênero da pessoa: ser humano. Mal posso esperar que esses conceitos de masculino ou feminino se tornem obsoletos, quem sabe assim passamos a reparar em outros aspectos mais importantes das pessoas, em vez dessa fixação de saber se ela goza metendo no cu ou na buceta. Sério, o que isso diz sobre alguém? NADA.

Para dizer que pela minha teoria, “tem um amigo seu” que é viado, para se incomodar tanto com o assunto a ponto de nem comentar ou ainda para dizer que gosta de textos que trazem respostas, porque de dúvidas sua vida já está cheia: sally@desfavor.com

Simply?

SEMANA DO AVESSO:Durante esta semana, meu objetivo é explorar alguns elementos da minha personalidade que são mais comuns à Sally. “Mas, Somir, você vai imitar o que ela posta?” Não, anta, o objetivo não é debochar dessa forma, ainda sou eu escrevendo, só que menos… pau no cu. O lado positivo é que ela vai ter que seguir minha linha de respostas nos comentários e muitos cavalos ficarão sem ouvir bom-dia.

Com um título desses, só pode ser uma autobiografia, certo? Ha! Velhos hábitos são ruins de abandonar. Um deles em especial: Ser do contra. Apesar dessa minha vertente elitista, tenho uma birra das grandes com esse conceito social/sacal do “melhor”.

Pra tudo quanto é lado tem gente dizendo que sabe definir o melhor carro, a melhor roupa, a melhor música, a melhor comida… Como se essa fosse uma porra de uma medida universal! Essa gentinha babaca não quer informar o mundo para fazer melhores escolhas, eles querem mesmo é continuar essa punhetação ridícula e SE divulgar como único mensageiro de um deus misterioso. Esse tipo de elitista quer definir seu gosto como se fosse a manifestação profética de seu próprio valor.

Quão loser tem que ser uma pessoa para tentar emprestar credibilidade de um objeto inanimado para parecer mais interessante? Se você se acha especial por conseguir identificar qual garrafa de uvas podres vale mais, sinto te informar que você é peso morto neste planeta. Sério, outras pessoas só fingem acreditar que você vale alguma coisa porque querem fazer parte do mesmo clubinho na expectativa de não ficarem tão sozinhas assim. Podia ser vinho ou mijo de mula manca (mijô di mulá). A categoria na qual você se excede foi inventada mesmo…

Como eu não sou eunu… enólogo, tenho uma opinião bem particular sobre vinho: O melhor é aquele que faz ela dar para você antes de vomitar. Disse isso uma vez numa mesa de bar para um babaca que falava sobre as diferenças sutis entre as uvas de diferentes regiões da França. O pessoal riu, ele ficou com cara de bosta. Percebendo o problema, complementei dizendo que obviamente aquela era minha opinião e se ele gostava que elas vomitassem durante o sexo, era ainda melhor porque o vinho podia ser mais barato. Até disse que respeitava a opção dele, cada um com suas taras, certo? Não melhorou o clima.

E vinho é só um exemplo. O que não falta é gente se juntando para sessões de masturbação coletiva (que não são gozadas) para apreciar características únicas e especiais de porcarias banais, tem especialista em café, tem especialista em charuto (não me surpreende), tem especialista em praticamente tudo o que pode ser categorizado por preço e raridade. Até porque o segredo é esse, apontar “o melhor” costuma andar de mãos dadas com a falta de coisa melhor para fazer de gente endinheirada.

O panaca poderia estar gastando seu dinheiro honestamente cheirando cocaína sobre o corpo nu de uma prostituta de luxo, mas prefere fungar uma xícara de café e inventar termos boiolas para explicar a diferença placebo entre um tipo de grão e outro. E, sério, a maioria absoluta desses especialistas em pouca porcaria só acredita que sabe analisar, porque acabam simplesmente imitando as opiniões dos raríssimos seres humanos com paladares e olfatos extremamente sensíveis. E no final das contas, foda-se: Dá mais status ter algo caro do que algo bom.

Tem várias marcas que aumentam o preço dos seus produtos sem nenhuma razão aparente só para atrair consumidores. Na falta de sentidos super desenvolvidos, a etiqueta com o preço serve. Vivemos num mundo onde aquelas bolsas de nome francês frescurento são vendidas por milhares de dólares e tem OTÁRIA que compra! Compra porque é cara. Compra porque pode… ostentar.

A busca pelo “melhor” é uma busca por ostentação. Não adianta ter o melhor se ninguém souber que isso te torna superior. Publicidade trabalha com esses conceitos a torto e a direito porque funciona. O “melhor” não existe, e se existisse, a nossa economia moderna jamais poderia ter se formado. Se fosse consenso inabalável que a Ferrari é o melhor carro, o cara de meia idade e meia bomba não ficaria em dúvida entre que ralo de gasolina o faria parecer mais deslocado da realidade e as empresas não poderiam enfiar preços exorbitantes neles. Sem insegurança, sem lucro.

Mas não ouse dizer para esses elitistas da insegurança que eles são os maiores otários em toda a cadeia produtiva. Eles estão presos num ciclo vicioso e inabalável de auto-convencimento.

