Leitura sagrada?

A Bíblia, escritura sagrada do cristianismo, é provavelmente o livro mais popular da história. Sally e Somir não negam o impacto da obra na humanidade, mas não tem a mesma fé sobre a utilidade do livro em si. Os impopulares divulgam suas crenças.

Tema de hoje: vale a pena ler a Bíblia?

SOMIR

Não. Spoiler: o mocinho morre no final.

Longe de mim querer cagar regra sobre o que você pode ou não consumir de conteúdo. Se você quer ler a Bíblia, leia a Bíblia, não é nem um papo sobre ser algo positivo ou negativo. A questão aqui é se vale a pena ou não. E com base no meu conhecimento sobre o livro em si, eu não recomendaria para ninguém. Não tem nada lá que seja tão único assim, e dado seu inegável legado na cultura ocidental, todos seus temas já foram muito mais bem desenvolvidos em outros lugares.

Primeiro, vamos remover o elefante da sala: não existe nenhuma evidência razoável da existência de deuses e seres mágicos do tipo no mundo real. E vamos concordar que o deus cristão é a base da coisa toda. Se você acredita no deus cristão ou no mínimo está inclinado a acreditar em um poder consciente sobre o universo, eu já não consigo mais te alcançar. É a sua fé e contra a fé não há argumentos.

Agora, sem a crença irracional no “papai do céu”, temos que analisar o material por seus próprios méritos. E por mais que eu não tenha nada contra gostar de ficção, eu mesmo adoro uma história fantástica sobre naves espaciais e robôs, não é um tema interessante que faz um livro ser bom. Precisa desenvolver.

E aqui a Bíblia começa a falhar. Todo mundo se amarra num mito de criação, o ser humano é naturalmente curioso sobre começos e fins. O livro já começa numa preguiça enorme: Deus criou o mundo em alguns dias, fez umas coisas aleatórias, e de repente estava tudo pronto. Não te dá nenhuma informação útil mesmo que você acredite em mágica. Se você perguntar para uma criança como o mundo começou, provavelmente vai ouvir algo parecido.

Parece chatice minha, mas é um ponto importante: para os padrões de 2023, a criatividade e a habilidade de contar histórias do povo do tempo em que a Bíblia foi escrita são… limitadas. Mais de um milênio de cultura compartilhada realmente impacta a qualidade da escrita ficcional. Naquele tempo, mitos simplórios divertiam a maioria das pessoas. E dá para perceber claramente como a qualidade da narrativa na escritura sagrada não bate mais com os padrões atuais.

Não ajuda nada a presunção de livro mágico que se questionado pode te mandar para uma eternidade de tortura no inferno: as pessoas realmente não estavam muito dispostas a questionar a qualidade técnica do material. Sim, eu sei que a Bíblia moderna provavelmente foi modificada muitas vezes nas inúmeras traduções e manipulações realizadas por religiões institucionalizadas como a Igreja Católica, mas nenhuma delas melhorou a narrativa, só adicionou “fatos” mais convenientes para quem estava no poder a cada momento.

Harry Potter é um livro sobre mágica muito mais bem escrito. O Senhor dos Anéis conta uma história grandiosa de forma bem mais interessante. Se você não tem a ilusão de veracidade sobre o que está na Bíblia, é um livrinho de ficção muito mal escrito. E eu já devo ter dito isso antes, mal escrito e plagiado: são os mitos do Zoroatrismo com nomes diferentes. A história de Jesus, o diferencial cristão sobre o Judaísmo (que compartilha boa parte do Velho Testamento), também é uma cópia de dezenas de outros mitos de filhos nascidos de mães virgens de religiões anteriores.

Se a graça é ver a primeira vez que escreveram sobre um mito religioso, a Bíblia é a cópia da cópia da cópia. Como é de se esperar, os livros que se formaram para gerar a Bíblia são baseados na tradição oral de povos antigos da região.

O que nos leva ao possível valor histórico da Bíblia: sim, tem sua graça ler sobre o que pessoas de milhares de anos atrás pensavam sobre o mundo e as histórias que passaram de geração em geração até chegar neles. Mas mesmo assim… já ouviu falar dos arqueólogos? Então, eles estão caçando registros históricos há muitos e muitos anos, e achando as fontes das coisas que a Bíblia copiou. E melhor: sem explicações mágicas estapafúrdias.