O divertido dessa turma é que eles se levam a sério. Sérião. Gosto é uma coisa muito democrática, alguns são realmente mais educados que outros, mas nenhum te torna intocável. Porra, um mínimo de senso de humor é pedir demais? Eu sou elitista, chatonildo e deixo de gostar de coisas que o povão começa a gostar, mas eu pelo menos tenho bolas de botar isso NA MINHA CONTA e saber rir quando sou sacaneado. Esses malas que se acham medida inquestionável de qualidade precisam de aprovação externa para gostar de alguma coisa.

Porra, já passei horas brigando com a Sally por causa de nossos gostos musicais… Ela é a candidata perfeita: Tem o gosto totalmente oposto ao meu (exceção honrosa: Skylab) e não se furta de brincar com isso. Eu dizia que as músicas que ela adorava pareciam o som de milhares de crianças retardadas passando por um moedor de lixo enferrujado. Ela dizia que as minhas músicas preferidas a faziam imaginar um tetraplégico em coma depois de uma crise depressiva. Tudo muito leve, tudo muito divertido.

Ninguém queria impor seu gosto como “o melhor”. Nunca houve a necessidade de se valorizar por isso (até porque ela não é maluca de tentar se valorizar através daqueles abortos sonoros… hahaha). Essa é a chave.

Adoro quando encontro alguém com gostos musicais parecidos, mas detesto me deparar com o “porteiro do clubinho”, sabem aquela figura filha-da-puta que começa a te testar para saber se você faz parte da “elite”? Duzentos nomes de bandas obscuras depois, essa pessoa tenta te convencer que seu excesso de tempo livre é alguma medida válida de iluminação musical. E isso não é exclusividade de fãs de um estilo ou do outro, sempre tem o maldito “connoisseur” que acha que finalmente achou o sentido da vida numa melodia qualquer.

Ah, vai tomar no cu! Sua opinião abalizada jamais seria a mesma se não tivesse uma presunção agradável para você por trás disso. Se você só quer as características de personalidade atreladas ao estilo musical que defende de forma tão elitista, não é uma vírgula menos fútil e vazio que uma fã de Justin Biba.

E como opiniões diversas ameaçam o equilíbrio do universo umbigo do elitista, sobra para todo mundo. Ele sempre acredita que está sendo alienado pela plebe ignorante, mas na verdade não passa de um mala-sem-alça. Como diria Gezuiz: “Cansei de pregação!”

E nessa área, música não é o único meio de encher a paciência alheia, se tem alguma forma de arte envolvida, tem alguém querendo empurrar seu conceito de “o melhor” para cima dos outros. E é o mesmo processo de aferir qualidade placebo a produtos que podem ser vendidos por preços absurdos. Especialistas em arte decidem que um bando de rabiscos vale mil vezes mais do que outro de forma flagrantemente aleatória e sempre tem uma besta que paga o preço para ter essa ostentação.

Boa parte dessas obras de preços milionários jamais seria vendida se não fosse a assinatura do quadro. Se é raro e custa caro, deve ser “o melhor”, não? O ser humano é tão tarado pela figura do especialista que faz qualquer coisa para se sentir mais próximo de um. Valor por associação. É impressionante quanta gente empurra para frente idéias sobre qualidade artística sem nem concordar com elas.

Resolve-se definir o melhor como valor histórico. Tem obra mais MALA que a Mona Lisa? Aquela baranga aleatória obviamente drogada é provavelmente a obra de arte mais famosa da história. Pode ter dado muito trabalho, pode ter um sorriso enigmático, mas é um quadro chato que só ganhou significados profundos pela vontade das pessoas. Eu já vi painéis de histórias em quadrinhos MELHORES que a Mona Lisa. Se para apreciar um quadro eu preciso inventar significados, eu olho para a minha parede com o mesmo efeito.

Se você vai estudar cinema, já enfiam goela abaixo “Cidadão Kane” como o melhor. Novamente, valor histórico. Não é um filme ruim, longe disso, mas eu acabei de ver O Gladiador pela terceira vez na TV e acho um filme BEM melhor. Ei, Rocky I e II são melhores. Loiras Lésbicas 3 bate todos eles com uma mão só. As pessoas (metidas a elitistas) parecem envergonhadas de apontar que seus gostos nem sempre combinam com o que parece mais cult no momento.

Tudo enfiado dentro de um conceito muito pessoal. Dois elitistas dificilmente vão pensar exatamente da mesma forma. Uma mudança que seja na criação e muito da visão sobre o que é bom ou não vai para as cucuias.

A verdade é que é MUITO difícil definir o que é qualidade de forma abrangente o suficiente para agradar a todos. “O melhor” pode ser um golpe publicitário, uma ilusão de importância, resultado de momento histórico, necessidade de aprovação… “O melhor” pode ser tudo, menos “o melhor”.

A postagem de hoje não aluna minha crítica aos ecléticos. Não ter opinião ainda é vergonhoso.

Por isso que eu digo que entre os elitistas, eu sou o… Erm…

Para dizer que esse foi o melhor texto que eu já escrevi, para dizer que o melhor que eu posso fazer é me calar, ou mesmo para dizer que já está se culpando por ter elogiado ontem: somir@desfavor.com

Oh Grande Desfavor!

SEMANA DO AVESSO:Nesta semana tenho a árdua tarefa de soltar o “Somir” que existe dentro de mim e alimentá-lo. Serei seu “Somir” nesta semana, o que significa que serei de arrogante, escrota, elitista, e, como conseqüência, não responderei a perguntas nos comentários, não atenderei a nenhuma sugestão, não usarei palavrões e escreverei menos páginas do que costumo escrever. Mas tenho uma boa notícia para vocês: Somir terá que soltar seu lado “Sally”, ou seja, terá que ser amável, solícito e sociável, OU SEJA, terá que responder A TODOS OS COMENTÁRIOS DIRIGIDOS A ELE em seus textos. Por favor, COMENTEM, comentem qualquer merda, mas comentem dirigido a ele. Quero ver ele tendo que atender aos leitores… hahaha

Hoje vou falar do nosso blog, o Desfavor. Desfavor contém tudo que você precisa: humor, informação, fofoca, política, atualidades, ciência e diversidade de opiniões. Onde mais se encontram todos estes ingredientes juntos? Desfavor é tudo que você precisa, não há mais necessidade de ler jornais, revistas e notícias no geral, está tudo aqui, condensado e mastigado para o leitor. Em um mundo moderno onde o que importa não é mais a informação em si, porque informação abunda na internet, e sim uma fonte confiável e um olhar crítico esmiuçando aquela informação, o Desfavor veio fazer a diferença. Se eu tivesse que recomendar uma única fonte de informação a uma pessoa sem tempo, seria o Desfavor.

O blog como meio de comunicação estava sendo utilizado de forma banal antes da chegada do Desfavor. Era praticamente uma reedição de quadrinhos, onde desenhos ou fotos de rápida e fácil compreensão levavam lazer a usuários ávidos por dez segundos de refresco mental. Na era do descartável, do imediato, pessoas usam blogs para os propósitos mais idiotas porque é essa a demanda: piadinha, pornografia, desabafo ou futilidades. Mas Desfavor não pensa na demanda e sim na qualidade. Curvar-se à demanda é igualar-se a ela. Aqui todo mundo estudou e tem diploma, ninguém precisa abaixar as calças para patrocinador, demanda ou modismos. Desfavor é aquilo que nós queremos que ele seja, não aquilo que a sociedade espera que ele seja.

Onde se encontra outro blog com postagens diárias de, no mínimo, quatro páginas, tratando dos mais variados assuntos? Lanço um desafio ao leitor: vá ao Google e procure um assunto razoável + desfavor e me diga se não há pelo menos uma postagem falando sobre isso ou citando o assunto. Somos ecléticos, somos versáteis. Não fazemos essa setorização de temas, não temos limitações de assuntos: “blog sobre política”? “blog sobre celebridades”?, “blog sobre beleza”? Não, nós somos um blog sobre TUDO. Não há como classificar o Desfavor. Desfavor é tudo, Desfavor é nada.

Além de não ter limitações de assuntos, também não temos limitações na forma de abordar os assuntos. Nada é sagrado no Desfavor. Criticamos tudo, inclusive nós mesmos. Não se trata de ser sempre a favor do contra, pois também temos postagens onde elogiamos e postagens neutras, onde apenas explicamos. O benefício maior é disponibilizar uma fonte crítica, mesmo que ela sirva para que se leia e se pense “Não concordo com o que esses panacas estão dizendo!”. Desfavor não quer convencer, Desfavor quer te mostrar um outro lado. Se você vai aderir, não faz diferença. O importante é conhecer outro ponto de vista, refletir, ponderar e formar a sua opinião com base em dois pontos de vista: o que você vê na sociedade, na TV, na revista e o que você vê aqui. Desfavor sai do básico e dá um passo além, onde poucos meios de comunicação chegam – e sobre qualquer assunto.

Então, em vez de procurar o melhor blog sobre política, o blog mais crítico sobre futebol, o blog mais imparcial sobre eleições, o blog com linguagem mais acessível sobre biologia, o blog mais engraçado sobre subcelebridades etc etc, o leitor tem a opção de encontrar tudo em um único lugar. É por isso que sempre dizemos que o Desfavor é um dos poucos, se não o único blog de texto que vale a pena ler de cabo a rabo. Se uma pessoa ler o Desfavor desde sua primeira postagem até hoje, não será perda de tempo. Ganhará conhecimento e se divertirá. Salvo raras exceções, nossas postagens são atemporais. As postagens de 2008 poderia ser publicadas em 2011 sem qualquer problema. Que blog consegue isso? E postagens atemporais sobre tudo quanto é assunto, quem consegue isso? Os blogs não conseguem nem mesmo postagens atuais sobre tudo quanto é assunto…

Passeie pelos blogs e contate a triste realidade: charges, desenhos, fotos, frases rápidas. Ou então coisa pior: blogs-desabafo (na linha “querido diário”), blogs sexistas, blogs políticos, blogs sobre beleza, blogs sobre entretenimentos… Informações fracionadas. Tudo ao mesmo tempo agora, só no Desafvor. E com imparcialidade, digo, sem pressões externas de patrocinadores ou de qualquer outro tipo. E sem pudores, sem dogmas religiosos, sem moralismo. E com a participação dos leitores, em debates nos comentários, com uma troca de idéias ou ofensas em tempo real.