Religiões são fascinantes sim, mas você não precisa ler o livro mágico dela e rezar para aprender sobre sua história: existem livros de pessoas que estudam sobre isso, existem documentários, séries… tem um monte de coisa muito mais bem feita para te informar sobre as crenças e costumes da antiguidade. Você consegue estudar e aprender muito sobre as mesmas histórias que são contadas na Bíblia sem enrolação e sem desvios óbvios para defender uma tese religiosa. Como… Jesus, por exemplo. Ele provavelmente foi inventado ou é um compilado de diversas pessoas com o mesmo mito de criação em diversas outras religiões.

Complicado aprender sobre história com uma personagem fictícia bem no centro de tudo, né? Imagina estudar a história do Brasil considerando que a Cuca do Sítio do Pica-Pau Amarelo foi a rainha por vinte anos? Perdemos muita objetividade e não dá mais para saber o que faz sentido ou não. Quer aprender história? Estude História. Quer aprender sobre povos antigos? Estude Arqueologia. Quer aprender sobre o que aconteceu antes do ser humano existir? Física, Química, Biologia, Geologia…

Tudo o que tem na Bíblia está mais bem descrito em ciências de verdade. E se você quiser analisar o material em busca de ensinamentos sobre ética, moralidade e até mesmo espiritualidade, até auto-ajuda é mais eficiente: porque não coloca tudo condicionado à existência de um ser mágico que te julga a cada ação e que concede desejos feito um Gênio da Lâmpada. Tem uma lição valiosa na Bíblia: trate o outro como quer ser tratado. Jesus falou basicamente isso, e foi solenemente ignorado por mais de dois mil anos pelas pessoas que acreditam nele.

O que mostra como nem pra isso o livro serviu. A Bíblia tinha UM trabalho, e não deu conta dele. O resto que tem lá já foi feito muito melhor em outros materiais, e sem querer te mandar para o inferno por comer bacon.

Para dizer que todos os cristão concordam comigo porque ninguém lê a Bíblia, para dizer que o importante é fingir que leu, ou mesmo para dizer que tudo aquilo é verdade (ok, mas você VAI para o inferno, é impossível não ir se você acreditar na Bíblia de verdade): somir@desfavor.com

SALLY

É válido ler a bíblia?

Sim, acho interessante como relato histórico e cultura geral, desde que se tenha a consciência de tratar como o que é: uma obra de ficção, graças às inúmeras imprecisões de tradução e informações inventadas e distorcidas.

Gostemos ou não, concordemos ou não, é o livro mais vendido da história. Tem algo aí. Misticismo e religião não sustentam sozinhos todo impacto que a Bíblia tem na história e na cultura humana. Tem algo nela que ressoa com as pessoas, muito além das alegorias bobas que revestem suas histórias. É de uma magnitude suficiente para que eu acredite que merece uma leitura.

Nunca li a Bíblia, mas um dia pretendo fazê-lo, por uma questão de cultura mesmo. O livro mais vendido da história da humanidade, que mais inspirou músicas quando comparado com qualquer outro livro, o mais falado, o mais comentado. Eu acho válido ler sim, até mesmo para poder criticar, para expressar uma opinião pessoal precisa, sem precisar me basear no que outros dizem ou em trechos tirados de contexto.

Não quero dizer que por ser muito vendido seja necessariamente um bom livro, quero dizer que qualquer coisa que atraia muitas pessoas por muitos séculos vai me despertar minha curiosidade e eu vou querer conhecer, nem que seja para não gostar e para criticar.

Eu não consigo ter a arrogância de pensar que um livro que foi adquirido e lido por pessoas de diferentes regiões do planeta por séculos não tenha, no meio de suas muitas páginas, ao menos uma informação, um insight, uma história que, de alguma forma me beneficie, abra minha mente, me ofereça um novo ponto de vista sobre algo. Deve ter algo de bom ali.

Lembram do nosso texto sobre não culpar objetos inanimados? Então. A Bíblia não é boa nem má, é uma ferramenta que pode ou não ser útil. Como descobrimos? Lendo. O fato dela ter perdurado por tanto tempo, o fato de ter interessado a tantas pessoas me leva a crer que são grandes as chances de ter algo verdadeiramente útil ali. “Mas Sally, antigamente as pessoas eram obrigadas a ler a Bíblia”. A Bíblia é um dos livros mais baixados no Kindle, então, acho que o interesse continua.

Também acho importante a leitura para desmistificar. Tem tanta gente falando sobre a Bíblia (e provavelmente falando bosta), que não dá para simplesmente aderir à opinião alheia. Inclusive, os propagadores oficiais da Bíblia são religiosos e certamente fazem uma leitura tendenciosa. O único meio de formar uma opinião não-tendenciosa é lendo o livro. E a única forma de dar uma utilidade para ele é conhecer as ferramentas que ele disponibiliza e tentando entender se alguma serve para mim.