E a dedicação dos autores? Porque neguinho tem blog para desabafar quando quer, quando se sente sozinho. Ou então neguinho faz postagem diária visando um objetivo egoístico, como dinheiro, número de acessos ou fama. A gente não quer nada. A gente só quer escrever do Desfavor, dizer o que pensa. A gente não almeja dar entrevista, bater recorde de acessos ou vender canequinha com a nossa cara. Aliás, a gente não mostra nossa cara. Nesta era de evasão de privacidade que faria Andy Warhol se levantar do túmulo apontar e gritar “Eu disse!”, Desfavor vai na contramão (com muito orgulho) e prioriza o conteúdo do blog, deixando os autores de forma secundária. Ninguém aqui quer sentar no sofá do Jô Soares, ninguém aqui quer posar para a Playboy, ninguém aqui quer ter programa de televisão. O que a gente quer é escrever o Desfavor.

E a quem interessar possa, somos bonitos. Somos muito bonitos. Somos lindos. Quão mais fácil seria posar de casal de comercial de margarina e encher isso aqui de fotos nossas? Mesmo sendo lindos, ambos estudamos, nos formamos, porque queríamos ser mais do que um rosto bonito. Porque gente feia quando se forma não faz mais do que obrigação, mas gente bonita quando se forma é porque gosta de trabalhar mesmo, já que o que não falta são atalhos para os belos. Sim, gente bonita que se forma tem mais mérito. Apesar da beleza, fazemos questão de que o foco aqui seja apenas o conteúdo do nosso blog, mesmo sabendo que beleza vende e compra. Desfavor não é imagem, é conteúdo. Evasão de privacidade é coisa de gentinha desesperada por atenção, com baixa auto-estima e carente. Não evadimos a nossa privacidade nem a privacidade daqueles que nos cercam. Não apelamos, escrevemos opiniões embasadas por fatos e dados.

Todo ignorante “acha”. Pessoas esclarecidas sabem. O que mais tem por aí são blogs onde ignorantes manifestam a sua opinião e “acham” alguma coisa. Arrogantes são eles de pensar que suas opiniões são tão interessantes a ponto de valer um blog. Sim, aqui temos opiniões mas também temos subsídios, informações, que permitem ao leitor ler a informação, a nossa opinião e discordar. Desfavor dá informações + opiniões. Nós pesquisamos antes de escrever algo, nós consultamos especialistas na área, nós mastigamos a informação para o leitor. É isso que nos diferencia da maioria dos autores de blog que estão por aí: nós temos amor ao conhecimento, uma constante busca por mais conhecimento.

Quem dá camisetinha com logotipo do blog leva a fama de que se importa com seus leitores. Nós não damos brindes, não tratamos leitor como cachorrinho que recebe petiscos de recompensa, não queremos comprar ou subornar um leitor para ter audiência. Mas nos importamos com nossos leitores, cada um a seu modo. Eu atendo sugestão de temas, respondo comentários sempre que posso e pesquiso muito para escrever sobre determinados assuntos. Somir está sempre trabalhando em um novo layout, formatando postagens, pesquisando as postagens mais populares, perfil dos leitores etc. Tudo isso sem ganhar um centavo, e sem querer ganhar um centavo com o blog.

Neste ponto alguém deve estar pensando que se fossemos assim tão bons seriamos o blog mais acessado e estaríamos sendo citados na mídia. Pois bem, em um país onde a maioria vota em Tiririca, assiste Faustão e lê Paulo Coelho, não é mais do que uma prova de qualidade que o Desfavor agrade apenas a uma minoria. Desfavor é como uma música do Rogério Skylab: é incômodo, é desagradável, é inconveniente e por vezes é até mesmo escatológico, mas é verdadeiro. É aquela verdade que a gente não gosta de pensar nem de lembrar que existe. No Brasil não se aprecia muito a verdade se ela não for socialmente agradável e conveniente.

Lembro quando o Desfavor começou e muitas pessoas apostaram que não conseguiríamos manter o ritmo de postagens por muito tempo. Os mais otimistas nos deram seis meses de vida. Bem, estamos a poucos meses do nosso terceiro ano mantendo a mesma dinâmica. É relevante? Pode apostar que no mesmo dia ou no máximo no dia seguinte, vai estar no Desfavor. Vai estar explicado e também comentado. Algo que virou natural aos olhos de quem lê mas que demanda muito esforço nos bastidores e que permite concluir que somo o melhor blog de textos do Brasil. Fazemos algo muito difícil parecer fácil aos olhos de quem lê, sem ficar tirando onda com isso.

A conseqüência natural de não almejar fama nem dinheiro seria se acomodar naquele feijão com arroz básico, naquelas quatro ou cinco colunas semanais que deram certo e ficar na zona de conforto. Mas não fazemos isso. Estamos constantemente atualizando nossas colunas (semana que vem teremos o lançamento de diversas colunas novas, por exemplo). Sim, nós somos melhores do que muita gente que é paga para escrever em um blog e não consegue mantê-lo sempre atualizado e renovado. Aqui o leitor sabe que de tempos em tempos terá uma novidade: semana temática, semana comemorativa, colunas novas ou plantões em tempo real sobre assuntos que merecem maior destaque.

E tem ainda o aspecto pessoal, que a maior parte de vocês desconhece. Somir e eu somos ex-namorados e escrevemos juntos um blog de postagens diárias há quase três anos e fazemos isto funcionar. Tem gente que não consegue nem jantar no mesmo restaurante do ex. Independente do fato de ser ex, tem gente que não tolera um décimo das críticas que fazemos um ao outro aqui e começa a se vitimizar em um misto de vaidade e infantilidade. Somir e eu estamos aqui, mais unidos do que nunca. A gente segura o rojão e divide as ofensas, os elogios, os sucessos, os fracassos. Nestes três anos enfrentamos de tudo um pouco em nossas vidas pessoais: doença, cirurgia, viagens, novos empregos etc. E nada afetou o Desfavor. Todo santo dia a postagem estava lá. Não nascemos para ser vítimas, nascemos para fazer bem feita qualquer coisa que a gente faça. Mesmo que seja de graça.

Muitos de vocês não sabem, mas um período do Desfavor eu escrevi hospitalizada, em um notebook. Outro período o Somir escreveu e editou com o braço quebrado. Quem faz isso? Mesmo quando estão sendo remuneradas as pessoas adoram ter a possibilidade de parar por um tempo e colocam uma notinha dizendo que não vão poder escrever por problemas de saúde. Nós não. Quem faz isso? Pessoas que amam fazer o Desfavor. É isso que nos diferencia desse bando de blogs de texto que existem por aí: o comprometimento, a seriedade, a dedicação. O leitor sente isto, ainda que de forma indireta.

Não é arrogância dizer que os blogs de texto que estão disponíveis hoje não chegam nem aos pés do Desfavor, é mera constatação. Pesquisem e me avisem se eu estiver errada. Encontre um blog que fale sobre tudo, com o mesmo nível de informação e ousadia do Desfavor e que mantenha postagens consistentes diariamente, que esteja sempre atualizado e que seja feito por apenas DUAS pessoas em total sintonia e harmonia. Hoje em dia as pessoas se vangloriam de postagens diárias do Twitter: “escrevi duas linhas, meu cérebro dói, estou exausto.”

Impossível encontrar outro blog similar. Para que o Desfavor exista ocorreu uma confluência de fatores improvável de se repetir: duas pessoas extremamente perfeccionistas se encontraram, criaram laços, compartilharam pensamentos semelhantes e criaram um blog. Duas pessoas que postam quaisquer que sejam suas condições pessoais e quando recebem xingamentos, ofensas ou indiferença como resposta à postagem, não se importam e continuam postando. Aqui ninguém escreve pelo holofote e sim pelo prazer em fazer o blog.

Somos um blog à frente do seu tempo. Hoje somos incompreendidos (ou seria incompreensíveis?) mas tenho certeza que seremos publicados e lidos como referência depois de nossa morte. Não acho humanamente possível que alguém consiga fazer um blog como Desfavor. Aproveitem, esta é uma experiência única que ficará melhor dia após dia. A tendência é que com a falta de tempo e a rotina estressante, as pessoas busquem seu conhecimento em uma única fonte. Desfavor vai virar modelo de blog e este modelo será o principal provedor de conhecimento nas próximas décadas. Contem aos seus netos: “Foram o Somir e Sally que inventaram esta nova forma de transmitir informação, condensando tudo em um único lugar”.

Para dizer que como arrogante eu dou uma ótima dançarina de axé, para dizer que concorda com tudo mas não vai nos dar essa moral e para dizer que não vai dizer nada pois está guardando todos os comentários para o texto do Somir: sally@desfavor.com

Essa pesquisa de imagens foi traumática...Antes que alguém levante a questão de forma pouco educada, vou declarar mais uma vez que NÃO TENHO FILHOS (*batendo três vezes na madeira) e que nunca convivi ou estive perto de criar ou educar crianças. Porém acho que isso não me desautoriza a fazer alguns comentários sobre o assunto, afinal, mesmo que você não saiba dirigir e não tenha carteira de motorista, você sabe que não se deve dirigir de costas para o volante, bêbado e batendo palminhas.

Sim, os erros que os pais vem cometendo são tão graves quanto. Existem condutas que dependem de crenças pessoais, de convicções íntimas e estas escolhas eu respeito. Mas tem coisas que são senso comum, tipo permitir que seu filho assoe o nariz no casaco de veludo de uma mulher que está no metrô indo trabalhar (sim, era eu). Inaceitável. É muito mais fácil dizer sim do que dizer não, educar dá trabalho, e a grande verdade é que a maior parte das pessoas simplesmente NÃO TEM tempo nem dinheiro para criar adequadamente um filho e mesmo assim insiste em procriar. Deu no que deu.