O fato de a Bíblia ser uma compilação de diferentes autores também me incentiva a ler: não acho possível que tudo seja ruim e imprestável. Algum dos fulanos que escreveu alguma das histórias deve ser bom, não é mesmo? Quais são as chances de que o livro mais vendido da humanidade, que é lido por centenas e centenas de anos, só tenha autores ruins?

Outro ponto interessante: na Bíblia Deus não é esse arquétipo bonzinho de amor, é muito bacana, mas tornaria uma história de ficção meio tediosa. Deus mata gente pacarai, a história parece animada. Inclusive, salvo engano, Deus inclusive permite que Satanás mate uma galera com parte de uma aposta.

Pior dos mundos, você ganha algumas histórias de ficção divertidas. Acredito que eu já deva ter lido coisa muito pior, inútil e mal escrita do que a Bíblia. Pelo que escuto falar, tem muita ação, muito sangue, muita morte. Parece divertido. E a suposta conotação religiosa parece ser mais interpretação das pessoas do que qualquer outra coisa.

E, para ser justa, eu tenho curiosidade de ler todos os livros que são base para religiões estabelecidas, pois todos eles parecem ter perdurado no tempo, todos eles tiveram força para criar algo grandioso. Se as pessoas distorceram e cagaram tudo, bem, não é culpa do livro. Se um maluco criar uma seita e sair fazendo merda em nome do Desfavor, será culpa do blog?

Você pode depreender qualquer coisa de qualquer livro. Eu te garanto que se eu destinar um tempo da minha vida para isso eu leio a Bíblia e te provo por A + B, com argumentos plausíveis, que Rafael Pilha é a reencarnação de Cristo. Então, o fato de ter maluco interpretando o livro de forma torta não me faz ter vontade de desistir, muito pelo contrário.

Sem contar o tanto de gente que eu poderia calar a boca, quando viessem com citação errada da Bíblia. De tempos em tempos aparecem uns malucos aqui tentando argumentar com a Bíblia e eu nunca sei o que responder. Deve ser bem gostoso, mesmo no mundo real, dar uma invertida em cidadão de bem que se escora em religião.

Tudo que está na Bíblia pode ser encontrado em outros livros? Provavelmente (não tenho como afirmar, afinal, não li). Mas, por algum motivo, da forma como foi apresentado nesse livro específico, atraiu multidões e sobrevive até hoje. Então, acho saudável a curiosidade de ver o que se passa nesta popular obra de ficção.

A Bíblia é livro que, apesar da aura sagrada que ganhou no imaginário popular, contém humor, trocadilhos, sarcasmo e ironia. A quantidade de vinganças, mortes violentas e situações politicamente incorretas me atrai. Não é todo dia que vemos um livro que tem passagens seriamente incorretas sendo aplaudido e chamado de sagrado. Isso é genial!

Desculpa, mas eu tenho a curiosidade de ler um livro no qual Deus envia dois ursos para matar 42 crianças que haviam caçoado de um homem careca. Me julguem.

Para dizer que deveríamos fazer uma coluna comentando os melhores momentos da Bíblia, para dizer que este texto entristeceu Jesus ou ainda para dizer que agora você também tem curiosidade de ler a Bíblia: sally@desfavor.com

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Comments (30)

  • Acho que a Sally vai perder a vontade em Deuteronômio quando dizem que se uma mulher for estuprada na cidade e não gritar alto o suficiente ela deve ser apedrejada até a morte. Mas se for estuprada no campo não tem problema pq ninguém ia ouvir a estuprada gritando no campo no meio do nada.
    E se a estuprada na cidade entrar em estado de choque durante o estupro e não consegue gritar? E se o estuprador aponta uma arma dizendo que se ela gritar ela morre? E se for um estupro coletivo e a boca dela estiver cheia com duas rolas na boca ao mesmo tempo e ela não conseguir gritar nessas condições? Deve morrer apedrejada?

    • Não dá para esperar que histórias de dois mil anos atrás tenham as mesmas normas de moral e comportamento de hoje, né? Vou ler como um livro de ficção, que certamente terá partes que eu vou gostar e partes que não vou gostar.

  • Eu acho que depende muito do objetivo com que se quer essa leitura. Se for pra entretenimento considerando uma narrativa ficcional, realmente concordo com o Somir, tem coisa melhor por aí, mais bem fechadinha, sem furos no enredo e sem contradições gritantes.