Você pode pensar “Sally, sua filha da puta, o que você tem com isso?”. Eu te explico o que eu tenho com isso. Graças a essa horda de crianças mal educadas o mundo está se tornando um lugar insuportável. Então, cada filho mal educado me afeta indiretamente. Além de paunocuzar pessoas em locais públicos serão adultos carentes, em crise, despreparados e que votarão no Tiririca. São crianças mal educadas, criadas pela Babá, pela creche, pela rua, pela TV ou pelo computador, já que os pais quase não passam tempo com seus filhos. E por “mal educado” não me refiro apenas aos mimados sem educação, falo também dos negligenciados, dos traumatizados e de todos os demais resultados se pais sem preparo.

As pessoas fazem filho mas não estão dispostas a todas as renúncias necessárias, inerentes a uma criança. Querem ter um filho e querem levar uma vida mais ou menos igual à que levavam antes, fazendo apenas pequenos ajustes. Impossível, a menos que você seja muito rico. Uma criança vai demandar sacrifícios que muitos pais não se mostram com vontade de fazer: parar se sair por um longo período de tempo para curtir sua vida pessoal, saindo apenas em situações excepcionais, cortar algumas atividades de sua rotina porque elas não comportam crianças (em vez de levar criança de três anos de idade para shopping e restaurante de modo a que ela paunocuze não apenas os pais como todos a sua volta) e tantas outras que não teria espaço para citar. Mas não. Neguinho não quer parar, daí ou leva a criança para um programa absurdamente incompatível ou larga a criança com terceiros.

O que eu vejo são pais burros velhos largando o filho com a mamãe para sair para beber. Vejo mulheres com filhos pequenos levando namorados para suas casas, namorados que elas conhecem há poucos meses! Caralho, como pode uma mulher ser tão PIRANHA de enfiar homem dentro de casa tendo uma criança pequena! Acho que eu só levaria um homem depois de ANOS de um relacionamento muito estável! “Mas Sally, se for assim ninguém namora”. Então que não namore, minha filha. Usasse camisinha. Faz filho quem quer. Engravidar por acidente acontece, TER FILHO por acidente não. Ter filho é uma escolha e se você a fez, honre esta escolha fazendo os sacrifícios inerentes. Quer ter um filho pequeno e ter uma vida amorosa em dia? NÃO DÁ. Seu bebê vai te tomar tempo demais. Sossega o fogo no rabo e honra seu compromisso. Você abriu mão da sua vida pessoal quando pariu, ninguém te avisou não? Se for por falta de aviso, estou te avisando agora. Sua prioridade é cuidar do seu filho, EDUCÁ-LO, alimentá-lo.

Mas não. Nego chega em casa e empurra uma lasanha congelada da Sadia goela abaixo da criança. Empurra qualquer merda congelada. “Mas Sally, ninguém tem tempo de cozinhar hoje em dia, se fosse assim ninguém teria filhos”. E NÃO DEVERIAM TER MESMO. Eu sempre repito aqui: filho é para POUCOS. Quase ninguém tem maturidade emocional + dinheiro suficiente + disponibilidade de tempo para criar um filho. Quer fazer filho? Arrume essas três coisas primeiro. Mas neguinho se auto-perdoa e dá comida congelada para criança. Dá doces em troca de obediência (que deveria ser natural), do tipo “te dou uma bala se você tomar banho” – que vergonha alheia eu sinto disso! Pior, neguinho dá FUCKIN´ COCA COLA, que é um veneno, para o filho! Mulher que dá Coca-cola para uma criança em uma mamadeira deveria ter a buceta costurada com arame farpado!

O resultado? Crianças obesas. Crianças são obesas POR CULPA DOS PAIS. Mesmo que venham me paunocuzar dizendo que nem sempre quem é gordo come muito, eu respondo: se a criança está obesa sem uma dieta que justifique isso, porque estes pais não a levam a um médico? Negligência do mesmo jeito. Daí vemos essa geração de filhos que mais parecem bezerros. Isso vai afetar a saúde daquele ser humano para o resto da sua vida. Custa colocar os filhos para se exercitarem? Custa servir uma comida que não venha em lata ou em pacote? Custa promover uma alimentação regrada de três em três horas? CUSTA. Mas quem mandou ter filhos? Ter filhos dá trabalho, se não queria trabalho comprasse um hamster que morre em dois anos. Se seu filho está obeso, VOCÊ É UM PÉSSIMO PAI OU MÃE. Corra atrás, faça por onde ele não começar a vida com uma condição tão precária, ele é sua responsabilidade.

E gente que larga filho com babá, na creche ou com os avós o dia todo? Adoro estes pais maravilhosos que passam aproximadamente 10% do dia da criança com ela. Duas horas antes de sair para trabalhar e duas horas depois que volta. Sério que alguém acredita que este tempinho basta para educar uma criança? Transmitir valores, ensinar? HÁ! A pessoa não tem a menor idéia do que o filho faz durante o dia. A criança pode estar vendo o que quer na internet, na televisão ou ainda na rua. Se bobear tá até lendo o Desfavor. A criança cresce com os valores da BABÁ!

É isso que querem para o filho? Não adianta dizer que tem que trabalhar e blá blá blá, como se tudo fosse inevitável, porque se não tem tempo de dedicar boa parte do seu dia ao filho, melhor não o fizesse. Parece aquelas pessoas que compram um cachorro para não se sentirem sozinhas depois saem para trabalhar e deixam o cachorro o dia todo sozinho chorando. O que importa é que nas duas horas em que passar em casa, a pessoa não estará mais sozinha, né? Foda-se o cachorro. Aliás, chega a ser engraçado… eu já vi pessoas que dizem que não querem comprar cachorro porque não teriam tempo para cuidar porque trabalham demais fazerem filho! Tipo… não tem tempo nem para cuidar de um cachorro (passeio de dez minutos + dar ração + dar água + dar banho) mas acham que tem tempo de criar um FILHO! SOCORRO! “Mas Sally, hoje em dia todo mundo deixa o filho na creche”. Hoje em dia todo mundo está errado então. Criança que fica o dia todo na creche é criada pela creche. Você não sabe o que ela está ouvindo, aprendendo. Você não sabe quais valores ela está incorporando. Botar filho pra dormir e dar café da manhã NÃO É SER MÃE. Não sei como as pessoas não tem vergonha! Impressionante os mecanismos que encontram para se auto-perdoar.

E criança que vê televisão e/ou joga video-game o dia todo? Porque tem pais que mesmo estando em casa dão graças a Deus quando seus filhos param quietos, foda-se o que estão fazendo. Deve ser reconfortante fazer esses animaizinhos ficarem em silêncio, mas porra, quem quer ter filhos abre mão de paz e silêncio dentro de casa, então, calar o boca dos pequenos com uma quantidade de horas não recomendada destas atividades (ou com qualquer outro suborno) não parece ser a atitude de bons pais. Sentar com a criança várias horas por dia, ler um livro, jogar um jogo, praticar uma atividade física ninguém faz, né? “Mas Sally, se for seguir tudo que você recomenda, só 1% da população teria condições de ter filhos hoje!”. Exatamente. Agora você está começando a entender meu texto.

E pais que dizem “não” e quando a criança pergunta porque dizem “porque não” ou similares do tipo “porque eu quero” ou “porque eu sou seu pai e mando em você”? Muito bom. Exercitando a tirania e a impaciência. Faça isso mesmo, assim seu filho não aprende a dialogar, a associar causa e conseqüência e a negociar. E pais que permitem escândalos estilo se jogar no chão e gritar? Eles acham que se ignorar vai passar. Talvez passe, mas… e as outras pessoas que, como eu, tomam regularmente seu anticoncepcional para NÃO TER QUE ESCUTAR GRITO DE CRIANÇA e tem que ser obrigadas a aturar grito da prole alheia? Bonito, hein? Não tem vergonha não? Eu teria. E filhos que gritam com os pais? E filhos que xingam os pais? E mãe que responde “Fulaninho, não fala assim que a mamãe fica triste”? É o fim do mundo. Se você não tem tempo nem paciência de dar esporro um milhão de vezes até a criança aprender, não faça filho.

Fazer filho nesse esquema que as pessoas estão fazendo hoje em dia é FÁCIL. Nesse esquema eu teria até dois ou três filhos. Mas infelizmente sou muito responsável e tudo que faço na vida gosto de fazer bem feito (semana passada fiquei um dia sem postar e não consegui dormir porque me senti mal), então, eu teria VERGONHA, CULPA E REMORSO de colocar uma criança neste mundo para vê-la poucas horas por dia, dar comida congelada e sair para me divertir deixando-a com a minha mãe. Aliás, as avós não merecem isso, elas já criaram seus próprios filhos, sacanagem empurrar uma segunda rodada!

Provavelmente você que faz estas coisas narradas no texto vai encontrar trocentos mecanismos para se auto-confortar e se auto-perdoar: “sou mãe solteira, o que eu posso fazer?” Ou ainda “meu filho é feliz assim” ou ainda “hoje em dia a realidade é outra, todo mundo cria filho assim”. Uma coisa eu te garanto: todas as desculpas esfarrapadas que venham a ser ditas orbitam em torno de uma premissa falsa: a de que TEMOS QUE TER FILHOS. Não, não temos. Ter filho porque quer ter filho mesmo sem condições de ter filho é uma das coisas mais escrotas que um ser humano pode fazer. E a maior parte deles faz. Nesse ponto, a culpa é muito mais das mulheres do que dos homens, porque quem decide se tem filho ou não acaba sendo a mulher e ela sabe que a responsabilidade maior na educação da criança vai caber a ela (é ela quem amamenta, é ela quem via de regra fica com a guarda da criança em caso de divórcio, etc).