    Agora, a título de conhecimento aprofundado, se quiser se aprofundar em determinados assuntos, acho super válida a leitura. Eu mesmo tive que ler a bíblia pra estudar a fundo Dostoiévski no mestrado, e pra entender a forma de pensar do autor, para além de sua obra. Dostoiévski, pra quem não sabe, era católico ortodoxo russo roxo! Só que essa ortodoxia é bem diferente do que a gente tem no ocidente com o catolicismo apostólico romano. Dai tive que me aprofundar também nas diferenças culturais entre ambas, na origem das igrejas russa e romana no início dos séculos, a origem da ortodoxia grega, a influência na cultura eslava etc etc etc… Foi uma viagem profunda, quase enlouqueci!

    • Mas aí eu te pergunto: se tem coisa melhor por aí, por qual motivo tanta gente lê a Bíblia e não essa coisa melhor? Deve ter algo muito único, muito diferente, não é possível que seja só propaganda.

  • Wellington Alves

    Plot twist: o mocinho ressuscita no final.
    E ainda tem teaser da parte 2 em que ele volta.
    A Bíblia não foi escrita por uma pessoa. Vários autores, de diferentes épocas, que nunca tiveram contato entre si, escreveram um relato totalmente alinhado. Isso porque o Espírito Santo é quem os inspirava.
    Eu adoraria trazer alguns contrapontos aqui mas não tem como ser breve e precisaria trazer alguns dados. Mas eu aconselho fortemente que, antes de lerem a Bíblia, leiam primeiro a versão do blog Jesus Me Chicoteia. A intenção original dele era esculachar com a Bíblia, mas acabou prestando um grande serviço ao colocar de forma mais nítida e informal a mensagem. Você racha de rir, acha que ele está inventando, e quando vai conferir na Bíblia, realmente está lá!

  • A minha avó contava pra mim algumas historinhas famosas da bíblia quando eu era criança (as mais leves é claro, que tem umas pesadas pqp!) Eu curtia muito, mas como adulto não perco meu tempo. Se a pessoa tem tempo livre ok, mas se a vida é corrida, melhor ler algo que vai agregar no trabalho ou no desenvolvimento pessoal do que ficção.

  • No blog “Jesus, me chicoteia” eram postados alguns textos com releitura bem humorada da Bíblia (não sei se continua com postagens assim, faz anos que não leio).

    Luxo, mesmo, seria uma versão Desfavor: algumas passagens reescritas pela Sally, outras pelo Siago Tomir, outras pelo Alicate, outras pela Somira…

    Tentei ler a Bíblia, quando era novinha e obrigada a ir à missa. Se li dez páginas, foi muito. Linguagem rebuscada, um tédio só. Mas enquanto documento histórico sobre o qual se construiu uma religião, acho que a leitura seria muito interessante.

    A quem interessar, dicas de livros com releitura da Bíblia (mesmo que apenas partes):
    -O Evangelho Segundo Jesus Cristo, do Saramago. A versão de um ateu, com um Jesus mais humano. Um dos meus livros preferidos!
    – O Mestre e Margarida, do Mikhail Bulgákov. São duas narrativas em paralelo, uma é sobre a chegada do diabo a Moscou, e a outra é uma versão da crucificação de Cristo sob o ponto de vista de Pilatos.

    • Saramago é maravilhoso, não só nesse livro, como também em toda sua obra. A respeito do evangelho…, acho muito legal como o narrador utiliza da ironia pra lá e pra cá pra justamente ridicularizar e por em cheque todo esse “endeuzamento” da figura de Jesus. Afinal, e se ele fosse tratado como um ser humano normal, assim como todos os outros? Um ser que tem vontades, tem tesão, que transa, que trai etc assim como todos nós? Ao retirar essa áurea mística e sobrenatural da figura de Jesus, Saramago conseguiu irritar muita gente, ainda mais num pais tão católico e conservador como Portugal. Leitura super recomendada!