Então, cabe a aquele que será o principal responsável pensar bem e decidir. Tem que começar a pensar no assunto a partir da primeira menstruação. Tem que parar de comprar essa lógica do capitalismo que romantizou ter filhos porque precisa de excedente de população. Tem que ter autonomia para se perguntar se ter filho é mesmo esse sonho dourado que vendem. Tem que saber que às vezes por mais que queira, não dá para ter e aprender a sublimar a frustração.Tem que ponderar RACIONALMENTE se efetivamente tem condições de ter um filho.

Quem se deixa guiar por hormônio é bicho, gente pensa, ou deveria pensar. Se bater um furor uterino para ter um filho tem que pensar RACIONALMENTE se há condições de criá-lo e não ligar o foda-se e pensar que vai dar um jeito. “Mas Sally, não tenho tempo, muito menos dinheiro e ainda assim ter um filho é meu sonho!”. Meu sonho é ter um castelo e eu sei que nunca vou poder realizá-lo, porque castelo se herda, não se compra. Comprar castelo é brega. As pessoas tem que deixar de ser mimadas e aprender a ajustar suas expectativas. Eu quero um monte de coisas que não posso ter. De dois um: ralo até criar condições para ter e só então tenho ou busco novos objetivos. Ter a qualquer preço é egoísmo, irresponsabilidade e escrotidão.

Colocar uma criança no mundo para ficar fora de casa o dia todo trabalhando é egoísta demais. Se você não pode ver isso, seu desejo e seu egoísmo te cegaram. Se você acha normal sair de casa às nove da manhã e voltar às sete da noite e acha que dedica tempo suficiente a seu filho pequeno, eu te acho uma FILHA DA PUTA EGOÍSTA. Se você acha normal levar seu namorado recente na sua casa ou sair com seu namorado todo sábado à noite tendo um filho pequeno em casa, eu te acho uma PIRANHA MUITO DA ORDINÁRIA e ele provavelmente também, mas não vai falar na sua cara – apenas nunca terá um filho com você. Se você se dá ao luxo de ficar chorando pela casa por causa de homem tendo um filho pequeno para criar eu te acho uma IMBECIL DESPREPARADA que deveria saber quais são as prioridades da sua vida.

A palavra é essa: PRIORIDADE. Filho tem que ser PRIORIDADE. Não trabalho, não namorado, não vida pessoal, não você. Isso aí. VOCÊ fica em segundo plano. É a única hipótese onde eu acho necessário amar alguém mais do que a você mesmo. Se você não puder deixar você mesmo, trabalho, namorado, vida pessoal, vida afetiva em segundo plano, faça um favor ao mundo: não procrie. “Mas Sally, se eu deixar minha vida profissional de lado eu morro de fome!”. Ahhh… você depende do seu trabalho para sobreviver? Lamento. A menos que você trabalhe em casa ou em uma carga horária muito pequena, VOCÊ NÃO VAI TER TEMPO PARA CRIAR UM FILHO. Toda mãe vai FALAR que seu filho é sua prioridade, mas poucas vão mostrar com ATOS que isto é verdade.

Infelizmente a maior parte da população brasileira tem filho no “a gente dá um jeito”. É o jeitinho brasileiro… até mesmo na hora de criar sua prole. Como pode uma coisa séria dessas ser tocada aos trancos e barrancos? E não falo de pessoas pobres não! Tem muita gente classe média que se comporta de forma irresponsável também, mas se auto-perdoa porque hoje em dia “todo mundo cria filho assim” e “se não for assim, não dá para ter filho”. NÃO TENHA, CARALEO! QUAL É A DIFICULDADE? QUER QUE EU DESENHE?

O planeta está superlotado. Não vai ter água nem comida para todos em um futuro mais ou menos próximo. Pense bem se você precisa contribuir com isso. Ter um filho é obrigação para o resto da vida e as restrições que você vai ter não é você quem escolhe e não podem ser negociadas. TENHA A DECÊNCIA E A VERGONHA NA CARA de não botar um filho no mundo se não tiver tempo, dinheiro e disponibilidade para criá-lo. Foda-se se é seu sonho, arrume um sonho novo.

Não dá para ter filho sem abrir mão de quase tudo na sua vida. Tudo vai cair de produtividade: sua vida profissional, sua vida amorosa, etc. E você tem que ESTAR FELIZ com isso. Tem que só ter olhos para a criança, só pensar na criança. Colocar a criança em primeiro lugar. Nem sonhar em viajar um final de semana com namorado, mesmo que seu filho tenha dez anos de idade. Nem sonhar em dormir fora de casa. Nem sonhar em fazer muita coisa que você fazia. Porque vai por mim… toda a negligência que você praticar na infância você vai pagar com juros e correção na adolescência. Custa caro, muito caro. Mas tudo bem, advogados precisam sobreviver, né? Nenhum cliente solta dinheiro com tanta facilidade do que pais classe média que querem tirar o filhão da delegacia ou do presídio. Pagam melhor que rico. Pagam adiantado e em dinheiro. Vendem o carro, pegam dinheiro emprestado *barulho de caixa registradora. Pensando bem, continuem criando seus filhos desse jeito de merda mesmo. Não tá mais aqui quem falou!

Para me xingar, para me xingar mais e para me xingar mais ainda achando que se me detonar meus argumentos perdem credibilidade: sally@desfavor.com