  • Eu li a Bíblia no fim da infância, por influência de uma tia freira que ajudou a me criar. Não me lembro de quase nada, a não ser de ter pensado “pelo visto, o catolicismo não é pra mim” depois de um certo ponto. Acho que alguém da família chegou a me oferecer dinheiro pra continuar na catequese e deixar minha tia feliz, mas eu era idealista e ingênua demais pra aceitar hahahaha
    Ainda acho interessante reler do ponto de vista de uma pesquisadora. A Bíblia sempre foi um instrumento de poder e estado, especialmente quando a Igreja era o centro de poder da Europa. Os autores e textos foram sendo selecionados e traduzidos a partir das crenças que eram mais convenientes de se cultivar em determinados países e períodos. É por isso que as versões dos Ortodoxos, Protestantes, Católicos e outras vertentes são diferentes. Para quem gosta de história e política, é um prato bem cheio.
    Também tenho muita curiosidade em dar uma voltinha na biblioteca do Vaticano, mas provavelmente seria inútil para quem não sabe latim.

  • Des Qualificado

    A Bíblia pode ser o livro mais vendido de todos os tempos mas duvido que seja o mais lido.A maioria dos cristãos não lê,pelo menos não do jeito que deveria.Lê no máximo os trechos bonitinhos que seu padre/pastor manda ler.Eu li a Bíblia,de cabo a rabo,e digo que é um livro chato,cansativo,mal escrito,cheio de contradições,incoerências e histórias sem sentido e bizarras.Os livros de críticas textuais bíblicas ensinam mais sobre a Bíblia do que a própria Bíblia que sofreu alterações e traduçôes desonestas para se adaptar ao dogma da igreja e dar algum sentido à religião como a conhecemos hoje.Há livros muito bons de escritores sérios que esmiuçam todo o contexto da época levando em consideração evidências arqueológicas,históricas e científicas que,na minha opinião,tornam o tema mais “honesto”num recorte mais real e didático do que um livro adaptado para ser seguido como um guia moral e inquestionável mas que,na verdade,traz mais perguntas do que respostas.

    • Na forma eu sei que a Bíblia é um pesadelo rebuscado e difícil de ler, mas… e no mérito? O que tem ali que a tornou tão especial?

      • Des Qualificado

        Não acho ela tão especial assim,analisando como um livro,claro.Ela é especial e sagrada para os cristãos mas para os outros 2/3 da humanidade é só mais um livro.Também não acho que o conteúdo a tornou o best-seller que é,se os maiores interessados mal leem o que tem lá,mas ao ingressar na catequese toda criança ganha uma Bíblia dos pais ou de alguma tia carola,o que explica uma boa parte do sucesso comercial dela.E como é o livro-guia da maior religião do mundo e todo adepto deve ter a sua,ela seria exatamente o que é,independente do conteúdo,uma vez que é o mínimo que uma pessoa que diga-se cristã deve ter em casa.

        • Mas mesmo hoje? O que levaria alguém a baixar a Bíblia no Kindle se não vai ler? No Kindle não dá para ostentar, deixando à vista para a visita ver…

          • Des Qualificado

            Bem lembrado!Desconheço o sucesso dela no Kindle mas é provável que esteja entre os mais baixados.O motivo?Não faço a menor idéia!Talvez porque está lá,a dois clicks de distância,não custa nada,ué(ou custa,sinceramente,não sei) ou por medo de Deus saber que podendo baixar ainda assim não o fez….vai saber!Enfim,a versão digital provavelmente não será lida assim como aquela edição especial caríssima que fica num suporte de madeira entalhada em cima do aparador na sala de jantar,logo abaixo do quadro da Santa Ceia.

      • Eu diria que a expansão se deu mais pelos zelotes (como Paulo) que pela mitologia em si (claro, sem esquecer da queda do Império Romano e a conversão de Constantino – ou eu confundi o nome, o Zé da Constantinopla). Apesar da mensagem do Peixe Grego ser de paz e amor, uma das coisas que fez a coisa crescer foi na base da porrada e algo que aprenderam (e adaptaram, claro) com os romanos: trazer para si mitos locais em sua roupagem católica ao mesmo tempo em que vilanizavam o culto aberto a outras divindades.

        De canal no Youtube, recomendo o Esoterica, de um rabino que trata muito bem de misticismo, gnoticismo e religiões em geral.

        • Mas até hoje as pessoas continuam lendo a Bíblia, elas encontram algo valioso ali. É um dos livros mais baixados no Kindle. O que tem ali de tão universal que sobreviveu séculos e ainda toca as pessoas? (nota mental: não fazer trocadilho com padres e crianças)

  • A maioria dos livros não valem o papel onde são impressos, lei de Sturgeon é real. Mas a Bíblia ainda é menos pior do que todo esse lixo que existe por aí. Celebridades, políticos, governos, ideologias…
    Mil vezes um filho crente normie do que um maluco que fica trancado no quarto lendo Mein Kampf ou moderando o r/antiwork

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